Três balões
Um balaustre
Em homenagem
À cidadãos ilustres
Do lixão
Lixei as unhas
Nas manicures
Para as colunas
Tintura e lustre
Da profissão
Joguei no lixo
Luz amiúde
Da minha fossa
Tem quem me busque
Na escuridão
Soltei no espaço
As plenitudes
Planei no vento
Caí no Louvre
Não tinha chão
Toda essa arte
Tem quem a use
Se as rejeito
Tu que abuse
Da podridão
Perdi os dentes
Não me açuque
Vazei contente
Pelos açudes
Da plantação
Não me entendem
As mendicantes
Viver na Terra
É o céu de Dante
Demente cão
Cansei do verso
De riso errante
Rasguei cadernos
Um claro instante
De ilusão
Tão lasso e belo
O céu cortante
Sereno elo
Dos navegantes
Coa criação
Crê no exército
Luar berrante
Éramos cegos
E retirantes
Do coração
Mas no erguemos
Pelas estantes
Arranha o cello
Tão dissonante
Acordeom
Entre elementos
Dos elefantes
Lembrei dos egos
E os amantes
Enfrentarão
A dor dos morros
E dos tenentes
Mas tentei tanto
Tentei somente
Ter tua mão
Brindei os dias
De reis ausentes
Quantos critérios
Nos dão semente
E irrigação
Pede aplauso
Pede contente
Coa dor que marca
Como corrente
Esta prisão
sábado, janeiro 2
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