sábado, março 7

O baile

A moça que intermediou meu encontro com Túlio, ou seja, a principal irresponsável pela minha participação no Ratão, Joana Liberal, a moça ex-careca mais linda que já tive o prazer de conhecer fez anos dia quatro de março e comemoramos ontem.

Coisa curiosa essas festas de aniversário. Mudam os dançarinos mas o baile é sempre o mesmo. O bar, Capibar, fica às orlas do rio e vale a propaganda: um decoração mais que interessante, que se vale de materiais recicláveis e quinquilharias, como globos de garrafas pet ou colunas de latinhas de alumínio, línguas de sacolas plásticas pelas paredes, orelhões espalhados em três pontos do bar, velhos, inúteis, como estandartes da decadência. Um grande espelho à la "Bonequinha de luxo" na entrada, segundo Dandara. Um casal de proprietários cujas barbas e a simplicidade exigem, no mínimo, dignidade. E conectando o bar ao Capibaribe as tábuas que servem de cais do porto para uma jangadinha devorada pelas traças.

Mas quanto aos dançarinos e o baile - primeiro todos estão sentados, um rapaz escolhe as músicas, primeiro sambinhas inteligentes, cult (porque todos são cult depois do João do Morro), as cervejas vão e vem, pessoas chegam, se reconhecem, se abraçam, mais cerveja e alguém vai para a pista, um mais corajoso.

A festa é definida sempre pela primeira pessoa que pisa na pista, ela é a responsável pela segunda, a terceira e todas as outras. Quando já existem rodas na pista, e tudo é calor, e o suor se confunde com as respirações a festa aproxima-se da apoteose.

E por apoteose eu digo a ignorância à qualquer inteligência. Do samba ao brega, do brega ao funk, e vemos, para qualquer alívio da evolução, moças lindas, engenheiras, psicólogas, envergadas como se envergavam os camponeses em certas torturas medievais enquanto gritam, enlouquecidas "sou uma cachorra!" Amém.

Pena que não dancei, ontem me senti um vouyer: observei muito amiúde a curva dos corpos, o detalhe dos vestidos, como uma moça tirou os sapatos para dançar e como era mais bonito o contato direto e carnal de seu pé com a pista em meio ao furor, ao esquecimento coletivo. Danado é o homem que por amar todos não ama ninguém, o asno.

E é como o relógio que para sempre se repetirá no ponteiro das doze. Dias atrás meus pais me contavam de seus bailes. Idênticos. Há coisas na vida que se repetirão à eternidade: o adultério, o furto, a falta de amor e os bailes de adolescentes, mudarão os instrumentos, mas a partitura permanecerá.

Capibar

Para a direita e para a esquerda
A cidade se esconde
Pela muralha de árvores que vela o rio

Morcegos Kamikazes cortam razantes as margens
E diluem sua forma entre a noite e as águas

O brilho de uma estrela, de muito a olhar
Tem setecentas cores - todas morrem
Refletidas nas águas sujas do Capibaribe
No que passa uma planta e as apaga

Donde estou, as tábuas são tão antigas
Que contam histórias
Se as ouvir em silêncio

As televisões emanam apenas mofo e pó
Nenhum comercial, nenhuma novela
Graças!

As garrafas de plástico formam lustres
Brancos, vermelhos e amarelos

Latas são velas de alumínio escorrendo
As paredes de Pepsi, Coca e Kuat incandescentes

Os orelhões, carcomidos e enferrujados
São, ora, túmulos de anjo
Ora, berço de Iemanjá
Horizontais e acústicos

Sacolas de supermercado
São línguas na parede

Um bote solitário chora a lua
Cujo reflexo circunda a geometria de suas tábuas

Enfim, na fluência do rio fluem as pessoas
À mercê de qualquer ritmo, qualquer compasso
Refluem como as águas que as cercam

E a noite são curvas, e a noite são ondas
Que torneiam joelhos e balançam cabeças
Cacheadas, louras, carecas

Untando corpos com o lacre do suor
Pelo canto do bacurau até o grito do galo
Enquanto o rio permanente e cinza
Segue espelho dos homens

sexta-feira, março 6

O cínico

Quanto vale o cinismo? Numa mesa de sinuca jogam dois homens contra duas mulheres, um rapaz acompanha a partida, enquanto fuma. "Aposto dez contos nas meninas" ao que um dos rapazes do time adversário responde "topo"; e começa o embate.

Uma das moças desde o primeiro ano ginasial, ou seja, desde os quinze anos de idade, gazeia aula para ir na sinuca, aquela mesmo, naquele mesmo bar, o cavanhaque da federal. Isso mesmo, ela é aluna do colégio de aplicação, passou por concurso, derrotou não sei quantos mil concorrentes e passa manhãs a gazear aula no cavanhaque. Hoje estuda na faculdade federal, passou direto no vestibular. E não assiste uma aula.

