Numa vitrine do shopping Boa Vista, há um ovo de páscoa que custa R$150,00, o ovo é imenso, mas a etiqueta com o preço é quase tão grande quanto. Não cheguei a ver o ovo com meus olhos, me contaram o causo, minha primeira reação foi "e é de ouro é?" a pessoa que me contava enfatisou "mas é enorme o ovo!", "Não importa" disse eu, "fosse de ouro maçiço eu não acreditava no preço. O ovo é algo que que a galinha bota, e nada que uma galinha bota pode ser tão caro".
Agora o impressionante, o absurdo de lúcido foi a resposta de meu interlocutor "É verdade, se fosse tão bom ela guardava para ela e não botava pra fora". Assunto encerrado. Eu desafio qualquer 'intelectual' com vaidade por seus diplomas a atingir a metafísica dessa frase.
Falando em metafísica vou falar de Antonin Artaud. Eu sabia do causo, mas ainda não sabia do conteúdo da crônica até digitar metafísica. Artaud era um louco gerado, pode-se pressupor que sua lucidez era grande ao ponto da clarividência. Assim, quando suas idéias chegaram ao extremo oposto do moralismo hipócrita ele foi internado e tido como louco. Sua loucura era tão lúcida que seu médico no sanatório mantinha correspondência com ele, e o incentivava a escrever e a pensar enquanto o mandava para o eletrochoque "pense num soneto Artaud - enquanto se virava para seu assistente - Mais seis volts, por favor".
Artaud acreditava numa metafísica da cena e qualquer elemento que a compusesse - sonoplastia, cenografia, gesto, voz, raio laser. Eu não acredito em metafísica nenhuma. Mesmo num palco, qualquer ciclo fechado é frívolo. O que ele queria dizer, é claro, é que justamente meu argumento para contradizê-lo: Que nossos excessos de psicologia tornam a ação em cena vazia. Por isso o gesto preciso de um significado. Eis o argumento para a metafísica cênica. Nada mais claro que o diálogo dos loucos.
Além, ele escreveu em francês, e como diria Nelson Rodrigues "Toda idiotice escrita em francês soa como uma verdade absoluta e incontestável, enquanto nós temos que nos esmerar para parecermos inteligentes catando cacos em português" Nem tão verdade, nem tão mentira, não é Nelson?
Falando nele, outro louco. Acabei de ler que em vinte anos desde que seu teatro se iniciara nunca houve um que se manifestasse nas ruas contra a interdição de suas peças pela censura. E no primeiro movimento deste tipo a ser realizado no Brasil, já na ditadura, lá foi ele pedir pela liberação dos espetáculos alheios. Ao lado dos que o chamaram de tarado.
Falando em tarado, nada mais tarado que a imprensa brasileira. E agora hipócrita, antes do jornal limpo, de copydesk, pelo menos havia algum romance e nenhuma pretensão de imparcialidade no jornalismo. Hoje além de parcial, a impresna é hipócrita e insossa. Perdeu tudo numa só tacada. Puro medo da inteligência das classes menos abonadas.
Falando em medo não sei por quê. As classes menos abonadas estão às favas com o jornal. O jornal poderia ser o último reduto estilístico, pelo seu quase anonimato ou ancestralismo. Hoje a informação está na TV, acima de tudo. A internet está chegando, uma nova realidade desponta aos poucos para grupos emergentes. Mas olho para meus pais, olho para as casas dos vizinhos, dos parentes, e choro: Lá está ela, ainda dominando o pensamento.
A TV sim se dá o direito de alguma poesia vendendo idéias, comportamentos e estética em suas novelas, o instrumento mais poderosos de massificação já criado na história da humanidade. Minto? Talvez sim, talvez não.
segunda-feira, março 9
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Um comentário:
decupe a demora da resposta, mas eu sei quem é você e você sabe quem eu sou. uma dica a gente se viu pela primeira vez na habbib's estava eu com uma flor rosa no cabelo. :X
nossa, pra quer um ovo tão caro?! vou ganhar o que comprando esse ovo?!
bêjos.
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