segunda-feira, outubro 19
prece para a noite de 17/10/09
Senhor,
Me faltam as palavras para falar da mulher amada
Mas o violão tem chorado muito, obrigado
Como se as cordas vibrassem melhor
Se as toco com os dedos melados de amor
E que melaço esse amor que me arranjasse
Senhor,
Que está difícil fazer as coisas mais simples
Trabalhar mesmo anda um verdadeiro suplício
Tudo que faço e quero é chorar nas cordas
As belas cordas da minha viola
Que por fazerem sons puros e belos
São o elo mais forte que tenho com minha amada
Que mora longe
O que é um saco!
Mas só a voz melódica da viola, somente ela
Pois não há palavra ou poema
Ou que quer que seja
Que eu possa fazer agora, angustiante hora
De inércia da mente, onde o corpo vaza
E o peito é uma bomba relógio
Que hora esse ócio!
Devia ter esperado
Às vezes arrependo por não ter adiado
Esse amor mais um cadinho
Ando tão ocupado, meu Deus!
Tão ocupado!
Que talvez não fosse hora
De ter me apaixonado
Mas agora o mal já está malfadado
E confirmado por testemunhas
E só nelas que penso
Não nas testemunhas
Mas nela nela
Nela a donzela
Nela a imagem
Repetida ao infinito da minha passarela
Aí Senhor, daí forças
Para pensar em outras coisas
Pensar em coisas boas
E produtivas
Que este amor está repleto
Em minhas retinas
Alguém deveria ter me detido
Quando todos me incentivaram
Senhor, agora, o que eu faço?
Me matar não me mato, não sou tão fraco
Mas quanta irresponsabilidade
Quanta leseira
Essa mulher, agora eu sei
Deve ser feiticeira
Aí que feitiço!
Que não penso em mais nada
Que só vejo o momento
De gritar: Amada!
Já há tanto desejada
Já há tanto esperada
E agora presente
Agora cara à cara
Face à face
Tapa à tapa
Em beijos sem fim
Aí de mim! Aí de mim!
Que ridículo, que pateta
Me sinto com dez anos de idade
Minhas experiências no amor:
Tudo que aconteceu antes
Meus versos de Vinícius
Um Gregório de Matos
Foi tudo por água abaixo
Tudo parece tão inútil
E tão infértil
Se comparado à essa memória viva e pagã
De tua saliva sabor minério
Sabor matéria e deletério
Sabor ácido sulfúrico
Lírico
Onírico
E único
Olha quanto devaneio, olha quanto discurso!
Senhor, me tira dessa fossa!
Não por mim, mas pelas pessoas
Que de mim dependem, não faço mais nada
Não lavo nem uma louça
Não leio nem um livro
Não escrevo meia linha
Que não comece com:
Amada, desejada, querida...
E diminutivos terríveis
Impensáveis!
Senhor, eu tô lascado!
Vou ouvir não vai ser pouco
Serei martirizado,
Vagabundo! Aluado! Irresponsável
E ninguém entederá, nunca
Que de todos os adjetivos
Só me interessa
O que os resume:
Apaixonado!
E por amar demais
E fazer de menos...
Pelos colegas de trabalho
Amigos
E professores
Serei crucificado.
Aí Senhor, que saco!
Esse coração apertado
Batendo com a gota
Agourento
Apaixonado...
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