O que importa é que ela derruba as bolas como se elas fossem feitas de ferro e as caçapas fossem imãs. Num momento glorioso, faltando uma bola para decidir a partida, o rapaz divide um cigarro com ela e comenta "Você é melhor investimento que já fiz na vida" ela retruca, olhos brilhando "que bom, eu tô precisando de um empresário".

Não foi preciso mais. Cada ouvinte em potencial sentiu frêmitos pelo diálogo, cortante, inteligente. Não aconteceu nada, nunca acontece. Eis o preço do cinismo.

Gusmão era gordo, ficou magro e se engraçou para o lado de Luciana. Passou dois anos com ela, que como uma verdadeira Joana, de Gota D'água, o inventou - lhe pôs em trajes, lhe ensinou a fazer samba, lhe levou bêbado para a cama, e se deitou, e tirou sua virgindade, e lhe lavaria a cueca de domingo, se esse permitice.

Mas Gusmão não permitiu e findo três anos ele queria mais, até hoje diz "casava com ela, caso com ela!" e depois, como num remorso de si mesmo "mas sou novo. Minha vida não pode acabar aí". E ele foi ver onde a vida acaba e encontrou outras mulheres, adultério, desilusão. Hoje anda com uma namorada no cabide, mas ela vira as costas ele diz "Não sei, não vai durar muito..." Mas ela retorna e retornam os beijinhos "meu amor" etc, etc.

Nem sempre são eles, em todo amor que se preze há um iludido e um cínico. O mistério do amor está na doação para o vazio, e ninguém preenche melhor esse papel que o cínico. Alguns se pungem de remorsos e recuam no último momento, alguns melancólicos simplesmente desistem de amar, os honestos admitem "pode ficar comigo, mas saiba que não sinto, só desejo" e os cafajestes vão às últimas consequências e permitem que os iludidos trancem, como inocentes, a corda que no futuro lhes servirá à forca.

quarta-feira, março 4

Popularesco

A única sabedoria útil é a popular. Não confundamos com a unânime, mas a popular. A do indivíduo popular, da pessoa única, singular, que dentre a maioria e destacando-se como representante da mesma demonstra sabedoria.

O presidente é um nítido exemplo disso, pena que ignore os dizeres e só lembre que veio "do povo" ignorando o "para o povo e pelo povo". A grande inteligência de nosso 'Aurélio às avessas' é a esmola legislada, entregue como uma engrenagem à uma maioria campestre, marginalizada e alienada todos os meses pelas agências do banco do Brasil e postos credenciados.

Mas não é dessa sabedoria egoísta que trato. Trato da sabedoria de Onirê, que na mesa do bar me dizia "Diogo, você nunca vai se realizar como homem enquanto não assumir que é um cafajeste, põe isso na cabeça". E eu, relutante "Mas eu queria amar de verdade, queria experimentar um sentimento!" E ele, me lendo por dentro "Mas você não sonha, não fantasia só com cafajestagem?" Eu "sim, mas... tenho excrúpulos" E ele, definitivo "Então, são esses escrúpulos que te impedem de se realizar".

Fui vencido pela retórica. E pelo carnaval, ora veja. Tantas pessoas pelas ruas, pelas ladeiras, a multidão se funde tão profundamente em nosso espírito que ela nos acompanha à nossa casa, deita em nossa cama e assombra nossos sonhos. Antes da quarta-feira de cinzas já nos deitamos, acordamos e amamos não mais como indivíduo, mas como multidão. E durante as troças, ao passar dos blocos, em cada esquina uma fantasia, e todas solicitas, alegres, repletas de corpo e de fluídos. Nessas condições, ou se morre de solidão ou a folia enraiza na alma da gente.

E a retórica de Onirê foi clara, é preciso amar muito, todos que se puder. É preciso se doar aos outros tanto quanto os outros te desejam. Desejar não é satisfazer suas fantasias, mas satisfazer as alheias. Não digo que ninguém deva deitar-se com buchos porque elas querem, não desejo tal sorte a nenhum companheiro e à nenhuma companheira. Digo apenas que é melhor se dar.

E quanto à se dar e ainda sobre a útilíssima sabedoria popular, conto um causo. Sentaram conosco na mesa do cavanhaque duas amigas e uma fez uma lista das cantadas que recebera no carnaval, entre elas figurava "você pega ônibus? Porque você está no ponto." ou "Aposto um beijo que levo ou fora", etc. etc.

A cantada é um verdadeiro reflexo da cultura e criatividade de um povo. Você não vê literatos, velhos e chatos, publicando suas cantadas. Entratanto uma cantada não é qualquer texto à toa. É preciso o domínio da concisão, da função apelativa ou emotiva, de senso de humor e subtexto, sem falar das qualidades poéticas, como o uso de metáforas ou matonímias. Enfim, uma cantada é uma verdadeira pérola literária popular, como um berro de Dante proferido pela massa.

E isso sim é útil, assim como "cada macaco no seu galho", "passarinho que come pedra sabe o rabo que tem", "quem cochicha o rabo espicha" e tantos outros. A sabedoria acadêmica, que existe de si para si mesma, visando seu enobrecimento, é tão vistosa e vazia quanto as esmolas do Presidente.

terça-feira, março 3

Deus e o Diabo no mundo de Pedro

"Nada mais socialista que um baseado". Partindo dessa frase lembrei de outro causo que vale contar.

