Ecoou no meu ouvido
Um vento vindo do leste
Que as farpas do passado
Inda estão à flor da pele
E eu que apanha os cacos
Que apareciam no caminho
Comecei a andar pra trás
E terminei por dar comigo
De frente
Em retratos antigos
No que herdei dos vícios
E no semblante endurecido
Dos parentes
Ecoou no meu ouvido
Um vento vindo do leste
Que as farpas do passado
Inda estão à flor da pele
O vento segredava
Que tudo que foi esquecido
É mais sensível
Sua própria voz era um silvo
A própria ausência inaudível
A qualquer sentido que não fosse
Um senso de descendência
E destino
Segredou ao pé do ouvido
O vento que vai para oeste
Que o caminho finda no início
E o início se desconhece
Escutei minha sina calado
Foi preciso ir em frente
Acho que já nasci fardado
Para o tempo presente
Muita noite açoitada
Se escondeu na alvorada
Ou partiu pr'ocidente
Com fome de tudo
Com o futuro crescendo
No ventre
Segredou ao pé do ouvido
O vento que vai para oeste
Que o caminho finda no início
E o início se desconhece
Com seu bisturi, o tempo
Me fatiou transverso
Num ser diferente
Do mesmo
Translúcido e turbulento
Momento em que passado
Presente e futuro
Condensam
Nativo estrangeiro
Sei a partida e a chegada
E as chaves no peito
Esperam
Assombrou o meu ouvido
O vento nascido no norte
Que para além do horizonte
Nos aguarda casta a morte
Com as veias ressecadas
Até secarem a fonte
Descobri que tão forte
Quanto a fúria é a farra
Que mais que gêmeas
São siamesas sina e sorte
E ao mundo e ao fundo
A mesma força nos move
Assombrou o meu ouvido
O vento nascido no norte
Que para além do horizonte
Nos aguarda casta a morte
Da mesma forma fremia
Gozo e agonia
Porque da porra ao pó
É tênue a linha
Era mística ventania
Tufão e brisa
Era pesada e quente
A cantiga
Era a espinha turva
Da caatinga
Que meu corpo abrigava
E vertia
Sussurrava em meu ouvido
O vento que ruma ao sul
Que a vida está para a margem
Como o homem está para o rio
Me deslumbrava a cidade
Como um rato desnuda o frio
Sou um passo na estrada
De mais uma casta
De homens vazios
Suporto nos ombros
As mesmas antepassadas chagas
Que suportarão meus filhos
Assim foi, assim será
Por anos a fio
Sussurrava em meu ouvido
O vento que ruma ao sul
Que a vida está para a margem
Como o homem está para o rio
Mas após dada a passada
Não há volta possível
Para onde aponta a pegada
Também aponta o destino
E ficará transformada
A terra marcada
Por onde eu piso
Não era mais que um pio
Esganiçando o além
Se cultivada a memória
Nos une, não sei
Apanhei o que sobrava
Os cacos, as farpas
A folia, a farra
Fui a desforra
E andei
Então, depois de sei lá quanto tempo voltei a usar isso aqui. Tem seu charme. Beijos.
quinta-feira, julho 28
domingo, maio 2
A insaciável miséria humana / Os santos são mesmo uns sádicos
Como é insaciável a miséria humana
A miséria da infertilidade ou
A ausência de sentido nas ações
Fazer um sexo mecânico
A miséria da impotência ou
O excesso de sentidos sem ação
Amar quem não se toca
A miséria da ignorância ou
A ausência de perspectiva para as ações
Ir para não sei
A miséria da consciência ou
O excesso de perspectiva às ações
Saber os prazos do corpo
A miséria da apatia ou
A ausência de gozo ao agir
Cobrar pedágio pela calçada
A miséria da luxúria ou
O excesso de gozo sem ação
Matar-se no bloco
A miséria da ambição ou
A disposição ao outrem das ações
Abandonar a humanidade
Os santos são mesmo uns sádicos
A miséria da infertilidade ou
A ausência de sentido nas ações
Fazer um sexo mecânico
A miséria da impotência ou
O excesso de sentidos sem ação
Amar quem não se toca
A miséria da ignorância ou
A ausência de perspectiva para as ações
Ir para não sei
A miséria da consciência ou
O excesso de perspectiva às ações
Saber os prazos do corpo
A miséria da apatia ou
A ausência de gozo ao agir
Cobrar pedágio pela calçada
A miséria da luxúria ou
O excesso de gozo sem ação
Matar-se no bloco
A miséria da ambição ou
A disposição ao outrem das ações
Abandonar a humanidade
Os santos são mesmo uns sádicos
segunda-feira, março 15
A Queda
Caí
Primeiro caíram meus pés
Pés em que sempre andei
E nunca me levaram a lugar algum
Primeiro eles caíram
Primeiro caíram meus joelhos, essas molas
Que amorteceram meus vôos
E impulsionaram minhas quedas
Primeiro elas caíram
Primeiro caiu minha bacia
Caiu meu sexo
Minha ginga, meu jogo de cintura
Primeiro ela caiu
Primeiro caíram meus braços
Que tanto envolveram o mundo
Sem nunca tê-lo apertado
Primeiro eles caíram
Primeiro caiu meu rosto
Minha face na lama
Minha cara lavada
Primeiro ela caiu
Despenquei
A Tragicomédia ridícula do Devir
O Mito da Caserna onde Glauber é apresentado à Platão
E ambos observam às sombras da realidade objetiva
Da mimese Aristotélica
Os países e suas dívidas estéticas
A sustentabilide na leveza de (não) ser?
O terrorismo poético
As Dionisíacas do Plan(o)alto
O ovo Cósmico
O ovo de Colombo
O ovo Branco
O ovo
E a galinha negra como um Gilberto Freyre
.
.
.
.
Primeiro caíram meus olhos
Que me cegaram ao longo dos anos
Primeiro eles caíram
.
.
.
Primeiro caiu minha boca
Que lambeu tanto e tão pouco
Primeiro ela caiu
.
.
Antes que caíam meus cabelos
Meus pêlos, meus póros
Antes que eles caíam
.
