sexta-feira, abril 17

Chamado Ratatônico de Praia

Ahn, mais uma postadora aqui \o/
Não faço crônicas tão bem quanto diogo, mas pelo menos isso aqui vai continuar bem humorado =]
Sem muitas novidades por hora, vou tentar fazer com que as novidades surjam:

Ratos e ratas desta nação cachaçeira, tenho a honra de convocá-los para o próximo ratão de praia, que acontecerá na manhã da terça-feira de Tiradentes, na praia de Boa Viagem, em frente ao Ed. Segóvia (4700, próximo à pracinha).

Porque tem muito ratinho precisando de um bronze.

quinta-feira, abril 16

Antes e Depois

Queria jogar video-game, acordei ontem com uma vontade furiosa de jogar video-game. Mas aí comecei a escrever num blog, no outro e já sabem né, vídeo-game se tornou apenas uma vontade roendo meu espírito, azar.

Bruninha andou viajando e ganhou um apelido: bêbada. Ele bebeu demais na viagem? Não. Mas toda santa foto que bateram dela... Já sabem, lá estava a garrafinha, ornamental.

Até porque, como já disse antes, o alcoolismo é um estado de espírito muito antes de biológico. A garrafa é um simbolo, um ícone, uma bandeira sobre a qual nos reunimos. Por isso que bruninha, mesmo que inteiramente sóbria durante toda a viagem, preservou-se perto da garrafa, para nos inspirar a todos. Temos que admitir, que bruninha, viajando o tanto que viaja (em ambos os sentidos) e galega, dos cabelos encaracolados, o 'leãozinho' do veloso é uma verdadeira musa. Sem falar de sua voz, linda quanto canta, engraçadíssima no Jiglypuf.

O que é o Jiglypuf? Um pokémon, logicamente. Para quem assistiu, um pokémon com o poder de adormecer os outros com seu canto, e foi assim que mazelados pela madrugada ardente ouvindo uma música em francês linda que tenho certeza que bruninha terá a bondade de dizer qual foi depois aqui no blog nós - Eu, Lis, Dandara, e Bruninha - inventamos o 'Jinkalinka back'n vocals' coro de back vocal que sintoniza qualquer melodia com o 'jinkaalinka, jinkalin...iinka' enobrecendo a música como um todo.

Falando nisso, as primeiras considerações do chamado ratônico. Como era de praxe, quase que estrago tudo mergulhando na piscina e gritando como um louco. Mil perdões pela milésima vez.

Tulinho fazia aniversário na semana seguinte e decidimos dar uma festa surpresa, assim que cheguei estavam todos enchendo bexiguinhas rosa e dispondo chapéu cônicos do Herby, o fusquinha, para que entrássemos no clima de festa, realmente a cara de Tulinho, inclusive para deixar claro meu ponto, decidi fazer um antes de depois, para explicar ao leitor o que os vinte anos podem fazer à uma pessoa:

Antes


Depois


Espero ser perdoado por isso, mas uma imagem vale por mil palavras. Como dizia, queria mesmo ter enchido a piscina de balões rosa, mas infelizmente não tive tempo. O bolo, por outro lado, estava delicioso, parabéns as cozinheiras. Por isso que eu sempre digo, lugar de mulher é na cozinha. Se eu e Onirê tivéssemos cozinhado o bolo, por exemplo, alguém conseguiria comê-lo? Não sei das destrezas culinárias de Onirê, é verdade, mas tenho as sutil suspeita que se cozinhássemos algo o resultado ficaria entre coriza e o esmalte.

Onirê tentou algumas frases de efeito mas não estava bêbado o suficiente, e quando finalmente atingiu o nirvana do rato, quem estava bêbado o suficiente era eu, então infelizmente não posso agora reproduzir sua sabedoria. Ele deveria andar com um linotipista atrás dele, registrando tudo que ele fala.

Por hora é só. Mas passagens do chamado ratônico no próximo capítulo. Não percam.

Vamos às apresentações.

Diogo me pediu pra dar uma ajuda a ele com o blog. Ele é um rapaz muito atarefado, como todo artista, faz três mil e quatrocentas coisas ao mesmo tempo, desde peças de teatro e roteiros pro cinema, a amar e farrear, enfim. Gostei disso de escrever umas crônicas aqui, e da ideia de convidar outras pessoas pra escreverem também. Esse era mais ou menos o propósito inicial da Bodega do Rato, eu ia chamar todos os ratos pra postarem nela, ia ser algo "público". Mas aos poucos o sentido da coisa foi mudando e eu havia desistido (ao menos por agora) de abrir o blog aos ratos. Acabou que Diogo decidiu por mim e abriu o DesConceito.
Então é isso, a partir de hoje vou dar as caras nesse espaço contando os acasos da rataria e os causos desse mundo.

