segunda-feira, outubro 19

prece para a noite de 17/10/09


Senhor,


Me faltam as palavras para falar da mulher amada
Mas o violão tem chorado muito, obrigado
Como se as cordas vibrassem melhor
Se as toco com os dedos melados de amor
E que melaço esse amor que me arranjasse
Senhor,
Que está difícil fazer as coisas mais simples
Trabalhar mesmo anda um verdadeiro suplício
Tudo que faço e quero é chorar nas cordas
As belas cordas da minha viola
Que por fazerem sons puros e belos
São o elo mais forte que tenho com minha amada
Que mora longe
O que é um saco!
Mas só a voz melódica da viola, somente ela
Pois não há palavra ou poema
Ou que quer que seja
Que eu possa fazer agora, angustiante hora
De inércia da mente, onde o corpo vaza
E o peito é uma bomba relógio
Que hora esse ócio!
Devia ter esperado
Às vezes arrependo por não ter adiado
Esse amor mais um cadinho
Ando tão ocupado, meu Deus!
Tão ocupado!
Que talvez não fosse hora
De ter me apaixonado
Mas agora o mal já está malfadado
E confirmado por testemunhas
E só nelas que penso
Não nas testemunhas
Mas nela nela
Nela a donzela
Nela a imagem
Repetida ao infinito da minha passarela
Aí Senhor, daí forças
Para pensar em outras coisas
Pensar em coisas boas
E produtivas
Que este amor está repleto
Em minhas retinas
Alguém deveria ter me detido
Quando todos me incentivaram
Senhor, agora, o que eu faço?
Me matar não me mato, não sou tão fraco
Mas quanta irresponsabilidade
Quanta leseira
Essa mulher, agora eu sei
Deve ser feiticeira
Aí que feitiço!
Que não penso em mais nada
Que só vejo o momento
De gritar: Amada!
Já há tanto desejada
Já há tanto esperada
E agora presente
Agora cara à cara
Face à face
Tapa à tapa
Em beijos sem fim
Aí de mim! Aí de mim!
Que ridículo, que pateta
Me sinto com dez anos de idade
Minhas experiências no amor:
Tudo que aconteceu antes
Meus versos de Vinícius
Um Gregório de Matos
Foi tudo por água abaixo
Tudo parece tão inútil
E tão infértil
Se comparado à essa memória viva e pagã
De tua saliva sabor minério
Sabor matéria e deletério
Sabor ácido sulfúrico
Lírico
Onírico
E único
Olha quanto devaneio, olha quanto discurso!
Senhor, me tira dessa fossa!
Não por mim, mas pelas pessoas
Que de mim dependem, não faço mais nada
Não lavo nem uma louça
Não leio nem um livro
Não escrevo meia linha
Que não comece com:
Amada, desejada, querida...
E diminutivos terríveis
Impensáveis!
Senhor, eu tô lascado!
Vou ouvir não vai ser pouco
Serei martirizado,
Vagabundo! Aluado! Irresponsável
E ninguém entederá, nunca
Que de todos os adjetivos
Só me interessa
O que os resume:
Apaixonado!
E por amar demais
E fazer de menos...
Pelos colegas de trabalho
Amigos
E professores
Serei crucificado.
Aí Senhor, que saco!
Esse coração apertado
Batendo com a gota
Agourento
Apaixonado...

terça-feira, setembro 29

Noitango

Está escuro
E os cães cortam o pátio
Dançam um tango de patas trocadas
Em meio ao fumo dourado das lâmpadas

Está denso, fechado
A alma do prédio sabe à fome das formigas
E o som de um piano toca na escuridão
Como tocam em silêncio nossas mãos amigas

Um diamante míngua na ronda da noite
Está escuro:

- São as horas, meu amor, são as horas!

- Meu Deus, meu Deus, já são que horas?

- Já a noite avançou, absurda senhora.
O orvalho perfuma a chegada da aurora
E o dia é a faca para irmos embora.

- Por favor, adiemos a luz por agora
E cantemos na treva a última trova

Surdamente:
- Tremendo o assovio do lábio que chora

Na última nota:
- Tremendo o assovio do lábio que chora

Está frio, está fosco

Uma névoa atravessa e recorta as cortinas
O dia ainda não está aqui
Mas sua sombra desenha
Onde os cachorros dançaram antes

Havia um vento que pesava à matéria
E um roçar que enroscava na alma
Também havia a impressão de seu rosto
Nítida como um gosto de pele

Estou breve, clareando
Como um tempo que retorna ao foco
Ou um véu que rompe o espaço
Diáfano

Os ponteiros me roubam a impressão de teus lábios
Trágico

Ecoa na pele o calor de outro corpo
Encontro

Uma buzina dilata o horizonte
Distante

Um som de pneu recompõe o quadro
Pedaço

Um gume de sol esfarela o tango
Pranto

Os dedos se partem como a quebra do átomo
Rádio

O fim da história é um fade em branco
Branco

E há muito os cães abandonaram o pátio


Para Astor e Patrícia

segunda-feira, setembro 28

Domingo, onze e meia da noite

Para quem ligo e confesso minha saudade? Para as mulheres que me abandonaram ou para as que abandonei? Para os amigos que me esqueceram ou para os que esqueci? Na verdade, entre mortos e feridos ninguém é inocente.

