sábado, novembro 10

Acordar

Não sei quanto a ti leitor, mas valorizo imensamente o sono. Ultimamente mais do que nunca devido aos meus horários que deixam pouco tempo para essa produtiva atividade.

O poema de hoje tem na sua temática justamente a alvorada, não fisíca, mas mental. A imensa poesia que existe no ato de despertar para um dia de possibilidades.

O poema chama-se alvorada e é uma descrição vulgar dos pensamentos e situações sob as quais acordo. Ele tem algumas particularidades que gostaria de ressaltar antes do exibi-lo:

1- Ele é escrito com três sílabas métricas e é uma espécie de reza, é algo como o café com pão de Bandeira misturado com cordel. Escolhi essa forma pela velocidade que dá ao poema, como um dia veloz que empurra o eu-lírico sonolento para fora da cama.

2- Ele foi feito para ser cantado (entretanto não é, sobremaneira, música), por isso deve ser lido com a tônica na primeira e última.

3- Já que é assim, eu gostaria que quem o lesse, após a primeira leitura, fizesse outra em voz alta dando a entonação adequada e me contasse, por meio dos comentários do blog, não apenas como ele foi sentido, mas também como ele foi escutado.


Alvorada


Ei chacoalha!
Ei chacoalha!
Ei chacoalha!
Olha o Sol!
Bora fora
Dessa cama
Já levanta
Ói relógio
Ói a hora
Não demora
Ei chacoalha!
Ei chacoalha!
Ei chacoalha!

Ai preguiça
Que espicha
Nessa cama
Nada anda
Ai sou lento
Não intento
Despertar

Não me vejo
Chacoalhando
Sono alheio

“Homem, deixa”
Mais um pouco
Nunca vi
Que sufoco
Não é queixa
Mas o trampo
Só começa
Oito e meia

Oh relógio
Bich’ ingrato
Me desperta
E sossega
Deixa o resto
É comigo
Ai que sono
Que preciso
Para acordar

São aqueles
Cinco caros
Preciosos
Minutinhos
De preguiça
Pra coçar

Banho frio
Café quente
Travesseiro
Nem comento
Que me sinto
Parecido
Com tu mesmo
Se pudesse
Te agarrava

Penso sério
"É bem feito
Quem mandou
Farrear
'dia inteiro?"
Põe a roupa
Ganha a rua
Que o jeito
É dormir
No almoço
Ai sesta!