Para quem ligo e confesso minha saudade? Para as mulheres que me abandonaram ou para as que abandonei? Para os amigos que me esqueceram ou para os que esqueci? Na verdade, entre mortos e feridos ninguém é inocente.
Não há inocência, nem trégua. Para o coração iniciado nas batalhas do amor todos os dias são dias de guerra, de luta árdua e inútil como são sempre os conflitos armados e o coração bate ao som das marchas militares se questionando se hoje é dia de morrer ou de matar.
Assim, neste quarto silêncioso e sem vida, meu coração é como o soldado já tão habituado às batalhas que só encontra paz no barulho das granadas e entre o aço das espadas. Que se entende vivo por ver a morte nos olhos, bem de perto.
Neste quarto de paredes brancas e luz fria, neste silêncio sepulcral, sinto definhar como muralhas a flor desta lira.
Como os domingos são tediosos, meu Deus! E esse telefone que não toca, esse e-mail que não chega! Queria que meus amigos entendessem que não ligo para eles porque tenho pudores de incomodá-los de meia em meia hora com minhas carências. Meus afetos, modéstia aparte, são pessoas importantes e ocupadas, tenho vergonha de querê-los só pra mim, para os carinhos que venho guardando de meia em meia hora, para toda essa saudade cá comigo, a fim de vazar.
Queria mesmo que eles pressentissem, por esses mistérios da amizade, minha saudade e lembrassem de mim. Talvez verdadeiras amizades não devessem ter pudores, e as mulheres que fiz sofrer não mais sofressem e as pelas quais sofri se arrependessem. Mas aí já é querer demais.
Vou dormir, amanhã é outro Sol.
Não há inocência, nem trégua. Para o coração iniciado nas batalhas do amor todos os dias são dias de guerra, de luta árdua e inútil como são sempre os conflitos armados e o coração bate ao som das marchas militares se questionando se hoje é dia de morrer ou de matar.
Assim, neste quarto silêncioso e sem vida, meu coração é como o soldado já tão habituado às batalhas que só encontra paz no barulho das granadas e entre o aço das espadas. Que se entende vivo por ver a morte nos olhos, bem de perto.
Neste quarto de paredes brancas e luz fria, neste silêncio sepulcral, sinto definhar como muralhas a flor desta lira.
Como os domingos são tediosos, meu Deus! E esse telefone que não toca, esse e-mail que não chega! Queria que meus amigos entendessem que não ligo para eles porque tenho pudores de incomodá-los de meia em meia hora com minhas carências. Meus afetos, modéstia aparte, são pessoas importantes e ocupadas, tenho vergonha de querê-los só pra mim, para os carinhos que venho guardando de meia em meia hora, para toda essa saudade cá comigo, a fim de vazar.
Queria mesmo que eles pressentissem, por esses mistérios da amizade, minha saudade e lembrassem de mim. Talvez verdadeiras amizades não devessem ter pudores, e as mulheres que fiz sofrer não mais sofressem e as pelas quais sofri se arrependessem. Mas aí já é querer demais.
Vou dormir, amanhã é outro Sol.