segunda-feira, novembro 9

Ode à mulher vanguardista

Mulheres, montanhas de pele
Encarnada, encantadas
Qual o quê? Desgraçadas
Que a tragédia as aguarda
A tragédia da indiferença
A tragédia de não saber, de não ser
E sexismos nas costas, de duas guerras
E muito trabalho, malditas sejam
Suas lágrimas, perdição do homem
E mais ainda da raça
A doce maçã vitimada na cobra
Na mãe Joana, tem muita mulher
Afogada na lama, a luxuria do duplo
A beleza das camas, as cores vibrantes
Da cobra e do peixe as escamas
Do urucum a imagem
Das ancas, das saias
Se saia! Mal chega e esvoaça
Com a ponta dos saltos
Derruba esta casa
E a boca matraca fuxica galinha
Não pára
Não cála
Só fala e fala e fala e fala e
Estraga e amarga
Num beijo estranho de língua afiada
Tal faca, mulher, tua língua
É aço de navalha
É pura soda cáustica
O fim absoluto de toda masculina
Lógica