E teus olhinhos são feitos de pura melancolia
Teus lábios tem o formato de uma nostalgia
As tuas mãos a fôrma de carne da simplicidade
Se tu me abraças eu sei que é pra nunca mais voltar
E quando fecha os olhos, soluça a onda, serena o mar
Suspira no meu ouvido, teu sopro de voz que se distancia
É o fogo do afago, é o fardo do findo, é o fim da linha
O teu silêncio, prenuncio de ausência que logo se anuncia
A fome ficará, do corpo sedento cedendo às minhas mordidas
E quando eu espremo meus dedos fremindo para junto aos teus
Apartas com coragem, pois sabes que agora é a hora do adeus
Dor não tem mais volta, na portão de embarque acena a partida
Da parte que me reparte, pedaços de peito batendo na tua avenida
Cada reencontro é como se fosse nossa última vez
Desfeita nossa fazenda no amor que entreguei a você
Para G. C.