A fundação Joaquim Nabuco, ano passado decidiu exibir um filme à meia noite, de zumbis. Eu não me recordo do nome, mas a onda de assisti-lo pareceu por demais irresistível e o ratão foi marcar presença. Fomos eu, Basílio, Túlio, Onirê, Pedro Augusto (praticamente, os pontos cardeais, a bússola do ratão) eu e Roberto França - Professor de inglês do núcleo de línguas do CAC, solteiro, a eterna procura de sua gatinha manhosa, interessadas favor procurá-lo.
A Fundação Joaquem Nabuco é um prédio com seu charme, escondida numa esquina sem rumo do Derby, vista de fora um grande cubo cinza, mas mesmo assim existe qualquer coisa de antiga no prédio, seja a fechada, sejam as pilastras, seja disposição altamente geométrica das janelas. O prédio me lembra meus antigos colégios de freira - os ladrilhos no piso, os desenhos do ferro do corrimão, a aparência geral das salas.
Entretanto no primeiro andar, o do cinema, sou completamente desiludido dessa impressão nostalgica - Cartazes de filmes, todos muito cult, o que mais me chama a atenção, sempre, é de Terra em Transe, do Glauber Rocha, genial. O corredor se estende à um café, outro ponto extremamente cult, e aproveitando que falo do café deixa eu contar uma histórinha.
O charme do café é inegável, bonito, chic, com mesinhas de cadeira, carta de menu bem desenhada, opções irreverentes, como sorvetes de milk-shake, milk-shakes de sorvete, bolbo com sorvete, lanches com queijos estranhos, coisa e tal. A cerveja vem no copo de cerveja, o rum no copo de rum e assim vai. Tudo à um preço relativo, que eu, um rapaz que anda mais duro que pinto saido da prisão, acho caro. Mas vá lá, tem seu valor.
O que me deixa indignado são os 10%. O garçon, uma bixa muito chata, certa vez me trouxe a conta e adicionou os 10% pelo serviço dele. Ok. Infelizmente o café da Fundação não é o tipo de lugar que realmente necessite de garçon, a cozinha é acessível à todos - fica logo depois do balcão - e da última mesa à ela são, se muito, dez passos.
Enfim, outro dia estava lá para ver um filme e fui tomar um suco, olhei minha carteira - as moedas contadas para o preço do cardápio - o que fiz foi pedir no balcão e tomar lá. Eis que o abjeto do garçon vem me cobrar seus 10%. Eu, muito humilhado por estar com o dinheiro contado e completamente possesso pela falta de educação da bixa digo "moço, perdão, mas o senhor não me atendeu, eu já paguei e tenho meu dinheiro contado" ele, como se ser panaca fosse a idéia mais genial desde a roda respondeu "mas aqui não interessa, tem sempre 10%"
Duas sugestões para a administração do café:
1º - demitir o infeliz - eu teria ido à um caixa e pago os 30 centavos do garçon se ele fosse educado e simpático.
2º - incluir os 10% nos preços da carta, mil vezes menos constragedor.
Enfim o filme. Como ia dizendo, o prédio tem seu charme, entretanto seus muros cinzas e àsperos, na contagem regressiva para a meia noite adquiriram um clima fantasmagórico. Na própria súcia de cults que foi assistir ao filme naquele sábado à noite era sensível uma tensão surda, um brilho no fundo de seus olhos, com o se os zumbis da película estivessem prestes a sair dos cartazes e atacar os espectadores a qualquer momento. Os rostos estavam mais pálidos, a luz mais fraca, as conversas eram ora histéricas e nervosas, ora sussuros desconfiados - salvo tudo isso, era uma súcia de cults muito agradável.
Começou o filme, Túlio achou genial, genial mesmo eu achei esse diálogo entre ele e Onirê no meio da sessão
Túlio - Nossa, confortável o braço dessa poltrona.
Onirê - Túlio.
Túlio - Sim?
Onirê - Esse não é o braço da poltrona.
Fizemos um barulho gigantesco, mas ninguém percebeu. No filme, os zumbis morriam e nasciam da forma menos pretensiosa possível - trash mesmo - e a platéia ria horrores, para mim a melhor foi a voadora do policial num zumbi logo na primeira sequência - golpe digno de qualquer jogo de street fighter.
Acabou o filme e estávamos todos leves pela morte coletiva em vídeo. Túlio achou genial, ele faz jornalismo e a perspectiva do filme aborda, dentro da sua forma despretensiosa, as relações entre a imprensa e a desgraça alheia com grande seriedade (no filme a pessoa que foge dos zumbis está muito mais preocupada em documentar a hitória do que solucioná-la, uma espécia de fuga do clímax); nós outros só estávamos tirando onda.
Entretanto desde aquela noite, as vezes andando nos corredores antigos da fundação ainda penso ver um zumbi me espianda por uma quina escura. Ou isso ou garçon, rancoroso.
quarta-feira, abril 1
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2 comentários:
Ésse dia foi foda. xD
A galera do filme tava mais preocupada em registrar uma situação difícil do que modificá-la, torná-la melhor, enfim. Bando de bichinhas. xD
E essa parada do café de lá éum fumo mesmo. E aquela bicha escrota é o pior.
Enfim.
o/
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Eu fui convidada e nem fui pra esse momento épico na história do cult recifense, quiçá, Pernambucano!
:*
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