Antes que caíam meus dentes
Minhas unhas, as pedras de meus rins
Antes que elas caíam
Caí antes que caíssem meus nervos
Caí antes que caísse meu tempo
Caí antes mesmo da própria queda
Só depois...
Só depois eu caí
domingo, janeiro 24
A encarnação da saudade
Você para mim é a encarnação da saudade
E teus olhinhos são feitos de pura melancolia
Teus lábios tem o formato de uma nostalgia
As tuas mãos a fôrma de carne da simplicidade
Se tu me abraças eu sei que é pra nunca mais voltar
E quando fecha os olhos, soluça a onda, serena o mar
Suspira no meu ouvido, teu sopro de voz que se distancia
É o fogo do afago, é o fardo do findo, é o fim da linha
O teu silêncio, prenuncio de ausência que logo se anuncia
A fome ficará, do corpo sedento cedendo às minhas mordidas
E quando eu espremo meus dedos fremindo para junto aos teus
Apartas com coragem, pois sabes que agora é a hora do adeus
Dor não tem mais volta, na portão de embarque acena a partida
Da parte que me reparte, pedaços de peito batendo na tua avenida
Cada reencontro é como se fosse nossa última vez
Desfeita nossa fazenda no amor que entreguei a você
E teus olhinhos são feitos de pura melancolia
Teus lábios tem o formato de uma nostalgia
As tuas mãos a fôrma de carne da simplicidade
Se tu me abraças eu sei que é pra nunca mais voltar
E quando fecha os olhos, soluça a onda, serena o mar
Suspira no meu ouvido, teu sopro de voz que se distancia
É o fogo do afago, é o fardo do findo, é o fim da linha
O teu silêncio, prenuncio de ausência que logo se anuncia
A fome ficará, do corpo sedento cedendo às minhas mordidas
E quando eu espremo meus dedos fremindo para junto aos teus
Apartas com coragem, pois sabes que agora é a hora do adeus
Dor não tem mais volta, na portão de embarque acena a partida
Da parte que me reparte, pedaços de peito batendo na tua avenida
Cada reencontro é como se fosse nossa última vez
Desfeita nossa fazenda no amor que entreguei a você
Para G. C.
sexta-feira, janeiro 15
Amor Amado
Para Mara e Florbela
Quero amar, mas quem?
Quero amar ninguém
Quem amar não sei
Amor se foi, não vai
Amor se foi, não vem
Amor pra quem comprar
Amor pra eu te vender
Amor pra dar não tem
Pra quê amor, meu bem?
Amor pra te chorar
Amor pra se sofrer
O amor vai calejar
E te fazer refém
O amor endureceu
O amor entardeceu
E a luz não nos retém
O amor já se esqueceu
Dos filhos na FEBEM
O amor não reza missa
O amor não fala amém
Amor não tem mais dono
O amor é terra infértil
É o homem é ébrio
E não faz bem
domingo, janeiro 10
Declaração
I.
Por uma estética do vício
Pela rima em ruínas
E o pileque do verso
Por um poema dose
Aguardente e conciso
Pelo reverso e o porre
Mais outra, mais outra, outra mais
Até no lírio
Desabrochar o câncer e a cirrose
Pela palavra embriagada
As cinzas do belo
Para as matáforas de sarjeta
Por um vômito da forma
Indigesta e amarga
Por uma métrica em refluxo
Para o verso político
Sincero, ousado
E agressivo
Por um poema
Que dê a cara à tapa
E apanhe de olhos abertos
Por uma estética do vício
Pela rima em ruínas
E o pileque do verso
Por um poema dose
Aguardente e conciso
Pelo reverso e o porre
Mais outra, mais outra, outra mais
Até no lírio
Desabrochar o câncer e a cirrose
Pela palavra embriagada
As cinzas do belo
Para as matáforas de sarjeta
Por um vômito da forma
Indigesta e amarga
Por uma métrica em refluxo
Para o verso político
Sincero, ousado
E agressivo
Por um poema
Que dê a cara à tapa
E apanhe de olhos abertos
domingo, janeiro 3
Lucky in the Strike with Diamond
O dremelgas literária, grupo de pessoas gostosas do qual orgulhosamente faço parte, realizou hoje, dia não sei quanto de janeiro em não sei que lugar da semana, a sua confraternização com o amigo secreto poético. Onde foram oferecidos poemas da melhor qualidade e procedência como presentes. Esse que segue é o poema que ganhei da gostosíssima (superlativo machadiano) Renata Santana. Muito obrigado.
Lucky in the Strike with Diamond
Olha que
Cut cut cult
andando pela avenida onde o salto parafina
Pára, fina, e
acende logo o Lucky Strike que
Tão logo a noite termina
Termina em beijo
em caso
em amasso
Amassa esse cigarro
os meninos as meninas
A massa
O sucesso
vaselina
Eu quero mais:
Eu quero o brilho e misancene do espetáculo
Eu vou comer o teu rabo o teu ato
e poesia
Eu sugo essa sua mais antropia e cuspo
num copo de plástico
dessa noite furta-cor
Amarelo no Derby azul incolor
Eu colosso roendo o osso da noite preta
e pobre
Lucky in the Strike with Diamond
Olha que
Cut cut cult
andando pela avenida onde o salto parafina
Pára, fina, e
acende logo o Lucky Strike que
Tão logo a noite termina
Termina em beijo
em caso
em amasso
Amassa esse cigarro
os meninos as meninas
A massa
O sucesso
vaselina
Eu quero mais:
Eu quero o brilho e misancene do espetáculo
Eu vou comer o teu rabo o teu ato
e poesia
Eu sugo essa sua mais antropia e cuspo
num copo de plástico
dessa noite furta-cor
Amarelo no Derby azul incolor
Eu colosso roendo o osso da noite preta
e pobre
E isso é Grotowski, meu bem.
Detesto noite que vai, me testa na noite que vem!
E não traz
O sol pro meu tablado, que eu ando
Encharcado sem grana sem sarro,
E subo e rezo e durmo
Seu aplauso
No meu apartamento quadrado
Detesto noite que vai, me testa na noite que vem!