Não há inocência, nem trégua. Para o coração iniciado nas batalhas do amor todos os dias são dias de guerra, de luta árdua e inútil como são sempre os conflitos armados e o coração bate ao som das marchas militares se questionando se hoje é dia de morrer ou de matar.

Assim, neste quarto silêncioso e sem vida, meu coração é como o soldado já tão habituado às batalhas que só encontra paz no barulho das granadas e entre o aço das espadas. Que se entende vivo por ver a morte nos olhos, bem de perto.

Neste quarto de paredes brancas e luz fria, neste silêncio sepulcral, sinto definhar como muralhas a flor desta lira.

Como os domingos são tediosos, meu Deus! E esse telefone que não toca, esse e-mail que não chega! Queria que meus amigos entendessem que não ligo para eles porque tenho pudores de incomodá-los de meia em meia hora com minhas carências. Meus afetos, modéstia aparte, são pessoas importantes e ocupadas, tenho vergonha de querê-los só pra mim, para os carinhos que venho guardando de meia em meia hora, para toda essa saudade cá comigo, a fim de vazar.

Queria mesmo que eles pressentissem, por esses mistérios da amizade, minha saudade e lembrassem de mim. Talvez verdadeiras amizades não devessem ter pudores, e as mulheres que fiz sofrer não mais sofressem e as pelas quais sofri se arrependessem. Mas aí já é querer demais.

Vou dormir, amanhã é outro Sol.

terça-feira, maio 5

A bailarina sem corpo

Uia, quanto tempo que não escrevo aqui. Primeiro espero com todas as forças aqui no blog uma "crônica dos brothers" escrita por Túlio Albuquerque, com muita idealização do Túlio, o primeiro romântico do novo século.

Falando no novo século, festival do Palco Giratório acontecendo na cidade com muitas apresentações de tudo cunté tipo de coisa, o link para a programação é esse:

http://www.sesc-pe.com.br/palco_2009/index.asp

Confiram. Falando no palco vou falar também da politicagem que invade e corrompe a arte, que só é pura enquanto é pobre. A peça de estréia foi "Castanha sua cor", do grupo Grial Recife, que nunca ouvi falar antes, dito dança contemporânea, dirigido por Maria Paula Costa Rêgo e Eric Valença, com uma mulher chamada Maria Paula no elenco, que nunca ouvi falar, ignorância minha, claro. Música de Helder vasconcelos e Direção de arte de Dantas Suassuna.

Quanto ao espetáculo, é uma porcaria. O que me faz conjecturar que as celebridades na produção são as responsáveis pela blindagem do espetáculo à curadoria do palco giratório, de qualidade incontestável, ou talvez cujo único fraco seja a política, câncer da humanidade.

Maria Paula, seja ela quem for, é uma bailarina gorda, caucasiana e despreparada, cujo corpo não responde com a prontidão e energia necessárias a quem se diz uma bailarina, e sua exposição no palco foi, por baixo, vergonhosa. Além, seu figurino era sumário da cintura para baixo, o que apenas ressaltava sua inconsciência corporal.

Não estou dizendo que os bailarinos devem ser todos magros e músculosos, mas devem, e é sim dever de qualquer bailarino, assim como é dever do ator representar com verdade, ser cônscio do próprio corpo, não são as celulites da bailarina que são feias, é ela fingir que não as tem e querer agir como se não as tivesse. Se o corpo dela tem limitações, como o de todo mundo, ela deveria, óbvio, usar essas limitações, pois ao ignorá-las, elas a traem.

Sem falar que esses espetáculos contemporâneos sempre correm o risco de serem 'esquisitos' e esse foi, uma amiga minha saiu dizendo "me senti burra, não entendi nada", e não é pela falta de conhecimento do público, é pela má organização do espetáculo; que não precisa ser verborrágico, mas deve, no mínimo, ser claro e verdadeiro em seus signos, e eles passaram longe disso.

Quem salvou meu tédio foi Sebastião Martelo, mestre de cavalo marinho que fazia ele mesmo mas fazia muito bem e foi ovacionado da maneira correta, em contraponto à bailarina, que se recebeu duas palmas deveria dormir feliz.

terça-feira, abril 21

Tiradentes

Prece nº21

Senhor, que onde ela existir eu exista
E as distâncias sejam todas destruídas
E os quilometros não mais contem
E os dias não mais atrasem
Para que nossa presença seja completa
E eu possa existir na pele dela
Como ela existe no meu sangue
Pai, que o tempo da ausência
Seja dias, meses ou anos
Nunca passe de um suspiro
Se comparado ao reencontro
E que todas as barreiras caiam
E os muros de pedra virem areia
A dançar no som de minhas músicas
Futuras e passadas. Que o som presente
Seja o estalo de nossos lábios
O ranger de nossas unhas
O roçar de nossas pernas
E o suspiro de nosso olhos
Apenas
Lorde, fazei do dia de hoje
O laço invisível de nosso amor
E me ata nos pensamentos da mulher amada
Para que mesmo distante
Eu possa senti-la, acaso sofra
Acarinhá-la, acaso chore
Ir, acaso chame

Amém



p.s - Parábens a Ju Caminha, meu grande amor, que faz anos hoje

segunda-feira, abril 20

Apresentando-me!

