domingo, janeiro 10

Declaração

I.
Por uma estética do vício
Pela rima em ruínas
E o pileque do verso

Por um poema dose
Aguardente e conciso
Pelo reverso e o porre

Mais outra, mais outra, outra mais
Até no lírio
Desabrochar o câncer e a cirrose

Pela palavra embriagada
As cinzas do belo
Para as matáforas de sarjeta

Por um vômito da forma
Indigesta e amarga
Por uma métrica em refluxo

Para o verso político
Sincero, ousado
E agressivo

Por um poema
Que dê a cara à tapa
E apanhe de olhos abertos

Um comentário:

Trevisan disse...

Que delicia!

Você fecha sempre. ;)