E não traz
O sol pro meu tablado, que eu ando
Encharcado sem grana sem sarro,
E subo e rezo e durmo
Seu aplauso
No meu apartamento quadrado
sábado, janeiro 2
Exercício n°1
Três balões
Um balaustre
Em homenagem
À cidadãos ilustres
Do lixão
Lixei as unhas
Nas manicures
Para as colunas
Tintura e lustre
Da profissão
Joguei no lixo
Luz amiúde
Da minha fossa
Tem quem me busque
Na escuridão
Soltei no espaço
As plenitudes
Planei no vento
Caí no Louvre
Não tinha chão
Toda essa arte
Tem quem a use
Se as rejeito
Tu que abuse
Da podridão
Perdi os dentes
Não me açuque
Vazei contente
Pelos açudes
Da plantação
Não me entendem
As mendicantes
Viver na Terra
É o céu de Dante
Demente cão
Cansei do verso
De riso errante
Rasguei cadernos
Um claro instante
De ilusão
Tão lasso e belo
O céu cortante
Sereno elo
Dos navegantes
Coa criação
Crê no exército
Luar berrante
Éramos cegos
E retirantes
Do coração
Mas no erguemos
Pelas estantes
Arranha o cello
Tão dissonante
Acordeom
Entre elementos
Dos elefantes
Lembrei dos egos
E os amantes
Enfrentarão
A dor dos morros
E dos tenentes
Mas tentei tanto
Tentei somente
Ter tua mão
Brindei os dias
De reis ausentes
Quantos critérios
Nos dão semente
E irrigação
Pede aplauso
Pede contente
Coa dor que marca
Como corrente
Esta prisão
Um balaustre
Em homenagem
À cidadãos ilustres
Do lixão
Lixei as unhas
Nas manicures
Para as colunas
Tintura e lustre
Da profissão
Joguei no lixo
Luz amiúde
Da minha fossa
Tem quem me busque
Na escuridão
Soltei no espaço
As plenitudes
Planei no vento
Caí no Louvre
Não tinha chão
Toda essa arte
Tem quem a use
Se as rejeito
Tu que abuse
Da podridão
Perdi os dentes
Não me açuque
Vazei contente
Pelos açudes
Da plantação
Não me entendem
As mendicantes
Viver na Terra
É o céu de Dante
Demente cão
Cansei do verso
De riso errante
Rasguei cadernos
Um claro instante
De ilusão
Tão lasso e belo
O céu cortante
Sereno elo
Dos navegantes
Coa criação
Crê no exército
Luar berrante
Éramos cegos
E retirantes
Do coração
Mas no erguemos
Pelas estantes
Arranha o cello
Tão dissonante
Acordeom
Entre elementos
Dos elefantes
Lembrei dos egos
E os amantes
Enfrentarão
A dor dos morros
E dos tenentes
Mas tentei tanto
Tentei somente
Ter tua mão
Brindei os dias
De reis ausentes
Quantos critérios
Nos dão semente
E irrigação
Pede aplauso
Pede contente
Coa dor que marca
Como corrente
Esta prisão
domingo, dezembro 20
Os beijinhos de C.
"Os beijinhos de C." é um poema safadinho e perigoso de publicar. Mas eu tinha que publicar que ele é um poema que tem me agoniado faz um tempo. Também que eu gosto de uma polêmica e tudo que é perigoso costuma ser polêmico. Para evitar expor a pessoa que inspirou esse poema suprimi seu nome e mantive apenas a primeira letra. Para os curiosos uma dica: O nome rima com o segundo verso da primeira e segunda estrofes e com o quarto verso da última estrofe.
Os beijinhos de C.
Que falta me fazem os versos
Que falta me fazem as rimas
Mas o que mais me faz falta
São os beijinhos de C.
Pois posso viver sem os versos
Pois posso viver sem as rimas
Mas não sei se posso viver
Sem os beijinhos de C.
Beijinho que é todo dengoso
Beijinho cheio de tempero
Que o gosto amargo dos anos
Varreu e dele mal lembro
Mas ficam teus lábios impressos
Na carne macia da boca
E minha pele 'inda treme
Por teus dedos frios de raposa
O segredo da falta que fazem
Esses beijinhos de C.
É que mais que rima e verso
São eles a minha poesia
Os beijinhos de C.
Que falta me fazem os versos
Que falta me fazem as rimas
Mas o que mais me faz falta
São os beijinhos de C.
Pois posso viver sem os versos
Pois posso viver sem as rimas
Mas não sei se posso viver
Sem os beijinhos de C.
Beijinho que é todo dengoso
Beijinho cheio de tempero
Que o gosto amargo dos anos
Varreu e dele mal lembro
Mas ficam teus lábios impressos
Na carne macia da boca
E minha pele 'inda treme
Por teus dedos frios de raposa
O segredo da falta que fazem
Esses beijinhos de C.
É que mais que rima e verso
São eles a minha poesia
terça-feira, dezembro 15
O Tambor da Tribo
O tambor da tribo não pára
Nem coa novena do padre
Nem na Andaluza mortalha
Verde e rubro estandarte
Na ilha da Santa Cruzada
Mataram Tupã sem alarde
Muraram a'mplidão de sua casa
O tambor da tribo não pára
Nem com o Pêlo do escambo
Além, muito além da lei Áurea
Chegaram batuques de Congo
Romperam correntes e jaulas
Nos chama às armas de Xangô
Acende ao som da senzala
O tambor da tribo não pára
Punks cult anarco bambas
Os becos são novas senzalas
Olinda tem roda de samba
Que quebra nas moças de Barra
Nas praias de Porto balança
A chapa é quente e escalda
O tambor da tribo da pára
Nem coa novena do padre
Nem na Andaluza mortalha
Verde e rubro estandarte
Na ilha da Santa Cruzada
Mataram Tupã sem alarde
Muraram a'mplidão de sua casa
O tambor da tribo não pára
Nem com o Pêlo do escambo
Além, muito além da lei Áurea
Chegaram batuques de Congo
Romperam correntes e jaulas
Nos chama às armas de Xangô
Acende ao som da senzala
O tambor da tribo não pára
Punks cult anarco bambas
Os becos são novas senzalas
Olinda tem roda de samba
Que quebra nas moças de Barra
Nas praias de Porto balança
A chapa é quente e escalda
O tambor da tribo da pára
sexta-feira, novembro 27
A Máquina
A máquina:
Correia
Pistão
Engrenagem
E gangrena
Sou máquina:
Forma
Fôrma
Pavio
E fogo
-
Carne
Carvão
Lenha
E forno
Fornalha
Fornece
À máquina
Mecânica
Severa
Servente,
A máquina
Me lava
Me veste
Enxágua
Enxuga
E ampara
A máquina:
Me chama
Me ama
Me esquenta
Consola
E abraça
A máquina
Tornou-se
Meu céu
Meu lar
Minha casa
Minha mãe
Meu pai
Minha amada
No centro
A máquina
Amada
Minha amada
Máquina
No centro
Eu dentro
Da máquina,
-
Fornalha
Esquentando
Entrando
Lambendo
Óleo e álcool
Correndo...