É sobre Pedro, outro fundador do rato e um dos principais líderes do movimento. Eu o conheci no gramado do extra, oita da noite, bêbado, rolando e dormindo no colo de uma amiga.

Ele estragou meu encontro naquela noite, era meu primeiro encontro com uma garota linda, de cachinhos dourados. Marquei com ela no cinema da Aliança Francesa. O filme estava chato pra burro, é verdade - e eis que no meio da projeção o celular dela toca, atende e me diz "Diogo, minha melhor amiga tá de babá duns três bêbados lá no extra, vou ter que ajudar". E eu "tá, vamos".

Os bêbados eram Pedro, Arcoverde, e outro que já esqueci quem era. Onirê estava lá também, se não me engano. Realmente Dani era a única moça naquela roda de etér e testosterona. O esport tinha ganhado um jogo aí, eles gritavam "casa, casa..." de vez em quando, mas isso foi tudo. Até Pedro começar a falar.

Não sei por quê, onde, nem como, mas Pedro Augusto, bêbado no colo de Dani, me olhou nos olhos de uma maneira transcendente e absoluta e disse: "Mermão, tu tem que entender que o Diabo é o cara mais socialista que tem. E Deus, Deus é capitalismo selvagem mermão!"

Eu, humilde, "como é?" - Ele "isso mesmo, vê a cor pô; a cor do capeta é vermelho, vermelho é a cor do socialismo, da luta de classes, tu acha que é de graça isso? É tudo pensado! O Cão foi na casa de Marx, que era considerado na época, entrou de sola e 'agora tu vai escrever pra todo mundo meu regime de governo, agora é a vez do Cão!' Marx que não era doido e tinha pacto com o coisa ruim aceitou, só o que ele fez foi copiar o ditado do outro. E quase deu certo - Mas Deus não quis, Deus é eletista mermão, ouve aí, no céu só entra quem ele quer, só entra a elite politizada de extrema direita. O inferno não, é aberto, entra qualquer mundiça. Aí a prova!"

Me assombrei tanto com aquelas palavras, com aquela verdade inapelável sobre o bom, o mal e os regimens de governo que quase esqueci da galega.

Engraçado como ébrios somos mais lúcidos. Onirê mesmo, no cavanhaque, me disse "Diogo, a embriaguez não tem nada a ver com o álcool" verdade, verdade. É um estado de espírito, pode surgir do álcool tanto quanto do ciúme, da feijoada ou da dor de corno.

Inclusive isso também explica porque cada bêbado é diferente. Se fosse uma reação simplesmente química os bêbados seriam mais ou menos iguais, posto que a homeostase humana é similar. Mas não, como um verdadeiro estado de espírito, psicológico, transcendental, a embriaguez define e molda a indivíduo. Quem nunca viu os bêbados por vocação, por exemplo, que vão sozinhos aos bares e só voltam de táxi. Ou os por desculpa, que ao primeiro gole de cerveja assumem a própria embriaguez e podem, à vontade, fazer tudo que não poderiam sem a farsa, a falta de responsabilidade do álcool.

Existe, é fato, uma verdadeira fauna de bêbados e não pretendo esgotar o assunto aqui, cada um libera seu grito mais profundo, mais pungente, sobre a máscara do álcool.

Dizem que o nariz de palhaço é a menor máscara do mundo, a que cobre menos, a que mais obriga o indivíduo a se expor, tarefa apavorante. O álcool seria então, em oposto, a maior máscara do mundo, que lubrifica todo o corpo, isentando o indíviduo de qualquer consequência por sua exposição, mostrando ao mundo quem se é realmente.

Mas só isso por hoje, não desvendar os bêbados nessa crônica ou ela vira ensaio.

Ratão

segunda-feira, março 2

Perfume de Lúpulo

Vou deixar Túlio me esperando no amarelinho. Paciência Túlio.

Hoje preciso falar de Onirê, outro fundador do rato, figura importantíssima no movimento - cientista da computação, filósofo e orc. Estava bebendo com ele no cavanhaque, o amarelinho da federal, e não posso omitir certas passagens.

Primeiro quanto à filosofia do rato. Eu sei que ele foi para a universidade estudar, assisir aula, coisa e tal. Mas o rato, no seu momento de maior comunhão com a filosofia está sempre duro. Foi assim com Pedro Augusto, dia desses "Diogo, vamos tomar uma, suadade de porra de tu!" e eu "bora, onde?" ele, sem nennuma vergonha, numa belíssima naturalidade "No Extra, tô com R$1,50 no bolso!". E eu fui. Com Onirê não foi diferente "vamos para o cavanhaque Diogo? Tô com R$2,00 no bolso!" E eu, categórico "É agora"

Tem sempre um com dinheiro, graças, se não tiver a gente fica andando até morgar e cada um pega seu ônibus. Mas Onirê e Pedro se destacam na sutil arte de sair com um, dois reais no bolso e voltarem para casa com verdadeiras fortunas em álcool no organismo.

