sexta-feira, março 20

Msn

Tenho meus receios com palavrão. Nelson Rodrigues mesmo, o "tarado" só foi escrever seu primeiro palavrão em um texto dramático depois de ter feito as pazes com público e censura, ou quase isso.

Mas vá lá: o msn é uma merda, é uma invenção vil, criada por um amargo, um desiludido, um inseto qualquer como forma direta de protesto ao amor.

De onde tal conclusão? Das mulheres. Talvez o leitor não acredite, mas eu nunca tomei um fora ao vivo, com todas as letras. Algumas mulheres, hábeis, já me levaram a crer que minhas esperanças eram sem futuro, mas isso são quinhentos. Já o msn não! O msn é maquiavélico, é mefistofélico, é diabólico mesmo. E eu direi por quê: Porque o msn te dá o direito de privar-se dos próprios sentimentos, o msn é anti-humano, e venenosamente desprovem o indivíduo de paixão, ternura ou bondade.

Principalmente as mulheres, filhas da maçã e da cobra, como dizem no livro. Não foi uma nem duas, mas umas trezentas vezes que vi conversas de msn tornarem-se prodigiosas DR's ou até mesmo a derrocada de um relacionamento.

E eu medroso pedindo, implorando pra Lúcia, uma tal de quem gosto muito "Lú, pelo msn não, pelo amor de Deus! Vai dar tudo errado pelo msn!" Ela, na condição de mulher, não entende. Tudo bem. Mas também não respeita, abro o msn e lá estão as mensagens, aos montes, aos milhões.

Pelo menos com Lú é diferente, entra no msn agoniada, faz uma bagunça danada para organizar os pensamentos na mensagem e me manda textos entre o cômico e o trágico, tipo "desculpa por ontem é que vc falou que não queria conversar e como eu não estava me sentindo muito bem dei boa noite saí pensando que vc tb tinha saido", logo em seguida "bom quero muuuuuuuito falar com vc mais isso vai ter que esperar para segunda feira pq eu tinha marcado umas coisas pra esse fim de semana" ainda recheia esse bolo de complicações com "passei o dia como o celular na mao pensando se devia ou não ligar pra sua casa, me enchi de coragem mas no fim das contas perdi ela enquanto digitava o numero".

Nem precisa dizer que para um rapaz pobre e vaidoso como eu isso é puro veneno no ego, mas aí vem umas coisas complicadas pra chuchú, como por exemplo "na verdade eu não sei se quero conversar, tenho medo do que voce tem pra me dizer tenho medo do que eu tenho pra dizer a voce". Isso treme qualquer um na base. E isso porque eu entrei off não sei às quantas da madrugada, que era para não ter que papear pelo msn, me borrando de medo.

Dando tudo certo segunda-feira eu resolvo minha vida romanesca. E pensando no assunto ela deveria ter ligado, passei o dia olhando o teto e esperando a ligação...

Mas ela é excessão da regra. Só nos últimos seis meses vi duas conversas por msn se transformarem num completo caos e uma delas me levou às lágrimas. Vou contar o caso, ele merece ser contado.

Me apaixonei pela mulher mais triste do mundo, Isabel Araújo. Eu queria mesmo era dar meu sangue por ela. Eu queria tirar satisfações com o ex-namorado, queria fazer do melhor amigo dela um novo irmão, queria que ela ganhasse flores todos os dias de sua vida. Enfim, queria todas aquelas todas as idiotices do amor, e nunca me senti tão bem sendo idiota. Mal abria os olhos, já começava a cantar, e minha mãe me disse que eu estava cantando bem (isso não acontece, nunca). Chorava de saudades por causa de um dia, contava segundos, coisa e tal. Ela dizia "Diogo, vou te magoar" e eu, cego "Vai nada, bom mesmo é sofrer por você!" - Mas ela não me deixou, ela me procurou e me beijou e me beijou de novo e ia continuar até que... Ela veio falar comigo no msn. Parece piada, mas o leitor é capaz de deduzir o resultado da valsa. Eu nunca entendi isso, e acho que nunca irei.