Descendo...
Do aço
Ao sexo
Do pistão
De aço
E ferro
Eu
A máquina
O sexo
Eu
Faço sexo
A máquina
Faz sexo
Eu: A máquina
A máquina: Eu
Mecânico
E certeiro,
Programa
Exato
Resete
Do senso
Da pele
E do tato
Delete
Da carne
Da crença
E do feto
Afeto
Defeito
Digito
Dejeto
De chips
De pulso
De resto
A máquina
Fibra ótica
Acetona
E fermento
A máquina
Martelo
E prego
Não pára
Pistão
Não cessa
Prisão
Não rende
Sistema,
Não pensa
A máquina
Não sente
Processa
Precede
Pressinto
O delete
Da raça
Pressinto
A fúria
Da máquina
O magma
Do aço
E do ferro
-
Fervendo
No vento
A folha
De oxigênio
Pistão
Pistilo
Sultão
Sigilo
Ser ventre
Sertão
A máquina
Da seca
A máquina
Da fome
Pistola
Miséria
Fôrma
Do espinho
Engrenagem
Circuito
Sistema
Antena
Serviço
Encaixe
No dente
Com dente
Com placa
Na placa
-
Do sino
Sinal
E ciclo
Desisto
Circuito
Circuito
Mouse
Fone
Tela
Teclado
E modem
A máquina
Escraviza
Minha hora
Minhas noites
A vida
Afora
Já foram
Nos fóruns
-
Da máquina
Nos chats
Da máquina
No msn
Da máquina
No orkut
Da máquina
Meu tempo
Jogado
Fora
No vício
Da máquina:
Escrava
Sedenta
Da carne
Do homem
Sou homem:
Humana
Máquina
Humano
Circuito,
Sistema
De pele
Osso
E tempo
Gatilho
Sedento
De verme
Programa
De código
Genético
Máquina
Corpo
E siso
Abandono
Correia
Engrenagem
Gangrena
De dente
Com dente
A máquina
Martela
Martela
Martela
E mata
Na sede
Na seca
Na ausência
D'água
No fim
Do fim:
Meu ser
Engrenagem
Gangrena
Desespero
E pó
Correia
Pistão
Engrenagem
E gangrena
Sou máquina:
Forma
Fôrma
Pavio
E fogo
-
Carne
Carvão
Lenha
E forno
Fornalha
Fornece
À máquina
Mecânica
Severa
Servente,
A máquina
Me lava
Me veste
Enxágua
Enxuga
E ampara
A máquina:
Me chama
Me ama
Me esquenta
Consola
E abraça
A máquina
Tornou-se
Meu céu
Meu lar
Minha casa
Minha mãe
Meu pai
Minha amada
No centro
A máquina
Amada
Minha amada
Máquina
No centro
Eu dentro
Da máquina,
-
Fornalha
Esquentando
Entrando
Lambendo
Óleo e álcool
Correndo...
Descendo...
Do aço
Ao sexo
Do pistão
De aço
E ferro
Eu
A máquina
O sexo
Eu
Faço sexo
A máquina
Faz sexo
Eu: A máquina
A máquina: Eu
Mecânico
E certeiro,
Programa
Exato
Resete
Do senso
Da pele
E do tato
Delete
Da carne
Da crença
E do feto
Afeto
Defeito
Digito
Dejeto
De chips
De pulso
De resto
A máquina
Fibra ótica
Acetona
E fermento
A máquina
Martelo
E prego
Não pára
Pistão
Não cessa
Prisão
Não rende
Sistema,
Não pensa
A máquina
Não sente
Processa
Precede
Pressinto
O delete
Da raça
Pressinto
A fúria
Da máquina
O magma
Do aço
E do ferro
-
Fervendo
No vento
A folha
De oxigênio
Pistão
Pistilo
Sultão
Sigilo
Ser ventre
Sertão
A máquina
Da seca
A máquina
Da fome
Pistola
Miséria
Fôrma
Do espinho
Engrenagem
Circuito
Sistema
Antena
Serviço
Encaixe
No dente
Com dente
Com placa
Na placa
-
Do sino
Sinal
E ciclo
Desisto
Circuito
Circuito
Mouse
Fone
Tela
Teclado
E modem
A máquina
Escraviza
Minha hora
Minhas noites
A vida
Afora
Já foram
Nos fóruns
-
Da máquina
Nos chats
Da máquina
No msn
Da máquina
No orkut
Da máquina
Meu tempo
Jogado
Fora
No vício
Da máquina:
Escrava
Sedenta
Da carne
Do homem
Sou homem:
Humana
Máquina
Humano
Circuito,
Sistema
De pele
Osso
E tempo
Gatilho
Sedento
De verme
Programa
De código
Genético
Máquina
Corpo
E siso
Abandono
Correia
Engrenagem
Gangrena
De dente
Com dente
A máquina
Martela
Martela
Martela
E mata
Na sede
Na seca
Na ausência
D'água
No fim
Do fim:
Meu ser
Engrenagem
Gangrena
Desespero
E pó
segunda-feira, novembro 9
Ode à mulher vanguardista
Mulheres, montanhas de pele
Encarnada, encantadas
Qual o quê? Desgraçadas
Que a tragédia as aguarda
A tragédia da indiferença
A tragédia de não saber, de não ser
E sexismos nas costas, de duas guerras
E muito trabalho, malditas sejam
Suas lágrimas, perdição do homem
E mais ainda da raça
A doce maçã vitimada na cobra
Na mãe Joana, tem muita mulher
Afogada na lama, a luxuria do duplo
A beleza das camas, as cores vibrantes
Da cobra e do peixe as escamas
Do urucum a imagem
Das ancas, das saias
Se saia! Mal chega e esvoaça
Com a ponta dos saltos
Derruba esta casa
E a boca matraca fuxica galinha
Não pára
Não cála
Só fala e fala e fala e fala e
Estraga e amarga
Num beijo estranho de língua afiada
Tal faca, mulher, tua língua
