O tema hoje é tempo. Um amigo pediu que eu divulgasse através do blog uma história. Essa é sobre uma mulher de posição social respeitável, Ana Virgínia, que viajou com o filho para Portugal para se encontrar com o namorado e, às vésperas de seu retorno ao Brasil e já separada do mesmo por motivos de incompatibilidade, vê sozinha seu filho morrer, tenta o suicídio e é completamente desamparada pelas autoridades portuguesas, que passam a pintá-la como mãe assassina e negam-lhe seus direitos. A história completa pode ser lida em http://www.petitiononline.com/sardinha/petition.html. A quem possa interessar leia, pois é um forte elemento de reflexão social.
A história de Ana não deve ser tomada como um caso separado, ela deve ser vista como uma representação de uma tragédia que acontece todos os dias, em condições muito piores das descritas, mas raramente documentadas. Devido à família e condição social de Ana, ela tem ao menos quem lute por ela. Quando eu li sua história eu pensei: "que bom que alguém documentou, pois quantas vezes essa mesma tragédia não se repetiu até que ela fosse documentada para que as pessoas tomassem atitudes ou ao menos pensassem no assunto?".
E não falo sobre conflitos entre países. Falo sobre abandono, quantas vezes em periferias pessoas não são abandonadas sem família e a mercê de um sistema que as ignora? Foi preciso que uma mulher de família nobre sofresse o mesmo em território internacional para que eu voltasse os olhos para o problema. Isso mostra apenas minha pequenez ante tudo isso.
Por isso o poema hoje é sobre abandono e despedida. Eu o escrevi antes de mudar-me de Petrolina para o Recife e chama-se Vou-me embora para Pasárgada (Recife):
Vou-me embora pra Pasárgada (Recife)
O tempo passa diferente quando se tem os segundos contados
Tudo passa com uma lentidão e claridade e pigmentação
Como quem bebe e seca a última gota de mel do pote
Os olhos que te olham parecem revelar
No derradeiro segundo seu brilho secreto
E sua íris parece querer fotografar
Cada segundo e cada rosto e cada medo
O presente parece indefinível
E o passado vai ganhando tons ufânicos de perfeição
O filme vai ficando em câmera lenta
E começo a ser rebobinado no portão de embarque
A nostalgia se torna onipresente e torpe
O abandono prende-se às lágrimas
As lágrimas prendem-se aos olhos
E os olhos parecem gigantes cegos
Tão grandes que não cabem nos meus olhares
Meu corpo divide-se a cada fim
E eu sinto muita falta de algo insensível
Que poderia jurar que já tive comigo antes
Só no futuro saberei que foi um pedaço de minha alma
Que ficou brincando no portão de embarque
Um pedaço de minha alma ficou para trás
Um pedaço de minha alma maior que o tempo
A história de Ana não deve ser tomada como um caso separado, ela deve ser vista como uma representação de uma tragédia que acontece todos os dias, em condições muito piores das descritas, mas raramente documentadas. Devido à família e condição social de Ana, ela tem ao menos quem lute por ela. Quando eu li sua história eu pensei: "que bom que alguém documentou, pois quantas vezes essa mesma tragédia não se repetiu até que ela fosse documentada para que as pessoas tomassem atitudes ou ao menos pensassem no assunto?".
E não falo sobre conflitos entre países. Falo sobre abandono, quantas vezes em periferias pessoas não são abandonadas sem família e a mercê de um sistema que as ignora? Foi preciso que uma mulher de família nobre sofresse o mesmo em território internacional para que eu voltasse os olhos para o problema. Isso mostra apenas minha pequenez ante tudo isso.
Por isso o poema hoje é sobre abandono e despedida. Eu o escrevi antes de mudar-me de Petrolina para o Recife e chama-se Vou-me embora para Pasárgada (Recife):
Vou-me embora pra Pasárgada (Recife)
O tempo passa diferente quando se tem os segundos contados
Tudo passa com uma lentidão e claridade e pigmentação
Como quem bebe e seca a última gota de mel do pote
Os olhos que te olham parecem revelar
No derradeiro segundo seu brilho secreto
E sua íris parece querer fotografar
Cada segundo e cada rosto e cada medo
O presente parece indefinível
E o passado vai ganhando tons ufânicos de perfeição
O filme vai ficando em câmera lenta
E começo a ser rebobinado no portão de embarque
A nostalgia se torna onipresente e torpe
O abandono prende-se às lágrimas
As lágrimas prendem-se aos olhos
E os olhos parecem gigantes cegos
Tão grandes que não cabem nos meus olhares
Meu corpo divide-se a cada fim
E eu sinto muita falta de algo insensível
Que poderia jurar que já tive comigo antes
Só no futuro saberei que foi um pedaço de minha alma
Que ficou brincando no portão de embarque
Um pedaço de minha alma ficou para trás
Um pedaço de minha alma maior que o tempo
6 comentários:
Di querido,
Tah muito bom esse poema. A sensibilidade com que é tratado o tema, gostei bastante desse.
Parabéns!
Estou emotiva hoje. As lágrimas quase mancham meus olhos, pelo seu poema!
bjs
Lina
Diogo!
Q coisa mais linda de vc!
Um pedaço da tua alma é maior que mta coisa, inclusive que o tempo!
Bjos
oO
Veeei
Vc se superou dessa vez!
Antes de tudo obrigado, pq eh um caso terrivel, e quanto mais gnt ficar sabendo dele melhor
So queria acrescentar que la no site q diogo postou, tem um abaixo assinado q a gnt ta fazendo pra pressionar o governo a trazer ela de volta pro Brasil...
Mas do jeito q anda, num vai dar em lugar nenhum...
Quanto ao texto, de todos os que eu li, foi sua obra prima!
Exelente!
coisa triste é o abandono...
fiquei mal depois de ler a história dessa mulher, dá uma dor no coração...
Rezarei por ela.
Sobre o seu poema, gostei como sempre... Descreveu bem poeticamente o q todo mundo, eu acho, sente antes de despedidas...
beijo.
Aff, isso me deixou sem palavras.
E com todo meu sentimento nas mãos.
Interessante..
parece que saudade e despedida causam sempre as mesmas sensações, mesmo em pessoas diferentes.
:)
Beijos, querido.
Vamos embora pra pasárgada!
Obs: E que a pasárgada seja Pasárgada, e não recife.
:D
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