Olá a todos!! Bem, como Diogo disse, ele abriu o blog dele (só o blog) para outras pessoas, convidadas, postarem, e eu sou uma delas.
Meu nome é Onirê, tenho 20 anos, e sou um orc que sofre alguns surtos filosóficos de vez em quando (principalmente depois de uma cerveja - que, álias, me proporciona o melhor jeito de ficar bêbado - e outros sucos etílicos). Como Diogo é uma bi... Quero dizer, um rapaz muito ocupado, eu de vez em quando venho postar alguma loucura por aqui. Espero que cês curtam, e ajudem-me a tornar-me um escritor mais decente. XD
Enfim...
Fui povo.
o/

domingo, abril 19

No dia seguinte

Somos cínicos emocionais. Conceito do novo século, se o século XX será lembrado como os cem anos da velocidade absurda, do liberalismo e mecanização de nosso ser emocional. O novo século ressurge resgatando o valor do sentimento, relegado ao segundo plano, mas juntando-o com as 'asinhas de fora' que ganhamos anteriormente. Afinal, é difícil pensar em amor e moral como pensávamos antes da queima dos sutiãs, da eleição de Obama e coisas parecidas.

Isso porque somos todos uns antigos, quando digo todos, me refiro logicamente aos ratos. Túlio mesmo, é tão antigo que digita no teclado catando milho, quer dizer, feijão, acabo de ser informado que no sudeste se cata milho e nordeste feijão, ou fava, ou o que for.

Enfim, não dá pra dizer que quem ouve Chico Buarque nos tempos de João do Morro é um antenado, deixamos esse legado para os mangue boys. Não tenho certeza se fazemos por bem ou mal, mas às vezes somos verdadeiras personagens de "Álbum de Família" de mestre Nelson. É um tal amor que fulano que estava com cicrana ontem, hoje conheceu Beltrana, e levou ela para casa no meio da favela de Candeias, tão excitado que teve que dormir com ela, nem que fosse por uma noite.

Ou então às vezes estamos perdidos, sem ter quem amar - além de todo mundo, mas amar todo mundo também cansa - e temos que olhar para quem está só e dizer coisas como "Seu cabelo é tão volumoso" e beijar, como quem não tem mais amor para conter, como quem precisa se dar.

Onde está o cinismo? No dia seguinte contar tudo a todos, sem pudor, aí temos um traço do cinismo emocional; No dia seguinte olhar para todos com a cara mais lavada do mundo, fingindo que nada aconteceu; No dia seguinte voltar para a casa de antigos amores e passar horas lá, enquanto chove, fingindo que nada aconteceu.

Por quê, meu Deus, por quê: Como amar a todos amando um de cada vez? Por isso somos cínicos emotivos, por isso Chico Buarque vem nos salvar, de vez em quando pelo menos.

P.S - Dentro da nova proposta (ou propósta) comunitária do blog, essa crônica é escrita e assinada por Bruna Barros e Diogo Testa.

sexta-feira, abril 17

Chamado Ratatônico de Praia

Ahn, mais uma postadora aqui \o/
Não faço crônicas tão bem quanto diogo, mas pelo menos isso aqui vai continuar bem humorado =]
Sem muitas novidades por hora, vou tentar fazer com que as novidades surjam:

Ratos e ratas desta nação cachaçeira, tenho a honra de convocá-los para o próximo ratão de praia, que acontecerá na manhã da terça-feira de Tiradentes, na praia de Boa Viagem, em frente ao Ed. Segóvia (4700, próximo à pracinha).

Porque tem muito ratinho precisando de um bronze.

quinta-feira, abril 16

Antes e Depois

Queria jogar video-game, acordei ontem com uma vontade furiosa de jogar video-game. Mas aí comecei a escrever num blog, no outro e já sabem né, vídeo-game se tornou apenas uma vontade roendo meu espírito, azar.

Bruninha andou viajando e ganhou um apelido: bêbada. Ele bebeu demais na viagem? Não. Mas toda santa foto que bateram dela... Já sabem, lá estava a garrafinha, ornamental.