É aço de navalha
É pura soda cáustica
O fim absoluto de toda masculina
Lógica
Encarnada, encantadas
Qual o quê? Desgraçadas
Que a tragédia as aguarda
A tragédia da indiferença
A tragédia de não saber, de não ser
E sexismos nas costas, de duas guerras
E muito trabalho, malditas sejam
Suas lágrimas, perdição do homem
E mais ainda da raça
A doce maçã vitimada na cobra
Na mãe Joana, tem muita mulher
Afogada na lama, a luxuria do duplo
A beleza das camas, as cores vibrantes
Da cobra e do peixe as escamas
Do urucum a imagem
Das ancas, das saias
Se saia! Mal chega e esvoaça
Com a ponta dos saltos
Derruba esta casa
E a boca matraca fuxica galinha
Não pára
Não cála
Só fala e fala e fala e fala e
Estraga e amarga
Num beijo estranho de língua afiada
Tal faca, mulher, tua língua
É aço de navalha
É pura soda cáustica
O fim absoluto de toda masculina
Lógica
segunda-feira, outubro 19
prece para a noite de 17/10/09
Senhor,
Me faltam as palavras para falar da mulher amada
Mas o violão tem chorado muito, obrigado
Como se as cordas vibrassem melhor
Se as toco com os dedos melados de amor
E que melaço esse amor que me arranjasse
Senhor,
Que está difícil fazer as coisas mais simples
Trabalhar mesmo anda um verdadeiro suplício
Tudo que faço e quero é chorar nas cordas
As belas cordas da minha viola
Que por fazerem sons puros e belos
São o elo mais forte que tenho com minha amada
Que mora longe
O que é um saco!
Mas só a voz melódica da viola, somente ela
Pois não há palavra ou poema
Ou que quer que seja
Que eu possa fazer agora, angustiante hora
De inércia da mente, onde o corpo vaza
E o peito é uma bomba relógio
Que hora esse ócio!
Devia ter esperado
Às vezes arrependo por não ter adiado
Esse amor mais um cadinho
Ando tão ocupado, meu Deus!
Tão ocupado!
Que talvez não fosse hora
De ter me apaixonado
Mas agora o mal já está malfadado
E confirmado por testemunhas
E só nelas que penso
Não nas testemunhas
Mas nela nela
Nela a donzela
Nela a imagem
Repetida ao infinito da minha passarela
Aí Senhor, daí forças
Para pensar em outras coisas
Pensar em coisas boas
E produtivas
Que este amor está repleto
Em minhas retinas
Alguém deveria ter me detido
Quando todos me incentivaram
Senhor, agora, o que eu faço?
Me matar não me mato, não sou tão fraco
Mas quanta irresponsabilidade
Quanta leseira
Essa mulher, agora eu sei
Deve ser feiticeira
Aí que feitiço!
Que não penso em mais nada
Que só vejo o momento
De gritar: Amada!
Já há tanto desejada
Já há tanto esperada
E agora presente
Agora cara à cara
Face à face
Tapa à tapa
Em beijos sem fim
Aí de mim! Aí de mim!
Que ridículo, que pateta
Me sinto com dez anos de idade
Minhas experiências no amor:
Tudo que aconteceu antes
Meus versos de Vinícius
Um Gregório de Matos
Foi tudo por água abaixo
Tudo parece tão inútil
E tão infértil
Se comparado à essa memória viva e pagã
De tua saliva sabor minério
Sabor matéria e deletério
Sabor ácido sulfúrico
Lírico
Onírico
E único
Olha quanto devaneio, olha quanto discurso!
Senhor, me tira dessa fossa!
Não por mim, mas pelas pessoas
Que de mim dependem, não faço mais nada
Não lavo nem uma louça
Não leio nem um livro
Não escrevo meia linha
Que não comece com:
Amada, desejada, querida...
E diminutivos terríveis
Impensáveis!
Senhor, eu tô lascado!
Vou ouvir não vai ser pouco
Serei martirizado,
Vagabundo! Aluado! Irresponsável
E ninguém entederá, nunca
Que de todos os adjetivos
Só me interessa
O que os resume:
Apaixonado!
E por amar demais
E fazer de menos...
Pelos colegas de trabalho
Amigos
E professores
Serei crucificado.
Aí Senhor, que saco!
Esse coração apertado
Batendo com a gota
Agourento
Apaixonado...
terça-feira, setembro 29
Noitango
Está escuro
E os cães cortam o pátio
Dançam um tango de patas trocadas
Em meio ao fumo dourado das lâmpadas
Está denso, fechado
A alma do prédio sabe à fome das formigas
E o som de um piano toca na escuridão
Como tocam em silêncio nossas mãos amigas
Um diamante míngua na ronda da noite
Está escuro:
- São as horas, meu amor, são as horas!
- Meu Deus, meu Deus, já são que horas?
- Já a noite avançou, absurda senhora.
O orvalho perfuma a chegada da aurora
E o dia é a faca para irmos embora.