Eu não menti, sofri por ela cada segundo, sofri até não ter mais sofrimento no meu peito para sofrer. Me enchi de trabalho para esquecer. No último dia de carnaval, me iludi para sofrer. E só quando não havia mais sentimento para sofrer e eu me encontrava completamente vazio, desumano; pude começar tudo de novo.

O jeito é esperar que Lúcia seja uma moça diferente, mas ainda assim tenho medo do msn.

Ou talvez no final o que me assuta não seja o msn, sejam as mulheres mesmo, estandartes do divino e do profano.

O Prédio na Torre

O ratão, boemia emergente dos bares do Recife é, além de tudo, um movimento artístico completo, que por hora contempla música, artes plásticas e literatura nas atividades de seus membros.

A música é representada pela banda Alegoria, ilustre anônima, composta por Túlio Albuquerque na voz e violão, Joca no cavaquinho, Basílio Queiroz no contra-baixo, Caio Rocco na guitarra e Alcides Cursino na percussão. O repertório é de MPB voltada para o samba, tudo com um gostinho da terra "Diogo, eu escrevo as letras e encho de metáforas para falar com beleza das coisas simples da vida" Frase de Túlio, por hora o principal compositor. Frase que eu acho linda e muito delicada. Pedro Augusto também é músico, mas se comparado à banda, muito mais marginal, muito mais caótico. Pedro é por vezes, junto de Onirê, nossa bandeira, o símbolo que seguimos.

Nas artes plásticas temos Ianah Maria, a rata musa. Moça de muito talento, faz faculdade de animação na aeso e é a responsável por quase todas as imagens ligadas ao ratão, desde futuros encartes de CD à futuras bandeiras do movimento e futuros projetos gráficos para meus poemas.

Falando em meus poemas, na literatura o responsável pelo ratão sou eu, que faço o possível para nessa coluna exibir a quem interessar possa, nossa visão da vida, do mundo e do amor, entre tantas outras coisas.

Estou enchendo linguiça, é verdade. Hoje precisaria do terreno baldio e da cabra vadia para escrever alguma coisa. Hoje estou inconfessável. Mas vamos para amenidades então.

Fiquei sabendo que Bruna Barros, musa do ratão... Um momento, pronto, vou falar de Bruna Barros, musa do ratão.

Não posso falar dela sem falar de sua residência. Ela mora num prédio, assim assim, na Torre. O prédio é famoso por ter sido palco de grandes momentos do ratão, principalmente no que tange o salão de festas e a piscina.

Os ratos, depois das festas na cidade, bêbados de doer e sem tostão no bolso, por vezes pedem penico e abrigo no prédio de Bruninha, relativamente próximo. Assim dormem todos, suados e bêbados, em baixo de uma churrasqueira num ladrilho sujo.

Já tive algumas experiências em dormir ali, e garanto que não é nada agradável, o que nos salva a todos é a companhia. O prédio também foi palco da festa de aniversário de Pedro Augusto, no dia da segunda fase do vestibular. Todos doidos, desesperados para desopilar, jogamos futebol no campinho numa partida histórica entre ratos x ratas, onde presenciei coisas que só se vêem uma vez na vida, como Túlio correndo (sim!) Onirê driblando ou eu me aproximando de uma bola de futebol, depois de não sei quantos anos.

Destaque para Ianah, que marcou um gol por entre as minhas pernas. Também foi nesse dia que a conheci e com certeza ela já entrou familiarizada com os preceitos do rato (Pedro ensinou): Veio não sei de onde, junto de ninguém e para ficar. Amém.

A festa começou sem o aniversariante porque a Vodka chegou antes. Assim estavámos todos relaxados quando Pedro entra gritando "Eu fiz a caminhada do ratão! Eu fiz".

O que é a caminhada do ratão, o leitor pode se perguntar. Existem variáveis, mas é um processo místico, onde um membro do movimento, notavelmente bêbado e sozinho faz uma longa caminhada por lugares estranhos e perigosos. No caso de Pedro, do Detran à Torre.

Depois do grito ele se atirou na piscina e me beijou. Onirê se atirou depois e antes que houvesse uma orgia homossexual, o porteiro do prédio apareceu, com seu uniforme solene de porteiro de prédio e expulsou todos da água.

O porteiro do prédio de Bruna também é história para mais de metro, mas essa fica para amanhã, se eu lembrar.