Mas isso não tem nada a ver com o que eu queria falar. Entre um copo de cerveja e outro ele soltou uma dessa filósofias absolutas, que jamais poderiam nascer em qualquer outro lugar que não fosse o bar "O carnaval é uma ilusão. E a gente tem que ir vivendo até que a vida chegue na gente". Impossível descrever meu assombro ante esse gênio absoluto.

Logo depois alguém esbarrou nele e a cerveja molhou sua camisa. Vocês pensam que esse gênio se rebaixou à violência? Não (queria ver Onirê brigando). Pensam que ele se abalou? Não. Com todo seu mito, sua aura, cheirou a camiseta disse, simples e agudo, "chegando em casa digo que é perfume de lúpulo. E francês"

Meu ponto é que coisas assim só nascem nos bares, não existe lugar mais propício à verdadeira cultura popular, ao desenvolvimento do intelecto, à reflexão, que uma mesa de bar repleta de copos coloridos, cintilantes, rútilos. Eu também não fiquei por menos, durante o curso da conversa um cigarro de palha ia e via vertiginosamente entre os fregueses do bar. Bebi um gole e tive um momento de luz em meio às trevas do pensamento. Respirei e disse "Não há nada mais socialista que um baseado".

E pouco preconceituoso também. Existe sobre as mais diversas formas - cigarro, fumo, brigadeiro, biscoito, chá - E só é consumido por apenas uma pessoa quando o dono se encontra completamente solitário. Mas mesmo assim ele não é egoísta, pois está de consolo ao melancólico.

Acabei não chegando nos pontos importantes. Azar, fica para a próxima postagem.

À todos que seguirem o rato, ratão

Os amarelinhos

Ainda sobre o rato. Depois do Senart e do Luciano Hulk verde guache fiquei de tomar uma cerveja com Túlio no amarelinho da Católica. Abro um parênteses aqui, o amarelinho é dessas importantíssimas entidades recifenses, toda universidade, cursinho técnico ou pré-vestibular tem o seu amarelinho, com nomes e aparências das mais diversas. Na verdade creio que isso seja um fenômeno brasileiro e até mundial. Pelo menos sul-americano deve ser. Eu nunca entendi o laço intrínseco entre o álcool e a sala de aula, mas sempre o aceitei com grande naturalidade.

Não pretendo esgotar o assunto aqui, mas darei a ele mais um parágrafo. É realmente curioso como esses bares existem de maneira etérea, além do tempo e do espaço. Não precisam de mesas bonitas, não investem um centavo em decoração, aparência, atendimento; existem simplesmente, na mais completa falta de pretensão e com a certeza absoluta que se acaso algum movimento das estrelas cause sua falência dez outros botecos igualmente despretensiosos estarão prontos para assumir seu posto histórico. São na verdade uma das provas mais ilustrativas do capitalismo: enquanto houver demanda haverá oferta. E não existe demanda mais voraz, mais obsessiva por álcool que o estudante (talvez o corno ou o melancólico do século passado, posto que o melancólico do século toma energético e usa franja, o imbecil. Mas sem duvida o estudante encabeça a lista). Comparado aos bares de universidade em termos de capitalismo selvagem apenas as prostitutas de Boa Viagem e os taxistas da madrugada. Apenas.

Os donos desses bares também merecem parágrafo: são dessas figuras folclóricas, de bigodes triunfais e barris de chopes escondidos na barriga; parecem existir desde os tempos do império e se mantiveram vivos, de bar em bar, através dos séculos. Em geral tem os dentes amarelos e uma unha maior que as outras, mística, onde deixam fermentar o tempero da carne à moda da casa. Como prova de sua idade têm sempre uma história para contar. Normalmente nessas histórias que se entregam, começam com um causo da semana, do ano e entre a terceira e a quarta garrafa de cerveja já estão contando os causos do império, ou piores. "Nos tempos de Nassau é que isso era bonito, outro dia mesmo, em 40 eu pedi a ele uma réplica da ponte para decorar o bar e etc...", eu, surpreso da revelação e crente da embriaguez do homem ainda tentei "Nassau?! 1940?" e ele, soberbo e convicto "que 1900 o quê, 1640! Maurício de Nassau, tu não estudou ele na escola não menino?! Então, mas ele nunca me deu a maquete..." revelando toda a lenda, o mito e transcendência dos donos de boteco. Outra coisa a se notar é que eles não tem qualquer pudor em sentar e beber com os clientes, consideram um gesto de amizade, de camaradagem. Se o bar está vazio e a mesa tem menos de quatro pessoas, o dono se sente o amigo mais íntimo, o padrinho oculto de cada membro da mesa, seja homem, mulher, travesti ou cachorro (nada incomum ver um dono de boteco bebendo com um vira-lata que apareceu, e convenhamos que o vira-lata é uma companhia formidável de mesa de bar - calado, fiel, compreensivo, sabe quando fazer barulhos de entendimento e presta muita atenção em tudo que seu locutor diz). Outra prova de sua ancestralidade, e da minha também, pois concordo quanto a nobreza do gesto. Nada mais triste que um estranho que permanece estranho. As pessoas foram feitas para se conhecer. Ao vivo.