- Por favor, adiemos a luz por agora
E cantemos na treva a última trova
Surdamente:
- Tremendo o assovio do lábio que chora
Na última nota:
- Tremendo o assovio do lábio que chora
Está frio, está fosco
Uma névoa atravessa e recorta as cortinas
O dia ainda não está aqui
Mas sua sombra desenha
Onde os cachorros dançaram antes
Havia um vento que pesava à matéria
E um roçar que enroscava na alma
Também havia a impressão de seu rosto
Nítida como um gosto de pele
Estou breve, clareando
Como um tempo que retorna ao foco
Ou um véu que rompe o espaço
Diáfano
Os ponteiros me roubam a impressão de teus lábios
Trágico
Ecoa na pele o calor de outro corpo
Encontro
Uma buzina dilata o horizonte
Distante
Um som de pneu recompõe o quadro
Pedaço
Um gume de sol esfarela o tango
Pranto
Os dedos se partem como a quebra do átomo
Rádio
O fim da história é um fade em branco
Branco
E há muito os cães abandonaram o pátio
E os cães cortam o pátio
Dançam um tango de patas trocadas
Em meio ao fumo dourado das lâmpadas
Está denso, fechado
A alma do prédio sabe à fome das formigas
E o som de um piano toca na escuridão
Como tocam em silêncio nossas mãos amigas
Um diamante míngua na ronda da noite
Está escuro:
- São as horas, meu amor, são as horas!
- Meu Deus, meu Deus, já são que horas?
- Já a noite avançou, absurda senhora.
O orvalho perfuma a chegada da aurora
E o dia é a faca para irmos embora.
- Por favor, adiemos a luz por agora
E cantemos na treva a última trova
Surdamente:
- Tremendo o assovio do lábio que chora
Na última nota:
- Tremendo o assovio do lábio que chora
Está frio, está fosco
Uma névoa atravessa e recorta as cortinas
O dia ainda não está aqui
Mas sua sombra desenha
Onde os cachorros dançaram antes
Havia um vento que pesava à matéria
E um roçar que enroscava na alma
Também havia a impressão de seu rosto
Nítida como um gosto de pele
Estou breve, clareando
Como um tempo que retorna ao foco
Ou um véu que rompe o espaço
Diáfano
Os ponteiros me roubam a impressão de teus lábios
Trágico
Ecoa na pele o calor de outro corpo
Encontro
Uma buzina dilata o horizonte
Distante
Um som de pneu recompõe o quadro
Pedaço
Um gume de sol esfarela o tango
Pranto
Os dedos se partem como a quebra do átomo
Rádio
O fim da história é um fade em branco
Branco
E há muito os cães abandonaram o pátio
Para Astor e Patrícia
segunda-feira, setembro 28
Domingo, onze e meia da noite
Para quem ligo e confesso minha saudade? Para as mulheres que me abandonaram ou para as que abandonei? Para os amigos que me esqueceram ou para os que esqueci? Na verdade, entre mortos e feridos ninguém é inocente.
Não há inocência, nem trégua. Para o coração iniciado nas batalhas do amor todos os dias são dias de guerra, de luta árdua e inútil como são sempre os conflitos armados e o coração bate ao som das marchas militares se questionando se hoje é dia de morrer ou de matar.
Assim, neste quarto silêncioso e sem vida, meu coração é como o soldado já tão habituado às batalhas que só encontra paz no barulho das granadas e entre o aço das espadas. Que se entende vivo por ver a morte nos olhos, bem de perto.
Neste quarto de paredes brancas e luz fria, neste silêncio sepulcral, sinto definhar como muralhas a flor desta lira.
Como os domingos são tediosos, meu Deus! E esse telefone que não toca, esse e-mail que não chega! Queria que meus amigos entendessem que não ligo para eles porque tenho pudores de incomodá-los de meia em meia hora com minhas carências. Meus afetos, modéstia aparte, são pessoas importantes e ocupadas, tenho vergonha de querê-los só pra mim, para os carinhos que venho guardando de meia em meia hora, para toda essa saudade cá comigo, a fim de vazar.
Queria mesmo que eles pressentissem, por esses mistérios da amizade, minha saudade e lembrassem de mim. Talvez verdadeiras amizades não devessem ter pudores, e as mulheres que fiz sofrer não mais sofressem e as pelas quais sofri se arrependessem. Mas aí já é querer demais.
Vou dormir, amanhã é outro Sol.
Não há inocência, nem trégua. Para o coração iniciado nas batalhas do amor todos os dias são dias de guerra, de luta árdua e inútil como são sempre os conflitos armados e o coração bate ao som das marchas militares se questionando se hoje é dia de morrer ou de matar.
Assim, neste quarto silêncioso e sem vida, meu coração é como o soldado já tão habituado às batalhas que só encontra paz no barulho das granadas e entre o aço das espadas. Que se entende vivo por ver a morte nos olhos, bem de perto.
Neste quarto de paredes brancas e luz fria, neste silêncio sepulcral, sinto definhar como muralhas a flor desta lira.
Como os domingos são tediosos, meu Deus! E esse telefone que não toca, esse e-mail que não chega! Queria que meus amigos entendessem que não ligo para eles porque tenho pudores de incomodá-los de meia em meia hora com minhas carências. Meus afetos, modéstia aparte, são pessoas importantes e ocupadas, tenho vergonha de querê-los só pra mim, para os carinhos que venho guardando de meia em meia hora, para toda essa saudade cá comigo, a fim de vazar.
Queria mesmo que eles pressentissem, por esses mistérios da amizade, minha saudade e lembrassem de mim. Talvez verdadeiras amizades não devessem ter pudores, e as mulheres que fiz sofrer não mais sofressem e as pelas quais sofri se arrependessem. Mas aí já é querer demais.
Vou dormir, amanhã é outro Sol.
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terça-feira, maio 5
A bailarina sem corpo
Uia, quanto tempo que não escrevo aqui. Primeiro espero com todas as forças aqui no blog uma "crônica dos brothers" escrita por Túlio Albuquerque, com muita idealização do Túlio, o primeiro romântico do novo século.