Até porque, como já disse antes, o alcoolismo é um estado de espírito muito antes de biológico. A garrafa é um simbolo, um ícone, uma bandeira sobre a qual nos reunimos. Por isso que bruninha, mesmo que inteiramente sóbria durante toda a viagem, preservou-se perto da garrafa, para nos inspirar a todos. Temos que admitir, que bruninha, viajando o tanto que viaja (em ambos os sentidos) e galega, dos cabelos encaracolados, o 'leãozinho' do veloso é uma verdadeira musa. Sem falar de sua voz, linda quanto canta, engraçadíssima no Jiglypuf.

O que é o Jiglypuf? Um pokémon, logicamente. Para quem assistiu, um pokémon com o poder de adormecer os outros com seu canto, e foi assim que mazelados pela madrugada ardente ouvindo uma música em francês linda que tenho certeza que bruninha terá a bondade de dizer qual foi depois aqui no blog nós - Eu, Lis, Dandara, e Bruninha - inventamos o 'Jinkalinka back'n vocals' coro de back vocal que sintoniza qualquer melodia com o 'jinkaalinka, jinkalin...iinka' enobrecendo a música como um todo.

Falando nisso, as primeiras considerações do chamado ratônico. Como era de praxe, quase que estrago tudo mergulhando na piscina e gritando como um louco. Mil perdões pela milésima vez.

Tulinho fazia aniversário na semana seguinte e decidimos dar uma festa surpresa, assim que cheguei estavam todos enchendo bexiguinhas rosa e dispondo chapéu cônicos do Herby, o fusquinha, para que entrássemos no clima de festa, realmente a cara de Tulinho, inclusive para deixar claro meu ponto, decidi fazer um antes de depois, para explicar ao leitor o que os vinte anos podem fazer à uma pessoa:

Antes


Depois


Espero ser perdoado por isso, mas uma imagem vale por mil palavras. Como dizia, queria mesmo ter enchido a piscina de balões rosa, mas infelizmente não tive tempo. O bolo, por outro lado, estava delicioso, parabéns as cozinheiras. Por isso que eu sempre digo, lugar de mulher é na cozinha. Se eu e Onirê tivéssemos cozinhado o bolo, por exemplo, alguém conseguiria comê-lo? Não sei das destrezas culinárias de Onirê, é verdade, mas tenho as sutil suspeita que se cozinhássemos algo o resultado ficaria entre coriza e o esmalte.

Onirê tentou algumas frases de efeito mas não estava bêbado o suficiente, e quando finalmente atingiu o nirvana do rato, quem estava bêbado o suficiente era eu, então infelizmente não posso agora reproduzir sua sabedoria. Ele deveria andar com um linotipista atrás dele, registrando tudo que ele fala.

Por hora é só. Mas passagens do chamado ratônico no próximo capítulo. Não percam.

Vamos às apresentações.

Diogo me pediu pra dar uma ajuda a ele com o blog. Ele é um rapaz muito atarefado, como todo artista, faz três mil e quatrocentas coisas ao mesmo tempo, desde peças de teatro e roteiros pro cinema, a amar e farrear, enfim. Gostei disso de escrever umas crônicas aqui, e da ideia de convidar outras pessoas pra escreverem também. Esse era mais ou menos o propósito inicial da Bodega do Rato, eu ia chamar todos os ratos pra postarem nela, ia ser algo "público". Mas aos poucos o sentido da coisa foi mudando e eu havia desistido (ao menos por agora) de abrir o blog aos ratos. Acabou que Diogo decidiu por mim e abriu o DesConceito.
Então é isso, a partir de hoje vou dar as caras nesse espaço contando os acasos da rataria e os causos desse mundo.

Aos ratos e não ratos, Ratão!

quarta-feira, abril 15

abertura

breve aviso. Abri o blog para outros autores, tá foda escrever a coluna todo dia entre as tantas outras coisas que ando fazendo. Agradeço pela força que de quem se dispuser, e se houver alguém que deseje e não recebeu o convite, basta entrar em contato comigo que o mando

O músico

Lúcio Mendonça é compositor e grande amigo. Escreve uma poesia rara, rica em metáforas das coisas mais simples da vida, como um copo de cerveja ou um aperto de mão.

Nunca acertou no amor entretanto. No filme do Woody Allen "Vicky Christina Barcelona" há um narrador que diz a respeito da personagem de Javier Barden, que é artista plástico "e como todo artista, ele não sabia viver sem a companhia de uma mulher". Ponho um adendo na frase "e não saberá nuna viver na companhia de apenas uma". Na última crônica discuti o quanto a sensibilidade de artista pode sensibilizar em excesso o heterossexual, hoje discuto o quanto a inquietação de artista pode inquietar em excesso o monogâmo, modelo de nossa sociedade.

Assim é com Lúcio, tadinho. No filme The Spirit (uma porcaria, não assistam) tem uma frase mais ou menos assim "Você é apaixonado por toda mulher que conhece, e ama a todas do seu jeito", mais ou menos isso. Assim é Lúcio, tadinho - ama tudo, todas e um bocado; Mas seu envolvimento com mulheres tem sempre um prazo fixo - uma música. Já chegou a me dizer, outro dia - 'Diogo, não seria lindo se eu fizesse uma música pra cada mulher que eu conhecesse, mas uma música de verdade, a altura de fulana?" Eu achei lindo.

