sexta-feira, janeiro 15

Amor Amado

Para Mara e Florbela

Quero amar, mas quem?

Quero amar ninguém
Quem amar não sei
Amor se foi, não vai
Amor se foi, não vem
Amor pra quem comprar
Amor pra eu te vender
Amor pra dar não tem
Pra quê amor, meu bem?
Amor pra te chorar
Amor pra se sofrer
O amor vai calejar
E te fazer refém
O amor endureceu
O amor entardeceu
E a luz não nos retém
O amor já se esqueceu
Dos filhos na FEBEM
O amor não reza missa
O amor não fala amém
Amor não tem mais dono
O amor é terra infértil
É o homem é ébrio
E não faz bem

domingo, janeiro 10

Declaração

I.
Por uma estética do vício
Pela rima em ruínas
E o pileque do verso

Por um poema dose
Aguardente e conciso
Pelo reverso e o porre

Mais outra, mais outra, outra mais
Até no lírio
Desabrochar o câncer e a cirrose

Pela palavra embriagada
As cinzas do belo
Para as matáforas de sarjeta

Por um vômito da forma
Indigesta e amarga
Por uma métrica em refluxo

Para o verso político
Sincero, ousado
E agressivo

Por um poema
Que dê a cara à tapa
E apanhe de olhos abertos