Falando no novo século, festival do Palco Giratório acontecendo na cidade com muitas apresentações de tudo cunté tipo de coisa, o link para a programação é esse:
http://www.sesc-pe.com.br/palco_2009/index.asp
Confiram. Falando no palco vou falar também da politicagem que invade e corrompe a arte, que só é pura enquanto é pobre. A peça de estréia foi "Castanha sua cor", do grupo Grial Recife, que nunca ouvi falar antes, dito dança contemporânea, dirigido por Maria Paula Costa Rêgo e Eric Valença, com uma mulher chamada Maria Paula no elenco, que nunca ouvi falar, ignorância minha, claro. Música de Helder vasconcelos e Direção de arte de Dantas Suassuna.
Quanto ao espetáculo, é uma porcaria. O que me faz conjecturar que as celebridades na produção são as responsáveis pela blindagem do espetáculo à curadoria do palco giratório, de qualidade incontestável, ou talvez cujo único fraco seja a política, câncer da humanidade.
Maria Paula, seja ela quem for, é uma bailarina gorda, caucasiana e despreparada, cujo corpo não responde com a prontidão e energia necessárias a quem se diz uma bailarina, e sua exposição no palco foi, por baixo, vergonhosa. Além, seu figurino era sumário da cintura para baixo, o que apenas ressaltava sua inconsciência corporal.
Não estou dizendo que os bailarinos devem ser todos magros e músculosos, mas devem, e é sim dever de qualquer bailarino, assim como é dever do ator representar com verdade, ser cônscio do próprio corpo, não são as celulites da bailarina que são feias, é ela fingir que não as tem e querer agir como se não as tivesse. Se o corpo dela tem limitações, como o de todo mundo, ela deveria, óbvio, usar essas limitações, pois ao ignorá-las, elas a traem.
Sem falar que esses espetáculos contemporâneos sempre correm o risco de serem 'esquisitos' e esse foi, uma amiga minha saiu dizendo "me senti burra, não entendi nada", e não é pela falta de conhecimento do público, é pela má organização do espetáculo; que não precisa ser verborrágico, mas deve, no mínimo, ser claro e verdadeiro em seus signos, e eles passaram longe disso.
Quem salvou meu tédio foi Sebastião Martelo, mestre de cavalo marinho que fazia ele mesmo mas fazia muito bem e foi ovacionado da maneira correta, em contraponto à bailarina, que se recebeu duas palmas deveria dormir feliz.
Falando no novo século, festival do Palco Giratório acontecendo na cidade com muitas apresentações de tudo cunté tipo de coisa, o link para a programação é esse:
http://www.sesc-pe.com.br/palco_2009/index.asp
Confiram. Falando no palco vou falar também da politicagem que invade e corrompe a arte, que só é pura enquanto é pobre. A peça de estréia foi "Castanha sua cor", do grupo Grial Recife, que nunca ouvi falar antes, dito dança contemporânea, dirigido por Maria Paula Costa Rêgo e Eric Valença, com uma mulher chamada Maria Paula no elenco, que nunca ouvi falar, ignorância minha, claro. Música de Helder vasconcelos e Direção de arte de Dantas Suassuna.
Quanto ao espetáculo, é uma porcaria. O que me faz conjecturar que as celebridades na produção são as responsáveis pela blindagem do espetáculo à curadoria do palco giratório, de qualidade incontestável, ou talvez cujo único fraco seja a política, câncer da humanidade.
Maria Paula, seja ela quem for, é uma bailarina gorda, caucasiana e despreparada, cujo corpo não responde com a prontidão e energia necessárias a quem se diz uma bailarina, e sua exposição no palco foi, por baixo, vergonhosa. Além, seu figurino era sumário da cintura para baixo, o que apenas ressaltava sua inconsciência corporal.
Não estou dizendo que os bailarinos devem ser todos magros e músculosos, mas devem, e é sim dever de qualquer bailarino, assim como é dever do ator representar com verdade, ser cônscio do próprio corpo, não são as celulites da bailarina que são feias, é ela fingir que não as tem e querer agir como se não as tivesse. Se o corpo dela tem limitações, como o de todo mundo, ela deveria, óbvio, usar essas limitações, pois ao ignorá-las, elas a traem.
Sem falar que esses espetáculos contemporâneos sempre correm o risco de serem 'esquisitos' e esse foi, uma amiga minha saiu dizendo "me senti burra, não entendi nada", e não é pela falta de conhecimento do público, é pela má organização do espetáculo; que não precisa ser verborrágico, mas deve, no mínimo, ser claro e verdadeiro em seus signos, e eles passaram longe disso.
Quem salvou meu tédio foi Sebastião Martelo, mestre de cavalo marinho que fazia ele mesmo mas fazia muito bem e foi ovacionado da maneira correta, em contraponto à bailarina, que se recebeu duas palmas deveria dormir feliz.
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terça-feira, abril 21
Tiradentes
Prece nº21
Senhor, que onde ela existir eu exista
E as distâncias sejam todas destruídas
E os quilometros não mais contem
E os dias não mais atrasem
Para que nossa presença seja completa
E eu possa existir na pele dela
Como ela existe no meu sangue
Pai, que o tempo da ausência
Seja dias, meses ou anos
Nunca passe de um suspiro
Se comparado ao reencontro
E que todas as barreiras caiam
E os muros de pedra virem areia
A dançar no som de minhas músicas
Futuras e passadas. Que o som presente
Seja o estalo de nossos lábios
O ranger de nossas unhas
O roçar de nossas pernas
E o suspiro de nosso olhos
Apenas
Lorde, fazei do dia de hoje
O laço invisível de nosso amor
E me ata nos pensamentos da mulher amada
Para que mesmo distante
Eu possa senti-la, acaso sofra
Acarinhá-la, acaso chore
Ir, acaso chame
Amém
Senhor, que onde ela existir eu exista
E as distâncias sejam todas destruídas
E os quilometros não mais contem
E os dias não mais atrasem
Para que nossa presença seja completa
E eu possa existir na pele dela
Como ela existe no meu sangue
Pai, que o tempo da ausência
Seja dias, meses ou anos
Nunca passe de um suspiro
Se comparado ao reencontro
E que todas as barreiras caiam
E os muros de pedra virem areia
A dançar no som de minhas músicas
Futuras e passadas. Que o som presente
Seja o estalo de nossos lábios
O ranger de nossas unhas
O roçar de nossas pernas
E o suspiro de nosso olhos
Apenas
Lorde, fazei do dia de hoje
O laço invisível de nosso amor
E me ata nos pensamentos da mulher amada
Para que mesmo distante
Eu possa senti-la, acaso sofra
Acarinhá-la, acaso chore
Ir, acaso chame
Amém
segunda-feira, abril 20
Apresentando-me!