Bem, molhados, bêbados e decididamente sem clima de olhar para Bruna, a residente do prédio, puta conosco. Fomos eu, Ianah, Pedro e Marina, uma que foi e não mais voltou terminar a noite queimando guardanapos numa pracinha abandonada da Torre.

E isso não é nem o começo das histórias do prédio. Se a churrasqueira falasse...

Ratão

Antunes filho na cidade

Então, breve agenda, a quem interessar possa

São 80 anos de idade, sendo 60 dedicados ao teatro. Esta é a vida de Antunes Filho, um dos maiores ícones culturais do Brasil. Para celebrar, será realizada a mostra O Universo de Antunes Filho, com palestras, oficinas, exposição e, é claro, peças teatrais. A mostra se inicia no Recife, entre os dias 21 e 29/03. Destaque para “Vapt-Vupt: A Falecida, de Nelson Rodrigues”. Para quem estranhou o “vapt-vupt’", trata-se do modo que o encenador escolheu para mostrar a rapidez da vida. Este ano também é o do trigésimo aniversário do espetáculo Macunaíma, marco teatral brasileiro. Dá uma olhada na programação completa do Universo de Antunes Filho no Recife:



* Espetáculo - Foi Carmen
Período - 21 e 22 / O3 (20h)
Local – Teatro Santa Isabel

* Espetáculo Prêt – à – porter – Coletânea 2

Período – 24 a 26/03 (20h)

Local – Teatro Hermilo Borba Filho

* Estréia Nacional do Espetáculo “Vapt-Vupt: A Falecida”

Local – Teatro Armazém 14

Período - 27 a 29 /03



* Exposição Universo de Antunes Filho

Local – Torre Malakoff

Período - 21 /03 a 22 /04



* Ciclo de Palestras

24 a 29 de março – 15h, Teatro Apolo

- 24/03

“Territórios Poéticos de Antunes Filho”

Tema: Abordagem teórica aos processos estéticos desenvolvidos por Antunes Filho no CPT – Centro de Pesquisa Teatral.

Palestrante: Sebastião Milaré

- 25/03

“Poética Sonora”

Tema: O desenvolvimento do designer sonoro no CPT, dos anos 80 à atualidade. Haverá também a leitura de um comunicado sobre iluminação cênica no CPT, feito por Davi Brito.

Palestrante: Raul Teixeira

-26/03

“A Poética do Espaço”

Tema: O Núcleo de Cenografia do CPT – história, processos estéticos, dinâmica, realizações.

Palestrante: J. C. Serroni

- 27/03

“Imaginação Poética”

Tema: O Núcleo de Dramaturgia do CPT – história, dinâmica, conceitos, obras.

Palestrante: Paulo Santoro

- 28/03

“Revendo Poéticas”, dia 28/03

Tema: Uma das principais figuras do teatro pernambucano fala sobre os 30 anos da estréia de “Macunaíma”, expondo a importância do evento na História do Teatro Brasileiro.

Palestrante: Antônio Cadengue

- 29/03

“A Poética Rodriguiana”, dia 29/03

Tema: Dramaturgo pernambucano contextualiza “A Falecida” na obra de Nelson Rodrigues, comentando a versão encenada por Antunes Filho.

Palestrante: Moisés Neto

quinta-feira, março 19

Quantas famílias

Perdi o celular sábado agora, coisa interessante como ele se perdeu.

Estava num ônibus Piedade / Derby, 011, da Borborema, pelas duas e pouco da tarde, mandei de dentro do ônibus uma mensagem de texto para Túlio do celular avisando que teria que suspender a cachaça por conta de um ensaio e pus no bolso.

Logo que desci do ônibus, em frente ao Memorial São José, na Agamenom, quis pegar o celular para ver que horas eram, e, ora vejam, o celular não estava mais lá.

Pensei "caiu do bolso quando eu levantei". Essa linha dá a volta um pouco depois da praça do Derby e volta para Piedade, então corri ao outro lado da Agamenon e parei o ônibus, falei com o motorista e ele permitiu que eu subisse e inspecionasse os bancos. Nada. Falei com os passageiros, pedi, supliquei, etc. Nada.