Até ver a galeria das desquitadas, e o pior é ouvir a música, hoje para mim sempre a 'música da véspera' e ver em cada nota as curvas do corpo da fulana da vez, ver na letra da música os sorrisos, os trejeitos de olhar com a certeza que no dia seguinte ele romperá com ela.

Quer dizer, o que é isso? Há realmente os casos de pessoas tão devotadas à própria arte que esquecem da existência mundana para enobrecê-la. Mas não sei, não sei.

Sei de Martinha, cuja música me foi apresentada ontem, é linda. Que será dela hoje?

segunda-feira, abril 13

O armário

Eita, tempo de renascer. Mas renascer não é sair do armário, se controlem, moças e rapazes.

Estou falando de Ópera, espetáculo do coletivo Angu de Teatro em pauta até próxima sábados e domingos no Teatro Apolo, às 21:30, que aborda o universo homossexual e dá pontadas também na sua relação com a arte contemporânea.

Isso é algo que sempre me perguntei, e nunca me perguntei pouco. Existem homossexuais em todos os lugares óbvio, mas os do meio artístico são mais óbvios que os outros. Não são estereotipados, cada um é cada um, uns mais escandalosos, outros mais discretos, uns falam da própria condição, outros falam da condição dos heterossexuais com mais sensibilidade que alguns dos próprios heterossexuais, uns são politicos... enfim; mas sua presença é marcante e desperta minha curiosidade acerca do assunto.

Eu fico me perguntando coisas como - é necessário mais sensibilidade para gostar do semelhante fisiológico? Eu procuro entender o que essa distorção de orientação causa na alma da pessoa e o que nisso a aproxima da sensibilidade e fazer artístico.

E até os heteros artistas são meio homossexuais. Os ratos, por exemplo. Para uma pessoa formada nos generalismos da classe média recifense, o primeiro contato com o movimento do ratão pode parecer uma verdadeira gaiola das loucas. Com homens se abraçando, beijando e paquerando (todos, ou quase, hetero, até onde eu sei) num impudor danado. "Homofobia zero" como diria Fred Fonseca, grande ator e amigo.

Daí já passo para os reflexos da sociedade patriarcal nas classes instruídas de nossa capital. O liberalismo, os movimentos feministas e anti-homofóbicos do século terminou por estruturar famílias e tendencias de pensamento menos preconceituosas. Ainda um pouco afetadas, com cacuetes e gírias, mas menos preconceituosas.

Feliz mesmo eu fico quado tenho a presença de espiríto ou ouço alguém dizer assim "Fulando, que é namorado de Cicrano" ou o extremo oposto. Sem afetação, sem risinhos, sem gírias coloridas, apenas aceita com naturalidade o amor da forma que ele se manifesta.

Outra reflexão do espetáculo é o poder da comunidade. Certas características da classe dominante não são fortes o suficiente para uni-la em comunidade, entretanto nas classes marginais qualquer semelhança é dispositivo de união. Assim é com a orientação sexual. Os gays realmente constituem uma comunidade, com gírias, movimentos, entreterimento e visual próprios. Isso também leva sociólogos a associar o homossexualismo à necessidades de atenção, à falhas na estrutura familiar, coisa e tal. É possível, bastante possível.

Enfim é páscoa, tempo de Renascer. Sair do armário não. Renascer.

sábado, abril 11

Páscoa

Amanhã não tem crônica, é páscoa. E hoje um poeminha para Deus e para a mulher amada, figuras importantíssimas nessas datas religiosas.



Prece para que ela não diga que me ama

Senhor,
Permita que ela não fale
Que as palavras não se formulem em sua boca
Na língua vil e negligente dos homens
Não deixe que as notas de sua voz
Se tornem símbolos, convenções vulgares
Meu Rei,
Mantém em seu canto o que há de divino
Guarda em sua voz a nota do mistério
O timbre do mítico, do inexplicável
Pois meu Lorde
O amor que ela me dá
Amor assim não se fala
É um amor que se faz
E ainda que as palavras trinquem
Seu amor irradia da pele e entra nos póros
E sinto que ela me ama
Pois o amor está no grito de seus olhos
No sabor de sua pele
Na força de suas gengivas
E no perfume de seus beijos
Portanto meu Deus
A mantém calada
Para que eu nunca saiba do amor que me tens
Mas o sinta como eu sinto ao Sol, à chuva
E à todas as outras sombras de Tua existência
Em minha vida

Amém

sexta-feira, abril 10

A esquisita

Nada mais estranho que Mallu Magalhães. O mundo cult é um fenômeno estranho, que promove pessoas como ela, João do Morro, DJ dolores e tal. Não são artistas ruins, dentro da minha concepção do universo, vejo como artistas de talento duvidoso.