Olá a todos!! Bem, como Diogo disse, ele abriu o blog dele (só o blog) para outras pessoas, convidadas, postarem, e eu sou uma delas.
Meu nome é Onirê, tenho 20 anos, e sou um orc que sofre alguns surtos filosóficos de vez em quando (principalmente depois de uma cerveja - que, álias, me proporciona o melhor jeito de ficar bêbado - e outros sucos etílicos). Como Diogo é uma bi... Quero dizer, um rapaz muito ocupado, eu de vez em quando venho postar alguma loucura por aqui. Espero que cês curtam, e ajudem-me a tornar-me um escritor mais decente. XD
Enfim...
Fui povo.
o/
Meu nome é Onirê, tenho 20 anos, e sou um orc que sofre alguns surtos filosóficos de vez em quando (principalmente depois de uma cerveja - que, álias, me proporciona o melhor jeito de ficar bêbado - e outros sucos etílicos). Como Diogo é uma bi... Quero dizer, um rapaz muito ocupado, eu de vez em quando venho postar alguma loucura por aqui. Espero que cês curtam, e ajudem-me a tornar-me um escritor mais decente. XD
Enfim...
Fui povo.
o/
domingo, abril 19
No dia seguinte
Somos cínicos emocionais. Conceito do novo século, se o século XX será lembrado como os cem anos da velocidade absurda, do liberalismo e mecanização de nosso ser emocional. O novo século ressurge resgatando o valor do sentimento, relegado ao segundo plano, mas juntando-o com as 'asinhas de fora' que ganhamos anteriormente. Afinal, é difícil pensar em amor e moral como pensávamos antes da queima dos sutiãs, da eleição de Obama e coisas parecidas.
Isso porque somos todos uns antigos, quando digo todos, me refiro logicamente aos ratos. Túlio mesmo, é tão antigo que digita no teclado catando milho, quer dizer, feijão, acabo de ser informado que no sudeste se cata milho e nordeste feijão, ou fava, ou o que for.
Enfim, não dá pra dizer que quem ouve Chico Buarque nos tempos de João do Morro é um antenado, deixamos esse legado para os mangue boys. Não tenho certeza se fazemos por bem ou mal, mas às vezes somos verdadeiras personagens de "Álbum de Família" de mestre Nelson. É um tal amor que fulano que estava com cicrana ontem, hoje conheceu Beltrana, e levou ela para casa no meio da favela de Candeias, tão excitado que teve que dormir com ela, nem que fosse por uma noite.
Ou então às vezes estamos perdidos, sem ter quem amar - além de todo mundo, mas amar todo mundo também cansa - e temos que olhar para quem está só e dizer coisas como "Seu cabelo é tão volumoso" e beijar, como quem não tem mais amor para conter, como quem precisa se dar.
Onde está o cinismo? No dia seguinte contar tudo a todos, sem pudor, aí temos um traço do cinismo emocional; No dia seguinte olhar para todos com a cara mais lavada do mundo, fingindo que nada aconteceu; No dia seguinte voltar para a casa de antigos amores e passar horas lá, enquanto chove, fingindo que nada aconteceu.
Por quê, meu Deus, por quê: Como amar a todos amando um de cada vez? Por isso somos cínicos emotivos, por isso Chico Buarque vem nos salvar, de vez em quando pelo menos.
P.S - Dentro da nova proposta (ou propósta) comunitária do blog, essa crônica é escrita e assinada por Bruna Barros e Diogo Testa.
Isso porque somos todos uns antigos, quando digo todos, me refiro logicamente aos ratos. Túlio mesmo, é tão antigo que digita no teclado catando milho, quer dizer, feijão, acabo de ser informado que no sudeste se cata milho e nordeste feijão, ou fava, ou o que for.
Enfim, não dá pra dizer que quem ouve Chico Buarque nos tempos de João do Morro é um antenado, deixamos esse legado para os mangue boys. Não tenho certeza se fazemos por bem ou mal, mas às vezes somos verdadeiras personagens de "Álbum de Família" de mestre Nelson. É um tal amor que fulano que estava com cicrana ontem, hoje conheceu Beltrana, e levou ela para casa no meio da favela de Candeias, tão excitado que teve que dormir com ela, nem que fosse por uma noite.
Ou então às vezes estamos perdidos, sem ter quem amar - além de todo mundo, mas amar todo mundo também cansa - e temos que olhar para quem está só e dizer coisas como "Seu cabelo é tão volumoso" e beijar, como quem não tem mais amor para conter, como quem precisa se dar.
Onde está o cinismo? No dia seguinte contar tudo a todos, sem pudor, aí temos um traço do cinismo emocional; No dia seguinte olhar para todos com a cara mais lavada do mundo, fingindo que nada aconteceu; No dia seguinte voltar para a casa de antigos amores e passar horas lá, enquanto chove, fingindo que nada aconteceu.
Por quê, meu Deus, por quê: Como amar a todos amando um de cada vez? Por isso somos cínicos emotivos, por isso Chico Buarque vem nos salvar, de vez em quando pelo menos.
P.S - Dentro da nova proposta (ou propósta) comunitária do blog, essa crônica é escrita e assinada por Bruna Barros e Diogo Testa.
sexta-feira, abril 17
Chamado Ratatônico de Praia
Ahn, mais uma postadora aqui \o/
Não faço crônicas tão bem quanto diogo, mas pelo menos isso aqui vai continuar bem humorado =]
Sem muitas novidades por hora, vou tentar fazer com que as novidades surjam:
Porque tem muito ratinho precisando de um bronze.
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