A digressão está enorme e possivelmente, mas sou desses pais condescendes com minhas palavras, vaidoso e preguiçoso. Enfim, contando do dono de bar que se aproxima dos estranhos no maior impudor me lembrei de um causo. Vá lá.

Estava voltando de carona com Roberto França, grande amigo, desses com quem posso chorar sem vergonha. Mas nessa noite, era noite, não chorava nem nada. Eu visitara a igreja dele, ele fora para um acampamento de jovens com a igreja no carnaval e eles tiveram um encontro uma semana depois no culto para ver fotos, lembrar as músicas, coisa e tal. Ao meu lado no carro, estava uma tal que não me lembro o nome, nem bonita nem feia, assim assim. Se fosse Nelson diria que era dona de umas narinas de cadáver. Como não sou digo que era dessas moças de feições plásticas, uma bruxa da aparência, com pouca ou nenhuma naturalidade.

O carro estava apertado, mas eu estava completamente à vontade. Íamos conversando no carro, ela estava ao meu lado... Retifico o que disse antes: eu estava à vontade psicologicamente, meu corpo estava espremido entre as outras cinco pessoas que iam no banco de traz para o bar do Jabá. Espremido e conversando com ela estendi meu braço pelo banco do carro, tenho certeza que todos conhecem o gesto, que oferece diversas interpretações é verdade, minha intenção estava entre o folgado e o paxá. E continuava conversando com ela, na primeira risada acariciei levemente o braço dela, agora ao alcance da minha mão, com a ponta dos dedos. E deu-se a farsa.

Sou um rapaz grato, meu orixá e meu anjo da guarda nunca me deixaram na mão, mas eles poderiam ter me dado um aviso, por mais sutil que fosse, do escândalo. A moça pôs-se a gritar no carro "Eu tenho namorado! Sou moça de família! Tá pensando o quê?!" Murchei mais que uva passa. Realmente não vira essa chegando. Faço carinhos mais indecentes em Roberto, que é homem, e nunca recebi um escândalo em resposta. Todos no carro se espantaram, Roberto ia tirando a vista da direção para ver se todos viviam, uma muvuca tremenda e eu, inocente, humilhado, exclamava "Era só um carinho! Não é casamento! Não te levei pro motel! Um carinho porque fui com tua cara! Mas nunca mais ouviu?! Nunca mais!" E ela revidava minhas desculpas, transfigurada "Jamais ouviu?! Jamais!"

Nessas horas que me julgo um antigo mesmo. Aí daquele que vive sem carinho, que não aceita com complacência e humildade a carência alheia. A infame! Também nunca mais me arrisquei por ali e nem fui ao Jabá, voltei para casa, beber e chorar a falta de amor no mundo.

sábado, fevereiro 28

O Ratão

É fato que do tempo que o cronista leva para escrever uma crônica, metade é gasto no início. Escrever é como essas locomotivas antigas que precisam esquentar para pegar no tranco. Ainda no que tange essa inspiração, para o início da crônica, o tempo gasto na procura de um começo impactante é ainda maior. Pura vaidade - também medo do leitor cansar antes mesmo de ler o que você julgava ter de melhor.

Gastei meu tempo pensando em como começar bem essa crônica, mas não conseguindo nada de muito imediato irei direto ao ponto.

Nasce uma nova boemia na cidade do Recife, não uma boemia qualquer, mas uma verdadeira elite de pândegos unidas sobre a bandeira do ratão.

Outro escrúpulo que tive e mandei às favas foi quanto ao uso dessa palavra: ratão, me lembra ratos de porão, que me lembra o vendido do João Gordo e guitarras maltratadas, e ambos não correspondem ao movimento, mas optei por escrever estas palavras com sinceridade e sem muitos floreios, portanto vá lá, somos os ratos, discípulos do ratão.

Não conheço ao certo as origens do ratão, o que fortalece ainda mais sua força de mito, como essas coisas que existem misteriosamente, como o programa do Faustão e os erros gramaticais do presidente. Há muito que deveriam acabar, ou melhor, jamais deveriam ter existido, mas existem.

O que é certo são os mais de cinquenta jovens já unidos sobre a bandeira. E a cifra aumenta a cada noite, em cada copo, bituca ou guardanapo; a cada beijo, em cada língua o ratão se prolifera.

Por exemplo, Basílio, um grande amigo e sem dúvida um dos fundadores do rato, anteontem, explicava para um grupo de iniciados sobre os preceitos do movimento, depois de uma partida de frisbee com um desconhecido na praia de Boa viagem. Ele falava assim "sobretudo o rato não se mistura com o amor, negócios negócios, prazeres à parte e coisa e tal" enquanto atrás um casal de amigos se agarrava descaradamente. Não foi o momento mais feliz de Basílio, mas acho a passagem didática, sem dúvida.

