sábado, abril 11

Páscoa

Amanhã não tem crônica, é páscoa. E hoje um poeminha para Deus e para a mulher amada, figuras importantíssimas nessas datas religiosas.



Prece para que ela não diga que me ama

Senhor,
Permita que ela não fale
Que as palavras não se formulem em sua boca
Na língua vil e negligente dos homens
Não deixe que as notas de sua voz
Se tornem símbolos, convenções vulgares
Meu Rei,
Mantém em seu canto o que há de divino
Guarda em sua voz a nota do mistério
O timbre do mítico, do inexplicável
Pois meu Lorde
O amor que ela me dá
Amor assim não se fala
É um amor que se faz
E ainda que as palavras trinquem
Seu amor irradia da pele e entra nos póros
E sinto que ela me ama
Pois o amor está no grito de seus olhos
No sabor de sua pele
Na força de suas gengivas
E no perfume de seus beijos
Portanto meu Deus
A mantém calada
Para que eu nunca saiba do amor que me tens
Mas o sinta como eu sinto ao Sol, à chuva
E à todas as outras sombras de Tua existência
Em minha vida

Amém

sexta-feira, abril 10

A esquisita

Nada mais estranho que Mallu Magalhães. O mundo cult é um fenômeno estranho, que promove pessoas como ela, João do Morro, DJ dolores e tal. Não são artistas ruins, dentro da minha concepção do universo, vejo como artistas de talento duvidoso.

A verdade é que não são artistas acabados, exceto João do Morro, que está acabado e fala para as massas, na verdade o curioso é sua adoção pelo mundo cult, provavelmente o principal motivo disso seja o produtor dele ser o mesmo de Cordel. Simples assim. Mas no geral o mundo cult, na ânsia de promover suas idéias tem promovido artistas imaturos, pois o mundo cult é um mundo imaturo.

Comecei essa reflexão ao assistir um vídeo de Marcelo Camelo, outro idiota cult, explicando sua relação com Mallu. Me perdoem pelo tradicionalismo, não é uma questão de bagagem cultural, o homem é culto. É uma questão de idiotice mesmo. O aclamado vocalista dos los hermanos (muertos) não soube falar, expressar suas idéias de maneira coesa e lógica, falava o tempo todo "porque a parada com Mallu... E o lance de Mallu..." viesse do morro nos anos 70 Marcelo?

Sem falar que é ridículo, o relacionamento deles não mostra que Mallu é uma criança, assisti a entrevista dela com Jô Soares pensando "Deus do céu! Jô vai comer essa menina viva, ela não sai daí com vida" Me enganei, a menina é surpreendentemente espontânea e adivinhem... Uma menina; uma menina que colocou as músicas na internet. O resto foi circo da mídia e uma família bem relacionada. Chico Buarque vazia músicas na idade dela, Vínicius de Moraes vazia música. Mas no tempo deles não tinha Internet, nem circo da mídia. Só famílias bem relacionadas e com valores o suficiente para esperar a maturidade do artísta antes de atirá-lo aos leões e aos cornos carentes.

Se eu estou dizendo que Marcelo Camelo é corno? Vejam por esse ângulo - o homem é, depois de Reginaldo Rossi, Wando, Fagner e afins, o maior cantor de dor de cotovelo do País. Mas os nomes que citei antes são maduros, tiveram seu tempo para sentir no fundo de suas almas a mais completa depreciação e decadência de suas ilusões amorosas. Marcelo não chegou nem na metade do caminho e já saiu choramingando. Além de praticar abertamente a pedofília.

Na entrevista ele falava justamente isso sobre os diários da Maluzinha "Tipo ela escreve coisas muito parecidas com a do meu amigo, que é poeta, só o que ele escreve tem valor porque ele é casado e duas filhas" Ele diz como se isso fosse ruim. Não é. Mallu é um gênio? Talvez. Para mim ela é apenas uma cópia muito bem feita do Dylan e do Cash, outros fenômenos cult, mas do gênero da ressurreição esses dois.

O fato é que quem dirá é o tempo. Promovê-la assim de imediato é o pecado da antecipação, mal muito comum de nosso mundo e péssimo filtro para o verdadeiro motivo da arte: A sensibilidade humana

Feliz páscoa a todos

quinta-feira, abril 9

Ode ao Túlio

Hoje é aniversário dele, então vou publicar um poema que escrevi em sua homenagem uns tempos atrás:

Ode ao Túlio

Tulinho

Meu Túlio
Meu Lírio
Chama o mundo
Vamos juntos
Sair sexta-feira

Túlipa
Somos jovens
E chove demais
Demais para ter medo
Demais para prendermos
Nossos executores
Deixemos uns aos outros
Morrermos em paz Túlio
Deixemos
O mundo é velho demais
Para deter-nos

Tu Lio
Lenga lenga
Que preguiça de viver
Que medo de ser tarde demais
Mas nunca foi cedo Túlio
Então adeus
Um abraço apertado
Ou uma carrera de doido

Um rato pelas ruas
É um rato morto
Temo, Túlio

E, Túlio, a torre
Está sem Rapunzel
Que azar da porra
Eu largar Fulana
Quando Cicrana quase largou o namorado
Por você
Mas tudo bem, encontro à quatro
Comigo mais tu
Terminaria de quatro

Túlio etílico
Chama todo mundo
Vamos beber na sexta
Vamos pro antigo mesmo
Ninguém tem pronde ir
Mesmo

Túlio nicotino
Cadê o cigarro? Cadê lola?
Ou Maria Joana? Pra quem tinha medo
Você me saiu um viciado
Mas vício maior
Que os mil cigarros fumados
É quem fumando
Se mata ao teu lado

Seu tu Lio Narciso
Que entra nas calças
Com as pernas
Mas deixa o ego
Sem regras
Vamos embora, sem regras
Nem os erros são errados
Então erra
Mas chama todo mundo
Pra beber e fumar
Nessa sexta

Es(Túl)p(i)d(o)

Sinto, logo existo

Capoeira que é bom não cai, e se um dia ele cai, cai bem. Já dizia o poeta. Perdi minha boina. Isso não se faz, não é Onirê? Pois me surpreendi ao constatar que nosso filosófo é também um punguista. Nada mais marginal que um pensador, já dizia minha avó. Vou reavê-la, espere e verá.

Pois fiquei com o cinto dele, como objeto de barganha na troca, descobri ontem, entretanto, que ele fica mais que folgado em mim, deveria ter suspeitado desde o princípio, pela diferença de nosso buchos, mas azar, azar.

Li o livro que Túlio me emprestou "Crônica de uma morte anunciada" do Gabriel García Márquez e aconselho seriamente aos meninos da Nassau lerem o livro. Já que a própria estética que eles adoram não condiz em absoluto com a do livro.

Entre os elementos que o autor trabalha no campo estético, e que podem ser defendidos na produção de um curta-metragem, se encontram:

- O narrador completamente distanciado da ação narrativa. Assim, é preciso explorar dentro da linguagem visual a reprodução desse fato, provavelmente com um protagonista que não é protagonista coisa nenhuma ou uma câmera objetiva em terceira pessoa. Isso é com vocês.

- O resgate da história pelos envolvidos. O livro é uma ficção que simula o trabalho jornalístico, possivelmente o motivo de sua escolha para esse trabalho. Portanto o curta deveria de alguma forma procurar contar a história a partir da reconstituição dos inúmeros pontos de vista que a permeiam e fragmentam. Sem dúvida o principal recurso formal e estético do livro.

- A banalização da tragédia a partir de sua revelação. Um argumento defendido à dentes pelo livro e que também seria bom se fosse pensado.

Enfim, muito trabalho pela frente meninos.

Vou sentar e esboçar essa parada, mas aqui em linhas gerais uma sugestão. Podemos combinar a metáfora de um com o desejo de promoção do outro. Ao invés de um ordinário que troca a namorada por um manequim, mostrando a maquinização da mulher, conceito do século passado, podemos banalizar plenamente nosso século XXI, um século de volta ao romantismo anos antes dos imbecis dos acadêmicos o perceberem; podemos banalizar o tempo do "sinto, logo existo" com o seguinte mote: Um músico que arranja namoradas para compôr suas músicas, quando consegue a plena expressão de seu sentimento abandona sua namorada, preferindo o ideal transposto na música. Morto e perfeito para sua alma de artista. Assim aproveitamos tudo nas devidas proporções. Mais, a ação se passa entre os relatos dos conhecidos de ambos, que já sabiam do fim do relacionamento muito, muito antes do mesmo. E o dissecaríamos pelos olhos de terceiros até que o fato fosse inevitável.

Sento para escrever em breve, se possível ainda hoje. Espero que dê certo, e Túlio podia me atender, para variar.

terça-feira, abril 7

crônica só quarta-feira, culpa do sesc

domingo, abril 5

confessionário

Coisa interessante a verdade. Principalmente a inconfessável, se gritada para todos, sem pudor algum, se torna silenciosa como um eco, torna qualquer mentira muda, e todos somos mudos.

Bem, viajei. Primeiro e muitíssimo importante, primeiro retifico todas as postagem em que escrevi o sobrenome de Ianah errado - o nome correto é Ianah Maia, meu erro, nunca mais cometo. Dois - comentarei a festa do ratão ao longo da semana mas hoje não. A festa foi um momento histórico e em respeito à todos os envolvidos prefiro checar todas as minhas fontes antes de teclar bobagens. Três - amanhã ou terça inauguro um novo blog - www.bbbsescdeteatro.blogspot.com - onde discorro dos temas do curso entre outras reflexões pertinentes, a quem interessar possa conferir.

Sem falar de ontem, mas ainda falando do ratão, a grande habilidade dos ratos é permanecer juntos. Julyana Carla - minha estrela derradeira, minha amiga e companheira no infinito de nós dois - teve seu primeiro contato com o ratão ontem e um dos comentários que ela fez foi "dá pra ver que vocês são muito de sentimento, não é? vocês se unem por dentro". Chamou a todos nós de feios, é verdade; mas falou algo importantíssimo - nosso elo é mais profundo que uma cervejinha ou sapatos que combinam. Por isso nessa longa história do rato, olhando para trás vou vendo e contando mortos e feridos, como disse bruninha na Bodega, e vejo todos vivos e unidos. O curioso é que vivendo apenas o momento presente eu não havia percebido, mas ao olhar para trás vi tantos laços trocarem de cor, de forma, às vezes se estreitarem e às vezes se afrouxarem, mas depois de ontem estou convencido que a força que nos une é maior que o álcool. Que existe o divino no nosso amor.

Quantas vezes mulheres já não trocaram de homens ou homens trocaram de mulheres, ou coisas foram ditas na hora errada mas nós continuamos e eu digo o motivo - eu me humilharia às últimas consequências por qualquer um deles, sem pensar duas vezes.

Errar erramos muito, mas pedir perdão com sinceridade é uma arte que cultivamos - Eu mesmo outro dia, ia dando uns beijinhos numa rata que não sabia comprometida, quando soube o estrago já estava feito, só faltei me matar na frente do traído para me desculpar. Levou um tempo mas fui perdoado. Outra vez saí falando da vida sexual de um para outro e fui censurado, enfim, a falta de discrição me persegue. Eu tenho a mania da exposição, da mostra.

Por isso que era preciso contar também meus pecados no blog, sem pudor. Além é semana santa, tempo de se confessar, e não há melhor lugar para isso que aqui.

Estou com uns parentes em casa - dois tios e uma avó, ficam até a páscoa, passei o almoço com eles ouvindo as histórias das bebedeiras do passado e pensando - dos que bebiam juntos, quantos ficaram? Poucos ou nenhum, foi a resposta que obtive.

Por isso, hoje faço alguns apelos

1º) me perdoem pela falta de tato com que conto tudo aqui, procurarei mais sutileza no futuro.

2º) nos mantenhamos unidos, pois para mim, o verdadeiro milagre do rato é o amor que transforma a nós, um bando de desconhecidos, numa família.

Alcides, meus parábens, sinto muito não ter ido hoje, faça muito barulho no cajon.