A verdade é que não são artistas acabados, exceto João do Morro, que está acabado e fala para as massas, na verdade o curioso é sua adoção pelo mundo cult, provavelmente o principal motivo disso seja o produtor dele ser o mesmo de Cordel. Simples assim. Mas no geral o mundo cult, na ânsia de promover suas idéias tem promovido artistas imaturos, pois o mundo cult é um mundo imaturo.

Comecei essa reflexão ao assistir um vídeo de Marcelo Camelo, outro idiota cult, explicando sua relação com Mallu. Me perdoem pelo tradicionalismo, não é uma questão de bagagem cultural, o homem é culto. É uma questão de idiotice mesmo. O aclamado vocalista dos los hermanos (muertos) não soube falar, expressar suas idéias de maneira coesa e lógica, falava o tempo todo "porque a parada com Mallu... E o lance de Mallu..." viesse do morro nos anos 70 Marcelo?

Sem falar que é ridículo, o relacionamento deles não mostra que Mallu é uma criança, assisti a entrevista dela com Jô Soares pensando "Deus do céu! Jô vai comer essa menina viva, ela não sai daí com vida" Me enganei, a menina é surpreendentemente espontânea e adivinhem... Uma menina; uma menina que colocou as músicas na internet. O resto foi circo da mídia e uma família bem relacionada. Chico Buarque vazia músicas na idade dela, Vínicius de Moraes vazia música. Mas no tempo deles não tinha Internet, nem circo da mídia. Só famílias bem relacionadas e com valores o suficiente para esperar a maturidade do artísta antes de atirá-lo aos leões e aos cornos carentes.

Se eu estou dizendo que Marcelo Camelo é corno? Vejam por esse ângulo - o homem é, depois de Reginaldo Rossi, Wando, Fagner e afins, o maior cantor de dor de cotovelo do País. Mas os nomes que citei antes são maduros, tiveram seu tempo para sentir no fundo de suas almas a mais completa depreciação e decadência de suas ilusões amorosas. Marcelo não chegou nem na metade do caminho e já saiu choramingando. Além de praticar abertamente a pedofília.

Na entrevista ele falava justamente isso sobre os diários da Maluzinha "Tipo ela escreve coisas muito parecidas com a do meu amigo, que é poeta, só o que ele escreve tem valor porque ele é casado e duas filhas" Ele diz como se isso fosse ruim. Não é. Mallu é um gênio? Talvez. Para mim ela é apenas uma cópia muito bem feita do Dylan e do Cash, outros fenômenos cult, mas do gênero da ressurreição esses dois.

O fato é que quem dirá é o tempo. Promovê-la assim de imediato é o pecado da antecipação, mal muito comum de nosso mundo e péssimo filtro para o verdadeiro motivo da arte: A sensibilidade humana

Feliz páscoa a todos

quinta-feira, abril 9

Ode ao Túlio

Hoje é aniversário dele, então vou publicar um poema que escrevi em sua homenagem uns tempos atrás:

Ode ao Túlio

Tulinho

Meu Túlio
Meu Lírio
Chama o mundo
Vamos juntos
Sair sexta-feira

Túlipa
Somos jovens
E chove demais
Demais para ter medo
Demais para prendermos
Nossos executores
Deixemos uns aos outros
Morrermos em paz Túlio
Deixemos
O mundo é velho demais
Para deter-nos

Tu Lio
Lenga lenga
Que preguiça de viver
Que medo de ser tarde demais
Mas nunca foi cedo Túlio
Então adeus
Um abraço apertado
Ou uma carrera de doido

Um rato pelas ruas
É um rato morto
Temo, Túlio

E, Túlio, a torre
Está sem Rapunzel
Que azar da porra
Eu largar Fulana
Quando Cicrana quase largou o namorado
Por você
Mas tudo bem, encontro à quatro
Comigo mais tu
Terminaria de quatro

Túlio etílico
Chama todo mundo
Vamos beber na sexta
Vamos pro antigo mesmo
Ninguém tem pronde ir
Mesmo

Túlio nicotino
Cadê o cigarro? Cadê lola?
Ou Maria Joana? Pra quem tinha medo
Você me saiu um viciado
Mas vício maior
Que os mil cigarros fumados
É quem fumando
Se mata ao teu lado

Seu tu Lio Narciso
Que entra nas calças
Com as pernas
Mas deixa o ego
Sem regras
Vamos embora, sem regras
Nem os erros são errados
Então erra
Mas chama todo mundo
Pra beber e fumar
Nessa sexta

Es(Túl)p(i)d(o)

Sinto, logo existo

Capoeira que é bom não cai, e se um dia ele cai, cai bem. Já dizia o poeta. Perdi minha boina. Isso não se faz, não é Onirê? Pois me surpreendi ao constatar que nosso filosófo é também um punguista. Nada mais marginal que um pensador, já dizia minha avó. Vou reavê-la, espere e verá.

Pois fiquei com o cinto dele, como objeto de barganha na troca, descobri ontem, entretanto, que ele fica mais que folgado em mim, deveria ter suspeitado desde o princípio, pela diferença de nosso buchos, mas azar, azar.