Quem me iniciou no rato foi Túlio, tínhamos uma amiga em comum, uma moça careca, linda. Túlio é músico e prometeu tocar para ela no Senart, um evento promovido pelo Senai com seus alunos. Ela faz inglês lá e o grupo dela apresentou uma paródia do caldeirão do Huck no idioma dos gringos, com direito à um Luciano Huck coberto da cabeça aos pés com tinta guache verde e um dos piores sotaques que já ouvi na vida.

Pronto, eu estava só enchendo linguiça, esse é o assunto da crônica (descobri agora, é verdade). O assunto é arte, o que vou dizer é o óbvio ululante, mas a verdadeira obra de arte é sincera.

Escrito assim todo dirá "disso eu sei". Sabe nada. Uma análise do mercado de entreterimento, em qualquer meio - filmes, seriados, novelas, artes plásticas, cênicas, música - o que mais encontramos é a cópia, e pior, a cópia que se diz original. Existe algo menos sincero que isso?

Um filme, por exemplo. Vi um filme caseiro de um amigo e o achei ótimo. Não era um primor de acabemento técnico, não teve orçamento milhonáiro, mas ele soube admitir cada limitação na concepção da película. Aí a veradeira genialidade do artista! A maioria da produção artística é uma disputa mesquinha, sem qualquer humildade, para o melhor copydesk.

Essa é a reflexão que faço ao assistir um evento como Senart, daí surgiu a crônica. Nennum profissional, Luciano Huck pintado de verde da cabeça aos pés com tinta Guache, cheio de falhas ao longo do corpo, os sotaques todos horríveis, muitos risos. Porém todos os participantes se assumiram, ninguém fingiu que hulk era realmente verde e gigante, ninguém fingiu ser nativo da inglaterra. E a sinceridade das pessoas em cima do palco permitiu à imaginação da platéia voar. A mentira polui e neblina qualquer possibilidade imaginação.

Percebo, ao digitar essas palavras, que o ratão surgiu para mim anterior a si mesmo, e continuará existindo na exibição visceral de nós mesmos.

Ratão.

Voltei. Por quê?

Voltar a postar no desconceito parece piada após um ano sem escrever nesse blog. Meu projeto do ano passado, "conselhos de um poeta", terminou e algumas pessoas leram e ele deu o que tinha que dar.

Já sou outro, já não escrevo para o elogio, como fazia quando montei o blog. Mas ainda escrevo para o outro, por isso certas coisas quero publicar.

Como Desconceito é uma coisa transitória, estou mudando a linguagem, meus poemas andam chatos, obedecendo a projetos literários, coisa e tal, portanto vou experimentar certas crônicas, se possível trarei linhas novas todos os dias, acho difícil, veremos.

Abraços

domingo, janeiro 20

Ditadura do tempo

Oi,

Seis e meia é o horário em que meu expediente termina.

Seis e meia

Dá amanhã mas não dá seis e meia
Dá o relógio todo, mas não dá seis e meia


Nem metade disso
Nem um quarto do que poderia


Seis e meia
Seis e meia
Seis e meia


Dá uma semana, mas nunca seis e meia
Não, seis e meia não, de jeito nenhum

Como se estende, como se alenta, como
Estanca ante tudo, ante seis e meia

Não chega
Não chega
Não chega

Chega o carnaval, me esqueço na folia
Me perco nas ladeiras na picardia de Olinda

Mas seis e meia... Nunca mais que chega!

sábado, dezembro 15

Das luas

Oi

Estou vivo, estou feliz e o blog continua com este texto: quatro tercetos para a lua, por favor, quem se interessar tenha a gentileza de comentar.

Novidade: o excelente poeta Thacle de Souza Pinheiro se propôs a escrever um quinto terceto, completando a obra apresentada, assim eu revisei a postagem com o terceto dele, que de agora em diante comporá o último pedaço da série "das luas".

Ósculos a todos

Das luas

I

A lua nova é uma estrela no ventre da noite
Engendrada
Com todo seu brilho de não brilhar

II

O quarto minguante é uma estrela sorrindo
Faceira
Por estar mais perto do infinito que nós, porque sabe que a namoramos em sua sacada

III

O quarto crescente é uma estrela de queijo
Qualho
Para dar água na boca de quem come com os olhos

IV

A lua cheia é como uma estrela saliente,
Gorda
Enquanto as outras são estrelinhas anoréxas

Diogo Testa

V

Atribuía-se a si, a Noite, um idôneo e passional sorver,
Mortificava-se, exonerava-se, exorcisava-se - fulgores vis
Inebriados em lancinantes suicídios infindos a cada alvorecer.