Desci do ônibus desiludido com a bondade humana. Fui até a Galharufas, produtora cultural na rua do Aragão onde ensaio e chegando lá, quinze minutos depois de ter subido no ônibus, pedi para um amigo emprestar o celular, liguei para o meu e não me surpreendi ao constatar que ele já estava desligado, bateria para um canto, chip para o outro e eu sem nada.

Idiota o ladrão, o chip era pós pago e eu só cancelei as oito da noite, quando cheguei em casa. Se ele afoito não tivesse depenado logo meu aparelho poderia ter falado à vontade as minhas custas.

O que surpreendo é que aquele aparelho não vale nada. Não tem funções legais, como câmera, tocador de rádio ou MP3, não tem cartão de memória, não tem nenhum serviço de conectivdade habilitado. Seu maior atrativo é um display colorido, e só. Sem falar que a aparência dele é bastante surrada, já que não tenho muito cuidado.

Mesmo assim alguém o quis. Devia estar mesmo precisando.

Entretanto agora, dia dezenove, experimento a exclusão. Exclusão tecnológica e financeira. Estava almoçando com minha família e mainha comentou "Diogo, pega o número de Roberto e liga do meu celular" eu "Roberto é dos poucos que ligo só para falar bobagem" meu irmão completou "Ianah também tu liga para falar besteira"

Pensei "é mesmo" E que saudade deu de Ianah! E de Roberto França também, professor de línguas do CAC, solteiro procurando gatinha manhosa, interessadas favor procurá-lo. Inclusive ele fez anos ontem, meu grande abraço por escrito.

Mas não apenas Roberto França, mas Ianah Maria, Basílio Queiroz, Túlio Albuquerque, Pedro Augusto. Essa breve exclusão tecnológica aliada à minha outra breve, porém cortante exclusão financeira (até mês que vem estou mais duro que pinto saído da prisão) me isolaram dos ratos, minha grande família, de quem agora tenho saudade.

E umas gotas de remorso. Cidoca (Alcides Cursino, percussionista da Alegoria, a próxima banda que todos desejarão escutar) faz anos sábado, não sei se poderei comparecer, preciso sentar com Basílio, com Túlio, com Pedro.

Até Bruna Barros, galega linda dos cabelos cacheados, cujas minhas desculpas jamais bastarão, mandou um recado me procurando. Minha família me chama. E eu trancado na ausência de celular, dinheiro e tempo.

Tempo também, essa história de atuar é muito bonito, mas não é café pequeno. Agora isso já fica para próxima crônica, depois que começo a escrever não paro e preciso ir ao SESC (ora veja) trabalhar.

quarta-feira, março 18

Hoje não tem crônica, culpa do sesc

terça-feira, março 17

Galã não tem cor

Melhor escrever logo de manhã que é para não madrugar pensando no texto. Falando em pensar, surpreende como coisas simples, em teoria - como uma cena, dois atores, umas dez falas para cada lado - pode se tornar uma sombra te assombrando.

Vou falar de Anjo negro, tragédia de Nelson Rodrigues escrita em 1946 e encenada pela primeira vez em 1948. Conta a história do negro Ismael, que se odeia aos extremos mais violentos por ser preto. Viu a mãe preta trocar um marido preto por um branco, torturava o irmão branco de criação, Elias, com um chicote, como se ele fosse um escravo e depois pingou ácido em seus olhos para que ele não enxergasse, tornando-se o verdadeiro profeta cego.

O irmão tornou-se maltrapilho, a mãe está entrevada e Ismael é médico, sempre vestido à Panamà, em seu armário, as únicas roupas que existem é uma extensa coleção de ternos Panamá - tudo para ser mais que os brancos, tudo por orgulho, afirma seu irmão.

Além de médico é casado. Uma viúva cuidava de quatro filhas; todas feias e solteiras, menos a caçula, que estava para casar; e uma sobrinha, Virgína, branca como a neve e linda.

O noivo da caçula gostava mesmo é de Virgínia e Ismael também, mas Ismael é negro. Belo dia Virgínia e o noivo cruzam sozinho o corredor e ele a beija, definitivo, enquanto escorre sua mão por entre o vestido dela.