Li o livro que Túlio me emprestou "Crônica de uma morte anunciada" do Gabriel García Márquez e aconselho seriamente aos meninos da Nassau lerem o livro. Já que a própria estética que eles adoram não condiz em absoluto com a do livro.

Entre os elementos que o autor trabalha no campo estético, e que podem ser defendidos na produção de um curta-metragem, se encontram:

- O narrador completamente distanciado da ação narrativa. Assim, é preciso explorar dentro da linguagem visual a reprodução desse fato, provavelmente com um protagonista que não é protagonista coisa nenhuma ou uma câmera objetiva em terceira pessoa. Isso é com vocês.

- O resgate da história pelos envolvidos. O livro é uma ficção que simula o trabalho jornalístico, possivelmente o motivo de sua escolha para esse trabalho. Portanto o curta deveria de alguma forma procurar contar a história a partir da reconstituição dos inúmeros pontos de vista que a permeiam e fragmentam. Sem dúvida o principal recurso formal e estético do livro.

- A banalização da tragédia a partir de sua revelação. Um argumento defendido à dentes pelo livro e que também seria bom se fosse pensado.

Enfim, muito trabalho pela frente meninos.

Vou sentar e esboçar essa parada, mas aqui em linhas gerais uma sugestão. Podemos combinar a metáfora de um com o desejo de promoção do outro. Ao invés de um ordinário que troca a namorada por um manequim, mostrando a maquinização da mulher, conceito do século passado, podemos banalizar plenamente nosso século XXI, um século de volta ao romantismo anos antes dos imbecis dos acadêmicos o perceberem; podemos banalizar o tempo do "sinto, logo existo" com o seguinte mote: Um músico que arranja namoradas para compôr suas músicas, quando consegue a plena expressão de seu sentimento abandona sua namorada, preferindo o ideal transposto na música. Morto e perfeito para sua alma de artista. Assim aproveitamos tudo nas devidas proporções. Mais, a ação se passa entre os relatos dos conhecidos de ambos, que já sabiam do fim do relacionamento muito, muito antes do mesmo. E o dissecaríamos pelos olhos de terceiros até que o fato fosse inevitável.

Sento para escrever em breve, se possível ainda hoje. Espero que dê certo, e Túlio podia me atender, para variar.

terça-feira, abril 7

crônica só quarta-feira, culpa do sesc

domingo, abril 5

confessionário

Coisa interessante a verdade. Principalmente a inconfessável, se gritada para todos, sem pudor algum, se torna silenciosa como um eco, torna qualquer mentira muda, e todos somos mudos.

Bem, viajei. Primeiro e muitíssimo importante, primeiro retifico todas as postagem em que escrevi o sobrenome de Ianah errado - o nome correto é Ianah Maia, meu erro, nunca mais cometo. Dois - comentarei a festa do ratão ao longo da semana mas hoje não. A festa foi um momento histórico e em respeito à todos os envolvidos prefiro checar todas as minhas fontes antes de teclar bobagens. Três - amanhã ou terça inauguro um novo blog - www.bbbsescdeteatro.blogspot.com - onde discorro dos temas do curso entre outras reflexões pertinentes, a quem interessar possa conferir.

Sem falar de ontem, mas ainda falando do ratão, a grande habilidade dos ratos é permanecer juntos. Julyana Carla - minha estrela derradeira, minha amiga e companheira no infinito de nós dois - teve seu primeiro contato com o ratão ontem e um dos comentários que ela fez foi "dá pra ver que vocês são muito de sentimento, não é? vocês se unem por dentro". Chamou a todos nós de feios, é verdade; mas falou algo importantíssimo - nosso elo é mais profundo que uma cervejinha ou sapatos que combinam. Por isso nessa longa história do rato, olhando para trás vou vendo e contando mortos e feridos, como disse bruninha na Bodega, e vejo todos vivos e unidos. O curioso é que vivendo apenas o momento presente eu não havia percebido, mas ao olhar para trás vi tantos laços trocarem de cor, de forma, às vezes se estreitarem e às vezes se afrouxarem, mas depois de ontem estou convencido que a força que nos une é maior que o álcool. Que existe o divino no nosso amor.

Quantas vezes mulheres já não trocaram de homens ou homens trocaram de mulheres, ou coisas foram ditas na hora errada mas nós continuamos e eu digo o motivo - eu me humilharia às últimas consequências por qualquer um deles, sem pensar duas vezes.

Errar erramos muito, mas pedir perdão com sinceridade é uma arte que cultivamos - Eu mesmo outro dia, ia dando uns beijinhos numa rata que não sabia comprometida, quando soube o estrago já estava feito, só faltei me matar na frente do traído para me desculpar. Levou um tempo mas fui perdoado. Outra vez saí falando da vida sexual de um para outro e fui censurado, enfim, a falta de discrição me persegue. Eu tenho a mania da exposição, da mostra.

