domingo, março 15

Energia Solar

Estava vendo o auto-esporte, na globo, enquanto comia pão sovado com Nescau. Eles fizeram uma reportagem sobre o salão de Genebra e durante a reportagem algumas alusões interessantes sobre como o mercado automotivo reagia à crise mundial.

Outra coisa engraçada é como nos Estados Unidos, eles chamam o saque de crise. Vender por preços inexistentes e cobrir empréstimos com empréstimos, quebrando os bancos, é roubo e saque. Mas já que todo mundo (importante) fez é crise. Bonito. Nós, brasileiros, roubamos, é verdade, mas pelo há sempre alguém para nos acusar com a verdade: Ladrões, corruptos. No topo da humanidade, nem isso.

Enfim, o auto-esporte, pendurou o slogan, quase gritou para o público com a voz do locutor de enquanto exibia uma lamborghini amarela e possante "o mercado responde a crise com novidade" e o diretor executivo da ferrari dizia "a solução é produto novo no mercado".

Babei minha mesa com o Nescau. Parece piada que tudo em que as montadoras pensem é em produzir mais sucata em plena queda do império do petróleo. Dos modelos apresentados apenas um era flex, que convenhamos, não é nenhuma novidade para os nacionais, apenas para os importados. E mesmo assim a uso de álcool ainda não é nem metade do que pode vir a ser uma solução.

Do Pina em direção à Agamenon passa-se por um viaduto que dá vista para um ferro velho de carros, perto da AACD. Passei por lá pelas três da tarde ontem e o eram tantos carros entregues às traças que pela janela do ônibus o Sol parecia desenhar estrelas nos capôs.

Isso e o marcado querendo novidades. Querendo, desesperadamente, nesses tempos de saque (ou crise, o leitor escolhe) vender, não importando o quê, para quem ou quanto. Desta forma, a montadora não é melhor que um fabricante de armas enfiando semi automáticas nas mãos de crianças.

O mercado automobilístico existe há pouco mais de um século e é algo que não vai cair tão cedo nem tão fácil, surgiu e inventou a era do petróleo e o padrão de vida das classes dominantes nos dias atuais. Entretanto, com a derrocada do petróleo, já que a transição é tão delicada e terá de ser lenta. Já era tempo dos fabricantes começarem a pensar no assunto e apresentar soluções conscientes.

Não se pode trocar o transporte da noite para o dia. Carros movidos a energia elétrica existem desde dos anos noventa ou até antes. Ontem no Discovery vi um protótipo que faz 0-100 em quatro segundos, é quase um esportivo, dependendo unicamente de energia elétrica. Já é tempo de algumas montadores porem esses protótipos no mercado, de alguns postos oferecerem abastecimento elétrico.

Quem não quer? As petrolíferas. Pensem, a Petrobrás manda no Brasil. Financia mais que alguns bancos e principalmente, paga muitas das contas do governo. Os principais politicos do pais tem ações da Petrobrás, nada mais inteligente, além defazer da privatização uma grande piada. Então as montadoras freiam.

Trocar de montadoras, inviável. No nordeste há menos, mas vim de São Paulo e sei como cidades inteiras nascem e morrer para abastecer uma montadora. A dependência dos carros e do petróleo chegou à tal égide que não é a montadora que abastece o mercado, é o mercado que abastece a montadora, a montadora abastece a petrolífera e ambos abastecem milhões de pessoas e a economia de paises inteiros.

Durante a troca do petróleo a briga no oriente médio precisará de outras desculpas e o mercado armistício dos Estados Unidos principalmente, precisará de outro cliente, o que será difícil e legamente mais caro.

Eu poderia passar o dia pintando esse quadro mas acho que dei as noções gerais. Ao curso de nossa história surgiram mecanismos venenosos de poder. O resultado são os verões que mataram inocentes na Europa anos atrás, o aumento do nível do mar (olhem a praia de recife) o flagelação da saúde dos habitantes de qualquer centro urbano e uma sociedade viciada, dependente de um mecânismo que vai ruir - o que nos resta é decidir se vamos ou não afundar no barco. E aí faço meu apelo para as montadoras, para as petrolíferas e para os que estudam a energia do Sol e organização sustentável. Está na hora de começar as mudanças, e fazê-las de forma a não causar grandes rombos mas o mais rápido para que salvemos nossa triste existência mais algumas gerações de seu fim.

Um comentário:

Bruna Barros disse...

eu pensei nisso domingo passado de manhã quando vi o auto esporte.