A tia vê tudo, o noivo foge, a noiva se suicida e Ismael é convidado pela tia, ardente de vingança, a subir no quarto de Virgínia durante o velório "deixa que ela grite, deixa ela gritar"

Ismael estupra a mulher todas as noites e com ela tem três filhos: todos homens e negros, que Virgínia mata para não perpetuar a cor. Ismael os isola, ninguém entra, ninguém sai, existem apenas os dois. Até o dia em que Elias, seu irmão cego e indigente, volta para amaldiçoar a todos.

A história é forte o bonita, mas o que realmente surpreende é que o espetáculo foi censurado numa época em que se dizia "no Brasil não há preconceito", nem oito, nem oitenta, como diria minha avó.

Mas pior que a censura, que foi vencida em questão de meses, foi que o primeiro ator a representar Ismael, na estréia do espetáculo, Orlando Guy, é branco como floco de neve. "Mas como branco se Ismael é negro?" pergunta o leitor. O que acontece, é que até dia desses, teatro brasileiro 'sério' não tinha negro no protagonista. Na mais completa abjeção, os 'artistas', adeptos ao 'livre pensamento' não acreditavam que um negro tivesse a intensidade dramática de um branco. Ora veja.

Mudou? Nem tanto. Em toda a dramaturgia da Rede Globo, não há um protagonista negro. Suzana Vieria, quando fez a nordestina, para ela ser morena, tinha que ser nordestina, ora veja, e usar aquele sotaque que, me pordoe, é de muito mal gosto. Taís Araujo, para ser a mocinha de 'da cor do pecado', precisou que no título se dissesse que sua cor de pele é pecaminosa, ou que ela viesse da Bahia, porque simplesmente não se pode crer, é assaz inverossímil uma preta com habilidade dramática carioca, por exemplo, quase impossível.

O preconceito no Brasil é cultural, e por mais que perca espaço todos os dias, continua escondido nos cantos mais profundos da alma. Pregando peças em nossa mente.

segunda-feira, março 16

O mentiroso

Sei que são duas da manhã, mas já que não dormi, no meu relógio biológico essa ainda é a coluna de segunda-feira, o dia ingrato.

Primeiro, se não deixei claro aqui ainda deixo agora: todo o conteúdo do blog é mentira, me inspiro em fatos e acontecimentos reais e invento à vontade. Meu principal objetivo é fazer folclore com as pessoas que me cercam e exibir um olhar crítico sobre a sociedade que me rodeia.

Dentro dessa liberdade que comparo um curso técnico para atores à um "big brother" ou chamo algumas mulheres de "bruxas da aparência"

Pingo posto no i, convenhamos que nada melhor que uma boa mentira para dizer a verdade. Existem coisas inconfessáveis, e o apelo, o charme o blog é a confissão pública, ainda que mascarada nas metáforas, ainda que justificada nas mentiras.

E dessas conclusões vi que é preciso coragem para escrever o que se pensa. As palavras ditas são fogo de palha - queimam e apagam - mas o que registrado for ficará como um fantasma para te assombrar, não importa quantas palavras cubram a primeira.

Por isso que devo me atacar e ser o mais sincero possível, principalmente quanto à meus deslises. Os jargões da moral burguesa me e católica regeram minha vida como leis do universo, e ainda que me faltem experiências para a maturidade, as consequências de meus atos bateram tão rápido à minha porta que mais pareceram reações.

Compliquei? Descomplico - Tentei fazer sexo sem amor e falhei antes mesmo de começar. Tentei um relacionamento aberto e assim que apareceu a segunda fugiu a primeira. E fui sincero o tempo todo, ouviu? Nunca menti para nenhuma sobre a outra. 'O golpe é mentir, o golpe é enganar', dirão o cínicos, mas não há maior solitário que o cínico. O golpe é amar, e esse é bem mais difícil.

E a única que amei, a única, agora está longe. Mas na época a separei por medo. Assim como um amigo querido "quis conhecer mais vida além do amor" e tudo que vi foi desilusão. Sou um amargo.

domingo, março 15

Energia Solar

Estava vendo o auto-esporte, na globo, enquanto comia pão sovado com Nescau. Eles fizeram uma reportagem sobre o salão de Genebra e durante a reportagem algumas alusões interessantes sobre como o mercado automotivo reagia à crise mundial.