Por isso que era preciso contar também meus pecados no blog, sem pudor. Além é semana santa, tempo de se confessar, e não há melhor lugar para isso que aqui.

Estou com uns parentes em casa - dois tios e uma avó, ficam até a páscoa, passei o almoço com eles ouvindo as histórias das bebedeiras do passado e pensando - dos que bebiam juntos, quantos ficaram? Poucos ou nenhum, foi a resposta que obtive.

Por isso, hoje faço alguns apelos

1º) me perdoem pela falta de tato com que conto tudo aqui, procurarei mais sutileza no futuro.

2º) nos mantenhamos unidos, pois para mim, o verdadeiro milagre do rato é o amor que transforma a nós, um bando de desconhecidos, numa família.

Alcides, meus parábens, sinto muito não ter ido hoje, faça muito barulho no cajon.

sábado, abril 4

Tripé

Brasil! Os ratos agora ganharam representatividade no braço militar. Tenente Jardelino é nosso grande representante na infantaria nacional. Verdadeiro cão de guerra, desses que recarregam o fuzil com o dente e põe a mão no isqueiro aceso para provar que é macho.

O ilustríssimo tenente Jardelino (ou Fábio, como o chamávamos antes da transformação em cão do exército) mostra todas as características prezadas pela corporação - objetividade, clareza, força, velocidade, um verdadeiro cão artístico de Bukowski, pronto para pegar a boneca e dar na cara dela, assim, sem dó.

Alías, pensando no tenente, que ao me explicar que ele mandava nos soldados, nos cabos e nos sargentos disse "a tropa que eu comando é grande, brinque comigo!" e eu "brinco nada, tenho cara de quem leva tiro?" - pensei na capacidade de pessoas polares conviverem de forma rica e produtiva.

Como por exemplo Vínicius de Moraes, no tempo que passou em Buenos Aires, a casa dele dava de frente para um quintal onde viviam um pavão, uma galinha, um cachorro e um gato; de muito os observar, Vínicius fez a seguinte declaração à Toquinho, creio "Toquinho, eu aprendi mais com esses quatro bichos que a minha vida toda no Itamaraty. Eles vivem juntos Toquinho, um cachorro, um gato, uma galinha e um pavão, juntos!" Assim é o Ten. Jardelino, Tulinho e Jean.

Tu vê os três juntos pensa "mas será possível?", então vê - eles são como o cachorro, o gato, a galinha e o pavão; humanos o suficiente para viver juntos.

Quem é Jean? Não sei nem seu sobrenome, mas se Fábio é o braço do ratão na infantaria, Túlio na música, Jean é o braço silencioso do ratão. Escritor de mão cheia, violonista clássico e tímido convicto; o verdadeiro eixo desse tripé de artístas tão polares, entretanto tão produtivos, e por que não dizer bonitos, combinados.

Falando em tripé, uma anedota: existe um teórico de teatro que diz "o fenômeno cênico acontece quando se unem os três elementos: o público, o ator e o palco". Na Bahia, encenou-se um espetáculo chamado "R$1,99" cuja ficha técnica era:

Elenco: Ricardo Castro
Iluminação: Ricardo Castro
Sonoplastia: Ricardo Castro
Produção: Ricardo Castro
Diração: Ricardo Castro

Preço? - o Título, com direito, alías, com dever a um centavo de troco (assisti à peça duas vezes, tenho as moedas guardadas comigo até hoje, acho). Nesse monólogo, com um crítica seríssima ao teatro comercial, principalmente no Sudeste, já que aqui em Recife, pelo menos, teatro comercial é quase um sonho, salvo o Chocolate e o Hipopocaré; grande teatro comercial o nosso.

Enfim, durante o monólogo, enquanto operava a luz, o som, se dirigia e atuava Ricardo deu o seguinte texto, máxima da verdade teatral muito maior que essa história de ator, platéia e palco. "O teatro está baseado num tripé" ele começou "1-) prego. Não dá pra fazer teatro sem prego" explico - fixar cartazes na rua, prender as cordas da contra-regragem, preparar os movéis falsos "2-) fita crepe. Não existe teatro sem fita crepre" explico - toda a marcação de cena e da mesa de luz e som é feita com fita crepe, um espetáculo de teatro que não consuma uns dois rolos de fita crepe, acreditem, será ruim. O bilheteiro na porta do teatro deveria anunciar "ingressos a R$15,00, gastaram sete rolos de fita crepe, é ótimo, ótimo" extasiado. Por fim "3-) Viado. Não existe teatro sem viado" o último nem vou comentar, quem já foi ao teatro sabe. E se não sabe, levante as mãos para o céu e agradeça. Enfim, é tudo uma questão de tripé.

Dois avisos - hoje festa acontece a festa ratônica no prédio de Bruninha, desça mesmo a vitrola minha filha. Outra, Dandara Morais, bailarina lindíssima, estará lá, a partir das 18:30 da noite, à procura de seu moço dengoso. Quem for esperto não perderá a oportunidade.