segunda-feira, março 2

Perfume de Lúpulo

Vou deixar Túlio me esperando no amarelinho. Paciência Túlio.

Hoje preciso falar de Onirê, outro fundador do rato, figura importantíssima no movimento - cientista da computação, filósofo e orc. Estava bebendo com ele no cavanhaque, o amarelinho da federal, e não posso omitir certas passagens.

Primeiro quanto à filosofia do rato. Eu sei que ele foi para a universidade estudar, assisir aula, coisa e tal. Mas o rato, no seu momento de maior comunhão com a filosofia está sempre duro. Foi assim com Pedro Augusto, dia desses "Diogo, vamos tomar uma, suadade de porra de tu!" e eu "bora, onde?" ele, sem nennuma vergonha, numa belíssima naturalidade "No Extra, tô com R$1,50 no bolso!". E eu fui. Com Onirê não foi diferente "vamos para o cavanhaque Diogo? Tô com R$2,00 no bolso!" E eu, categórico "É agora"

Tem sempre um com dinheiro, graças, se não tiver a gente fica andando até morgar e cada um pega seu ônibus. Mas Onirê e Pedro se destacam na sutil arte de sair com um, dois reais no bolso e voltarem para casa com verdadeiras fortunas em álcool no organismo.

Mas isso não tem nada a ver com o que eu queria falar. Entre um copo de cerveja e outro ele soltou uma dessa filósofias absolutas, que jamais poderiam nascer em qualquer outro lugar que não fosse o bar "O carnaval é uma ilusão. E a gente tem que ir vivendo até que a vida chegue na gente". Impossível descrever meu assombro ante esse gênio absoluto.

Logo depois alguém esbarrou nele e a cerveja molhou sua camisa. Vocês pensam que esse gênio se rebaixou à violência? Não (queria ver Onirê brigando). Pensam que ele se abalou? Não. Com todo seu mito, sua aura, cheirou a camiseta disse, simples e agudo, "chegando em casa digo que é perfume de lúpulo. E francês"

Meu ponto é que coisas assim só nascem nos bares, não existe lugar mais propício à verdadeira cultura popular, ao desenvolvimento do intelecto, à reflexão, que uma mesa de bar repleta de copos coloridos, cintilantes, rútilos. Eu também não fiquei por menos, durante o curso da conversa um cigarro de palha ia e via vertiginosamente entre os fregueses do bar. Bebi um gole e tive um momento de luz em meio às trevas do pensamento. Respirei e disse "Não há nada mais socialista que um baseado".

E pouco preconceituoso também. Existe sobre as mais diversas formas - cigarro, fumo, brigadeiro, biscoito, chá - E só é consumido por apenas uma pessoa quando o dono se encontra completamente solitário. Mas mesmo assim ele não é egoísta, pois está de consolo ao melancólico.

Acabei não chegando nos pontos importantes. Azar, fica para a próxima postagem.

À todos que seguirem o rato, ratão

Nenhum comentário: