Eita, tempo de renascer. Mas renascer não é sair do armário, se controlem, moças e rapazes.
Estou falando de Ópera, espetáculo do coletivo Angu de Teatro em pauta até próxima sábados e domingos no Teatro Apolo, às 21:30, que aborda o universo homossexual e dá pontadas também na sua relação com a arte contemporânea.
Isso é algo que sempre me perguntei, e nunca me perguntei pouco. Existem homossexuais em todos os lugares óbvio, mas os do meio artístico são mais óbvios que os outros. Não são estereotipados, cada um é cada um, uns mais escandalosos, outros mais discretos, uns falam da própria condição, outros falam da condição dos heterossexuais com mais sensibilidade que alguns dos próprios heterossexuais, uns são politicos... enfim; mas sua presença é marcante e desperta minha curiosidade acerca do assunto.
Eu fico me perguntando coisas como - é necessário mais sensibilidade para gostar do semelhante fisiológico? Eu procuro entender o que essa distorção de orientação causa na alma da pessoa e o que nisso a aproxima da sensibilidade e fazer artístico.
E até os heteros artistas são meio homossexuais. Os ratos, por exemplo. Para uma pessoa formada nos generalismos da classe média recifense, o primeiro contato com o movimento do ratão pode parecer uma verdadeira gaiola das loucas. Com homens se abraçando, beijando e paquerando (todos, ou quase, hetero, até onde eu sei) num impudor danado. "Homofobia zero" como diria Fred Fonseca, grande ator e amigo.
Daí já passo para os reflexos da sociedade patriarcal nas classes instruídas de nossa capital. O liberalismo, os movimentos feministas e anti-homofóbicos do século terminou por estruturar famílias e tendencias de pensamento menos preconceituosas. Ainda um pouco afetadas, com cacuetes e gírias, mas menos preconceituosas.
Feliz mesmo eu fico quado tenho a presença de espiríto ou ouço alguém dizer assim "Fulando, que é namorado de Cicrano" ou o extremo oposto. Sem afetação, sem risinhos, sem gírias coloridas, apenas aceita com naturalidade o amor da forma que ele se manifesta.
Outra reflexão do espetáculo é o poder da comunidade. Certas características da classe dominante não são fortes o suficiente para uni-la em comunidade, entretanto nas classes marginais qualquer semelhança é dispositivo de união. Assim é com a orientação sexual. Os gays realmente constituem uma comunidade, com gírias, movimentos, entreterimento e visual próprios. Isso também leva sociólogos a associar o homossexualismo à necessidades de atenção, à falhas na estrutura familiar, coisa e tal. É possível, bastante possível.
Enfim é páscoa, tempo de Renascer. Sair do armário não. Renascer.
segunda-feira, abril 13
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2 comentários:
E viva a força do teatro.
Muito bem escrito. ♥
também fico feliz quando vejo alguém falar que fulano (a) é namorado (a) de beltrano (a) sem piadinhas ou preconceitos.
o amor é livre e ponto.
muito bem escrito mesmo =D
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