Aos ratos e não ratos, Ratão!

quarta-feira, abril 15

abertura

breve aviso. Abri o blog para outros autores, tá foda escrever a coluna todo dia entre as tantas outras coisas que ando fazendo. Agradeço pela força que de quem se dispuser, e se houver alguém que deseje e não recebeu o convite, basta entrar em contato comigo que o mando

O músico

Lúcio Mendonça é compositor e grande amigo. Escreve uma poesia rara, rica em metáforas das coisas mais simples da vida, como um copo de cerveja ou um aperto de mão.

Nunca acertou no amor entretanto. No filme do Woody Allen "Vicky Christina Barcelona" há um narrador que diz a respeito da personagem de Javier Barden, que é artista plástico "e como todo artista, ele não sabia viver sem a companhia de uma mulher". Ponho um adendo na frase "e não saberá nuna viver na companhia de apenas uma". Na última crônica discuti o quanto a sensibilidade de artista pode sensibilizar em excesso o heterossexual, hoje discuto o quanto a inquietação de artista pode inquietar em excesso o monogâmo, modelo de nossa sociedade.

Assim é com Lúcio, tadinho. No filme The Spirit (uma porcaria, não assistam) tem uma frase mais ou menos assim "Você é apaixonado por toda mulher que conhece, e ama a todas do seu jeito", mais ou menos isso. Assim é Lúcio, tadinho - ama tudo, todas e um bocado; Mas seu envolvimento com mulheres tem sempre um prazo fixo - uma música. Já chegou a me dizer, outro dia - 'Diogo, não seria lindo se eu fizesse uma música pra cada mulher que eu conhecesse, mas uma música de verdade, a altura de fulana?" Eu achei lindo.

Até ver a galeria das desquitadas, e o pior é ouvir a música, hoje para mim sempre a 'música da véspera' e ver em cada nota as curvas do corpo da fulana da vez, ver na letra da música os sorrisos, os trejeitos de olhar com a certeza que no dia seguinte ele romperá com ela.

Quer dizer, o que é isso? Há realmente os casos de pessoas tão devotadas à própria arte que esquecem da existência mundana para enobrecê-la. Mas não sei, não sei.

Sei de Martinha, cuja música me foi apresentada ontem, é linda. Que será dela hoje?

segunda-feira, abril 13

O armário

Eita, tempo de renascer. Mas renascer não é sair do armário, se controlem, moças e rapazes.

Estou falando de Ópera, espetáculo do coletivo Angu de Teatro em pauta até próxima sábados e domingos no Teatro Apolo, às 21:30, que aborda o universo homossexual e dá pontadas também na sua relação com a arte contemporânea.

Isso é algo que sempre me perguntei, e nunca me perguntei pouco. Existem homossexuais em todos os lugares óbvio, mas os do meio artístico são mais óbvios que os outros. Não são estereotipados, cada um é cada um, uns mais escandalosos, outros mais discretos, uns falam da própria condição, outros falam da condição dos heterossexuais com mais sensibilidade que alguns dos próprios heterossexuais, uns são politicos... enfim; mas sua presença é marcante e desperta minha curiosidade acerca do assunto.

Eu fico me perguntando coisas como - é necessário mais sensibilidade para gostar do semelhante fisiológico? Eu procuro entender o que essa distorção de orientação causa na alma da pessoa e o que nisso a aproxima da sensibilidade e fazer artístico.

E até os heteros artistas são meio homossexuais. Os ratos, por exemplo. Para uma pessoa formada nos generalismos da classe média recifense, o primeiro contato com o movimento do ratão pode parecer uma verdadeira gaiola das loucas. Com homens se abraçando, beijando e paquerando (todos, ou quase, hetero, até onde eu sei) num impudor danado. "Homofobia zero" como diria Fred Fonseca, grande ator e amigo.

Daí já passo para os reflexos da sociedade patriarcal nas classes instruídas de nossa capital. O liberalismo, os movimentos feministas e anti-homofóbicos do século terminou por estruturar famílias e tendencias de pensamento menos preconceituosas. Ainda um pouco afetadas, com cacuetes e gírias, mas menos preconceituosas.

Feliz mesmo eu fico quado tenho a presença de espiríto ou ouço alguém dizer assim "Fulando, que é namorado de Cicrano" ou o extremo oposto. Sem afetação, sem risinhos, sem gírias coloridas, apenas aceita com naturalidade o amor da forma que ele se manifesta.

Outra reflexão do espetáculo é o poder da comunidade. Certas características da classe dominante não são fortes o suficiente para uni-la em comunidade, entretanto nas classes marginais qualquer semelhança é dispositivo de união. Assim é com a orientação sexual. Os gays realmente constituem uma comunidade, com gírias, movimentos, entreterimento e visual próprios. Isso também leva sociólogos a associar o homossexualismo à necessidades de atenção, à falhas na estrutura familiar, coisa e tal. É possível, bastante possível.

Enfim é páscoa, tempo de Renascer. Sair do armário não. Renascer.