Thacle de Souza Pinheiro

domingo, novembro 18

Vou-me embora para pasárgada

Oi

O tema hoje é tempo. Um amigo pediu que eu divulgasse através do blog uma história. Essa é sobre uma mulher de posição social respeitável, Ana Virgínia, que viajou com o filho para Portugal para se encontrar com o namorado e, às vésperas de seu retorno ao Brasil e já separada do mesmo por motivos de incompatibilidade, vê sozinha seu filho morrer, tenta o suicídio e é completamente desamparada pelas autoridades portuguesas, que passam a pintá-la como mãe assassina e negam-lhe seus direitos. A história completa pode ser lida em http://www.petitiononline.com/sardinha/petition.html. A quem possa interessar leia, pois é um forte elemento de reflexão social.

A história de Ana não deve ser tomada como um caso separado, ela deve ser vista como uma representação de uma tragédia que acontece todos os dias, em condições muito piores das descritas, mas raramente documentadas. Devido à família e condição social de Ana, ela tem ao menos quem lute por ela. Quando eu li sua história eu pensei: "que bom que alguém documentou, pois quantas vezes essa mesma tragédia não se repetiu até que ela fosse documentada para que as pessoas tomassem atitudes ou ao menos pensassem no assunto?".

E não falo sobre conflitos entre países. Falo sobre abandono, quantas vezes em periferias pessoas não são abandonadas sem família e a mercê de um sistema que as ignora? Foi preciso que uma mulher de família nobre sofresse o mesmo em território internacional para que eu voltasse os olhos para o problema. Isso mostra apenas minha pequenez ante tudo isso.

Por isso o poema hoje é sobre abandono e despedida. Eu o escrevi antes de mudar-me de Petrolina para o Recife e chama-se Vou-me embora para Pasárgada (Recife):


Vou-me embora pra Pasárgada (Recife)

O tempo passa diferente quando se tem os segundos contados
Tudo passa com uma lentidão e claridade e pigmentação
Como quem bebe e seca a última gota de mel do pote

Os olhos que te olham parecem revelar
No derradeiro segundo seu brilho secreto
E sua íris parece querer fotografar
Cada segundo e cada rosto e cada medo

O presente parece indefinível
E o passado vai ganhando tons ufânicos de perfeição
O filme vai ficando em câmera lenta
E começo a ser rebobinado no portão de embarque

A nostalgia se torna onipresente e torpe
O abandono prende-se às lágrimas
As lágrimas prendem-se aos olhos
E os olhos parecem gigantes cegos

Tão grandes que não cabem nos meus olhares
Meu corpo divide-se a cada fim
E eu sinto muita falta de algo insensível
Que poderia jurar que já tive comigo antes

Só no futuro saberei que foi um pedaço de minha alma
Que ficou brincando no portão de embarque
Um pedaço de minha alma ficou para trás
Um pedaço de minha alma maior que o tempo

sábado, novembro 10

Acordar

Não sei quanto a ti leitor, mas valorizo imensamente o sono. Ultimamente mais do que nunca devido aos meus horários que deixam pouco tempo para essa produtiva atividade.

O poema de hoje tem na sua temática justamente a alvorada, não fisíca, mas mental. A imensa poesia que existe no ato de despertar para um dia de possibilidades.

O poema chama-se alvorada e é uma descrição vulgar dos pensamentos e situações sob as quais acordo. Ele tem algumas particularidades que gostaria de ressaltar antes do exibi-lo:

1- Ele é escrito com três sílabas métricas e é uma espécie de reza, é algo como o café com pão de Bandeira misturado com cordel. Escolhi essa forma pela velocidade que dá ao poema, como um dia veloz que empurra o eu-lírico sonolento para fora da cama.

2- Ele foi feito para ser cantado (entretanto não é, sobremaneira, música), por isso deve ser lido com a tônica na primeira e última.

3- Já que é assim, eu gostaria que quem o lesse, após a primeira leitura, fizesse outra em voz alta dando a entonação adequada e me contasse, por meio dos comentários do blog, não apenas como ele foi sentido, mas também como ele foi escutado.


Alvorada


Ei chacoalha!
Ei chacoalha!
Ei chacoalha!
Olha o Sol!
Bora fora
Dessa cama
Já levanta
Ói relógio
Ói a hora
Não demora
Ei chacoalha!
Ei chacoalha!
Ei chacoalha!

Ai preguiça
Que espicha
Nessa cama
Nada anda
Ai sou lento
Não intento
Despertar

Não me vejo
Chacoalhando
Sono alheio

“Homem, deixa”
Mais um pouco
Nunca vi
Que sufoco
Não é queixa
Mas o trampo
Só começa
Oito e meia

Oh relógio
Bich’ ingrato
Me desperta
E sossega
Deixa o resto
É comigo
Ai que sono
Que preciso
Para acordar

São aqueles
Cinco caros
Preciosos
Minutinhos
De preguiça
Pra coçar

Banho frio
Café quente
Travesseiro
Nem comento
Que me sinto
Parecido
Com tu mesmo
Se pudesse
Te agarrava

Penso sério
"É bem feito
Quem mandou
Farrear
'dia inteiro?"
Põe a roupa
Ganha a rua
Que o jeito
É dormir
No almoço
Ai sesta!

sábado, outubro 27

Melecas do dia-a-dia

Oi

Mais um apanhado de poemas do dia-a-dia

O primeiro aconteceu quando fui ver um show no Sta Isabel e descobri que chegando 5min para o espetáculo não há mais ingressos dependendo do evento. Chama-se grande espetáculo e mostra que às vezes o show não acontece onde se espera, pois mesmo perdento o espetáculo, foi uma tarde divertidíssima.