Outra coisa engraçada é como nos Estados Unidos, eles chamam o saque de crise. Vender por preços inexistentes e cobrir empréstimos com empréstimos, quebrando os bancos, é roubo e saque. Mas já que todo mundo (importante) fez é crise. Bonito. Nós, brasileiros, roubamos, é verdade, mas pelo há sempre alguém para nos acusar com a verdade: Ladrões, corruptos. No topo da humanidade, nem isso.

Enfim, o auto-esporte, pendurou o slogan, quase gritou para o público com a voz do locutor de enquanto exibia uma lamborghini amarela e possante "o mercado responde a crise com novidade" e o diretor executivo da ferrari dizia "a solução é produto novo no mercado".

Babei minha mesa com o Nescau. Parece piada que tudo em que as montadoras pensem é em produzir mais sucata em plena queda do império do petróleo. Dos modelos apresentados apenas um era flex, que convenhamos, não é nenhuma novidade para os nacionais, apenas para os importados. E mesmo assim a uso de álcool ainda não é nem metade do que pode vir a ser uma solução.

Do Pina em direção à Agamenon passa-se por um viaduto que dá vista para um ferro velho de carros, perto da AACD. Passei por lá pelas três da tarde ontem e o eram tantos carros entregues às traças que pela janela do ônibus o Sol parecia desenhar estrelas nos capôs.

Isso e o marcado querendo novidades. Querendo, desesperadamente, nesses tempos de saque (ou crise, o leitor escolhe) vender, não importando o quê, para quem ou quanto. Desta forma, a montadora não é melhor que um fabricante de armas enfiando semi automáticas nas mãos de crianças.

O mercado automobilístico existe há pouco mais de um século e é algo que não vai cair tão cedo nem tão fácil, surgiu e inventou a era do petróleo e o padrão de vida das classes dominantes nos dias atuais. Entretanto, com a derrocada do petróleo, já que a transição é tão delicada e terá de ser lenta. Já era tempo dos fabricantes começarem a pensar no assunto e apresentar soluções conscientes.

Não se pode trocar o transporte da noite para o dia. Carros movidos a energia elétrica existem desde dos anos noventa ou até antes. Ontem no Discovery vi um protótipo que faz 0-100 em quatro segundos, é quase um esportivo, dependendo unicamente de energia elétrica. Já é tempo de algumas montadores porem esses protótipos no mercado, de alguns postos oferecerem abastecimento elétrico.

Quem não quer? As petrolíferas. Pensem, a Petrobrás manda no Brasil. Financia mais que alguns bancos e principalmente, paga muitas das contas do governo. Os principais politicos do pais tem ações da Petrobrás, nada mais inteligente, além defazer da privatização uma grande piada. Então as montadoras freiam.

Trocar de montadoras, inviável. No nordeste há menos, mas vim de São Paulo e sei como cidades inteiras nascem e morrer para abastecer uma montadora. A dependência dos carros e do petróleo chegou à tal égide que não é a montadora que abastece o mercado, é o mercado que abastece a montadora, a montadora abastece a petrolífera e ambos abastecem milhões de pessoas e a economia de paises inteiros.

Durante a troca do petróleo a briga no oriente médio precisará de outras desculpas e o mercado armistício dos Estados Unidos principalmente, precisará de outro cliente, o que será difícil e legamente mais caro.

Eu poderia passar o dia pintando esse quadro mas acho que dei as noções gerais. Ao curso de nossa história surgiram mecanismos venenosos de poder. O resultado são os verões que mataram inocentes na Europa anos atrás, o aumento do nível do mar (olhem a praia de recife) o flagelação da saúde dos habitantes de qualquer centro urbano e uma sociedade viciada, dependente de um mecânismo que vai ruir - o que nos resta é decidir se vamos ou não afundar no barco. E aí faço meu apelo para as montadoras, para as petrolíferas e para os que estudam a energia do Sol e organização sustentável. Está na hora de começar as mudanças, e fazê-las de forma a não causar grandes rombos mas o mais rápido para que salvemos nossa triste existência mais algumas gerações de seu fim.