sexta-feira, novembro 27

A Máquina

A máquina:
Correia
Pistão
Engrenagem
E gangrena

Sou máquina:
Forma
Fôrma
Pavio
E fogo
-
Carne
Carvão
Lenha
E forno

Fornalha
Fornece
À máquina
Mecânica
Severa

Servente,
A máquina
Me lava
Me veste
Enxágua
Enxuga
E ampara

A máquina:
Me chama
Me ama
Me esquenta
Consola
E abraça

A máquina
Tornou-se
Meu céu
Meu lar
Minha casa

Minha mãe
Meu pai
Minha amada

No centro
A máquina
Amada

Minha amada
Máquina
No centro

Eu dentro
Da máquina,
-
Fornalha

Esquentando
Entrando
Lambendo
Óleo e álcool

Correndo...
Descendo...

Do aço
Ao sexo
Do pistão
De aço
E ferro

Eu
A máquina
O sexo

Eu
Faço sexo
A máquina
Faz sexo

Eu: A máquina
A máquina: Eu

Mecânico
E certeiro,
Programa
Exato

Resete
Do senso
Da pele
E do tato

Delete
Da carne
Da crença
E do feto

Afeto
Defeito
Digito
Dejeto

De chips
De pulso
De resto

A máquina
Fibra ótica
Acetona
E fermento

A máquina
Martelo
E prego

Não pára
Pistão
Não cessa
Prisão
Não rende
Sistema,
Não pensa
A máquina
Não sente

Processa
Precede
Pressinto
O delete
Da raça

Pressinto
A fúria
Da máquina

O magma
Do aço
E do ferro
-
Fervendo
No vento
A folha
De oxigênio

Pistão
Pistilo
Sultão
Sigilo

Ser ventre
Sertão

A máquina
Da seca
A máquina
Da fome
Pistola
Miséria
Fôrma
Do espinho

Engrenagem
Circuito
Sistema

Antena
Serviço
Encaixe

No dente
Com dente
Com placa
Na placa
-
Do sino
Sinal
E ciclo
Desisto
Circuito
Circuito

Mouse
Fone
Tela
Teclado
E modem

A máquina
Escraviza
Minha hora

Minhas noites
A vida
Afora

Já foram
Nos fóruns
-
Da máquina
Nos chats
Da máquina
No msn
Da máquina
No orkut
Da máquina

Meu tempo
Jogado
Fora
No vício
Da máquina:

Escrava
Sedenta
Da carne
Do homem

Sou homem:
Humana
Máquina

Humano
Circuito,

Sistema
De pele
Osso
E tempo

Gatilho
Sedento
De verme

Programa
De código
Genético

Máquina
Corpo
E siso

Abandono
Correia
Engrenagem

Gangrena
De dente
Com dente

A máquina
Martela
Martela
Martela
E mata

Na sede
Na seca
Na ausência
D'água

No fim
Do fim:

Meu ser
Engrenagem
Gangrena
Desespero
E pó