O outro, portões, traz a melhor descrição que pude fazer até aqui do colégio, baseado no seu elemento mais marcante para mim, seus portões, suas grades.

O último, hai-kai do amor platônico vem de várias coisas. Mas principalmente de algumas músicas de dor de cotovelo que ouvi outro dia e de duas amigas que gostam de amar à distância não sei por qual razão. O fato é que aconselhei uma a parar de banhar os olhos e dar logo um beijo no homem desejado. A disse que na melhor das hipóteses, ele corresponderia, na pior, ela teria tirado uma casca.

Isso porque para mim beijar é uma coisa meio lúdica. Quer? Beije e veja o que acontece, sem pretensão, sem pressão. Ela me respondeu: "Você tá louco, se ele rejeitar, nunca mais vou conseguir olhar na cara dele..." aí me envoquei e escrevi a idéia desse hai-kai


Grande espetáculo

17h - Teatro Santa Isabel
16:30 - Ingressos esgotados

Grande espetáculo
16:45 - Chego ao teatro
16:50 - Perdi a viagem

Grande espetáculo
Eu, Roberto e Gabriela
Na praça da república

Grande espetáculo
Da praça viámos
O show no teatro

Grande espetáculo
No banco da praça
Muito papo furado

Grande espetáculo
Crepúsculo na paisagem
Dança e cantoria

Grande espetáculo
Três pessoas rindo
No banco da praça


Os portões

Ida

Um portão. Pátio
Um portão. Corredor
Um portão. Salas

Primeiro portão,
atravesse
Porteiro. Cadeado
Segundo portão,
atravesse
Porteiro. Cadeado. Policiais
Terceiro portão,
atravesse
Porteiro. Cadeado

Volta

Três, dois, um portões
Três, dois, um porteiros
Três, dois, um cadeados
Dois policiais

Terceiro portão,
atravesse
Adeus salas
Segundo portão,
atravesse
Adeus corredor
Primeiro portão,
atravesse
Adeus pátio

Portão, portão, portão
Três, dois, um -
Liberdade


Hai-kai do amor platônico

O amor que sorve a si mesmo
É inútil, pois que sobra
Para dar à pessoa amada?

quarta-feira, outubro 24

Capitalismo_Sentido_Pesquisa

Oi

Essa primeira postagem será um apanhado de poemas pequenos e rápidos que trazem algumas melecas engasgadas do dia-a-dia;

Capitalismo brasileiro


- Pois foi, ele deu-me esse celular

- De graça? Isso não é possível!

- Ele é meu amigo, não estava precisando, deu-me.

- Não pode! Este é um mundo capitalista!

- Pois é, às vezes é, às vezes não...



Sentido


Não tenho sentido
Nem visão
Nem audição
Nem instinto
Toque não tem mais
Gosto não tem mais
Cheiro não tem mais

Não tenho sentido
Dor nem gozo
Angústia nem calma
Pena nem orgulho
Não tenho sentido
As pessoas que amo
As pessoas que temo
E todos os meus amigos

Mas o relógio
Esse permanece
Tiquetaqueando
Interminavelmente
No sentido horário
Enquanto a vida:
Anti-horário



Pesquisa


Antes buscavámos as respostas
Em Deus: Liámos a Bíblia
Hoje vamos ao Google

domingo, maio 6

DesConceito

Oi

Esta é a primeira postagem, por isso vou fazer um blá blá blá sobre o
DesConceito.

DesConceito é uma idéia que já me persegue há algum tempo. Ela vem de todas as outras idéias que nos são imbuídas sem nossa vivência da realidade que as gerou. Assim, pode-se concluir que com o tempo toda pessoa tende a ser mecanizada por padrões de idéias alheias sem vivência crítica das mesmas.

Pondo no popular =
Vamos vivendo as idéias dos outros sem experimentar as nossas.

Daí o
DesConceito. Destruir tudo que nos foi dito e recriar isso segundo nossa realidade.

Exemplos simples mas importantes:


- Por que quem trabalha no banco usa roupa social? Muda se for jeans e camiseta?

- Só interessa saber escrever textos dissertativos argumentativos?

- Se todos aprendem a dirigir antes dos 18, para que proibir?

- Torcer para um time por quê?

- Refeições na sala ou na cozinha? Todos ao mesmo tempo ou cada um no seu tempo?

- Enrolar a alface ou cortar?


Vê? São coisas realmente pequenas que nos mecanizam muitas vezes sem razão de ser. Por isso,
DesConceito.

A melhor maneira de fazer isso é na
poesia. Poesia não são versos e estrofes, poesia é liberdade de palavras, é a forma de expressão escrita mais humana que conheço.

Obrigado a todos e chega de blá blá blá. Que comece o
DesConceito