domingo, abril 19

No dia seguinte

Somos cínicos emocionais. Conceito do novo século, se o século XX será lembrado como os cem anos da velocidade absurda, do liberalismo e mecanização de nosso ser emocional. O novo século ressurge resgatando o valor do sentimento, relegado ao segundo plano, mas juntando-o com as 'asinhas de fora' que ganhamos anteriormente. Afinal, é difícil pensar em amor e moral como pensávamos antes da queima dos sutiãs, da eleição de Obama e coisas parecidas.

Isso porque somos todos uns antigos, quando digo todos, me refiro logicamente aos ratos. Túlio mesmo, é tão antigo que digita no teclado catando milho, quer dizer, feijão, acabo de ser informado que no sudeste se cata milho e nordeste feijão, ou fava, ou o que for.

Enfim, não dá pra dizer que quem ouve Chico Buarque nos tempos de João do Morro é um antenado, deixamos esse legado para os mangue boys. Não tenho certeza se fazemos por bem ou mal, mas às vezes somos verdadeiras personagens de "Álbum de Família" de mestre Nelson. É um tal amor que fulano que estava com cicrana ontem, hoje conheceu Beltrana, e levou ela para casa no meio da favela de Candeias, tão excitado que teve que dormir com ela, nem que fosse por uma noite.

Ou então às vezes estamos perdidos, sem ter quem amar - além de todo mundo, mas amar todo mundo também cansa - e temos que olhar para quem está só e dizer coisas como "Seu cabelo é tão volumoso" e beijar, como quem não tem mais amor para conter, como quem precisa se dar.

Onde está o cinismo? No dia seguinte contar tudo a todos, sem pudor, aí temos um traço do cinismo emocional; No dia seguinte olhar para todos com a cara mais lavada do mundo, fingindo que nada aconteceu; No dia seguinte voltar para a casa de antigos amores e passar horas lá, enquanto chove, fingindo que nada aconteceu.

Por quê, meu Deus, por quê: Como amar a todos amando um de cada vez? Por isso somos cínicos emotivos, por isso Chico Buarque vem nos salvar, de vez em quando pelo menos.

P.S - Dentro da nova proposta (ou propósta) comunitária do blog, essa crônica é escrita e assinada por Bruna Barros e Diogo Testa.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ain,comomeu cabelo tá volumoso hoje. Espero que alguém me agarre. =xx OIJAEOIAEJOAIEJOPAEIJAOEIJAEIUAEAE
Cinismo emocional. Nem pra tocar no assunto, porque tocar no assunto já é tirar a liberdade do outro, é andar muito rápido com as coiass. Sei lá. Pelo menos, que dê sinal de vida no dia seguinte. xD